Perguntas e Respostas com Anil Kumar Fev 2008
Liberdade
Anil Kumar é professor de Biociência no Instituto de Estudos Superiores Sri Sathya Sai. Ele é autor de muitos livros sobre Sathya Sai Baba. Ele escreve artigos para o Sanathana Sarathi. Anil Kumar profere palestras sobre temas espirituais todos os domingos em Prasanthi Nilayam. Grupos de toda a Índia e de todo o mundo freqüentemente lhe solicitam palestras extras. Conhecido como o tradutor dos discursos de Sathya Sai Baba.
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Conheci Sathya Sai Baba pela primeira vez em 1970. Tendo-o visto, fiquei muito impressionado com a organização em torno dele. Fiquei surpreso ao encontrar tantos devotos que trabalhavam voluntariamente ajudando e colaborando para a Sua missão. Fiquei também muito impressionado com o serviço de atividades em curso em todo o mundo em Seu nome. Particularmente, estou muito satisfeito com a Sua mensagem, que é universal, numa forma que inclui todas as religiões. Depois experimentei o gosto do Seu Amor Divino que me fez agarrar e permanecer fiel a Ele de uma vez por todas.
Om Sai Ram
Todos nós queremos ser livres, mas sabemos o que significa liberdade?
A liberdade é a liberdade mental e ser dono da própria mente, não fazer seja o
que for que a mente lhe diz para fazer. É estar livre da ignorância, do apego,
do desejo, da raiva, do orgulho, das falsas dúvidas e das visões distorcidas
constituem a verdadeira liberdade. É a nossa atitude mental que nos mantém
livre ou não. A emoção básica que nos impede de ser livres é egocentrismo e
nos torna inquietos. O homem pode alcançar a felicidade plena quando seu
coração se libertar destes inimigos, disse Swami.
A Paz e a Liberdade nunca serão alcançadas através da manipulação das coisas comuns no mundo e, então, terminamos nos desesperando. A liberdade chegará com a capacidade de fazer tudo da melhor forma, ser realmente relaxados, de ser nós mesmos e ter confiança e fé em Deus.
Quem está livre? Quem não está livre?
Liberdade é a palavra mais mal entendida nos dias de hoje; alguns sentem que
estão livres quando estão livres do domínio estrangeiro ou externo. Considerem
os indianos; conseguiram a liberdade do domínio inglês. Nelson Mandela
libertou a África do Sul. Pode ser que sejamos politicamente livres,
mas vivemos na escravidão mental.
Temos que estar livres da mente que está programada, uma mente que está condicionada. Uma mente condicionada pensará sempre de uma forma particular, uma mente programada é sempre estreita. Estar livre tanto da mente condicionada quanto da mente programada é a liberdade. Hoje em dia, frente ao crescente desenvolvimento da ciência e da tecnologia, temos que ser livre dos velhos costumes, os quais são inúteis na sociedade moderna. Liberte-se de crenças que tornam o homem cego, dogmático e anti- científico. Isso significa liberdade intelectual.
Temos também de ter liberdade frente à sociedade, a sociedade espera
que nos conduzamos segundo certos padrões de vida. A sociedade acha que você é
respeitável quando tem dinheiro, posição, ela tem suas próprias normas, tem a
sua própria medida. Para definir uma pessoa, para classificar uma pessoa,
temos de estar livres disso. Você é o que você é com ou sem dinheiro e posição.
Se você vive na sociedade, terá que lutar para criar uma imagem na
sociedade em que tiver nascido. Isso é escravidão.
O homem acredita que ele está acorrentado pela posição na sociedade, na
política, e pensamos que seremos livres ao nos libertarmos dessas posições.
Não, não, não, não é assim. Deveríamos ser totalmente livres. O homem nasceu
livre. À medida que vai se tornando mais e mais velho, com escolaridade e
estudos, ele vai ficando condicionado pelo sistema, pelos pais e pelos
professores. Ele se permite ser dominado pelos outros. A sociedade, os padres,
sua condição filosófica; até mesmo os pais, amigos podem condicioná-lo. Todos
querem que você siga os seus conselhos. A verdadeira liberdade é estar
consciente do momento presente, guiado pela sabedoria e pela voz intuitiva
interior, a voz que está ligada a uma consciência superior.
Outra dimensão da liberdade é permitir ao outro usufruir da
liberdade. Estou livre e deveria permitir-lhe apreciar a sua liberdade.
Não posso impor-lhe minhas idéias, não posso forçá-lo a aceitar meu ponto de
vista. Alguém tem que ser livre e respeitar também a liberdade dos demais,
permitindo-os ser livres. Uma mente egoísta, dominadora ou ditatorial é uma
mente que gosta de ser livre, mas não gosta que os outros tenham a mesma
liberdade. Isso não é em absoluto uma ética correta da ótica da mente humana e
muito menos do ponto de vista religioso.
Liberdade significa respeito pelos sentimentos dos demais.
Para tentar compreender os nossos irmãos e irmãs a partir de seu ponto de vista, o perdão e o falar suave e bondosamente dão acesso à liberdade em ambos os sentidos. A liberdade significa respeito pelos sentimentos dos outros.
Libertar-se das fraquezas mais baixas; de um pensar e atuar
mecanicamente, como também das rotinas mecânicas representa grande liberdade.
Deveríamos estar livres de todos esses hábitos e florescer independentemente,
isso é a verdadeira liberdade.
É por isso que a história tem registrado Sócrates e
Goperdicas que deram a sua vida para manter a sua liberdade. Liberdade
significa os níveis de liberdade individual, psicológico e intelectual. A
liberdade significa florescer de uma maneira que estamos supondo crescer e
utilizar as nossas habilidades e talentos inatos outorgados por Deus.
Queremos ser livres, porque a liberdade é natural, a liberdade auto-existente
não está dependendo de algo ou de alguém, e simplesmente se produz. Isso
ocorre naturalmente por si mesma. Está baseada no entusiasmo, bem como no
conhecimento e na sabedoria. Entusiasmo no sentido que confiamos no que
estamos fazendo e a liberdade vem quando estamos certos de que Deus está do
nosso lado.
Dentro de cada um existe um anseio e uma paixão para encontrar novamente a liberdade interior, a liberdade que conhecemos. Se não tivemos uma amostra disto nesta vida ou uma lembrança de uma vida passada, simplesmente não vamos sentir saudade ou não tentaremos nos reunir com a liberdade.
Um Mestre, um Avatar, representa a liberdade última, de modo que se nos sentimos atraídos pela Sua presença, consciente ou inconscientemente, vemos e sentimos a Sua Divina liberdade. O propósito da nossa vida é encontrar essa liberdade. A liberdade é inerente ao campo unificado. A liberdade vem do conhecimento empírico do si mesmo de alguém, da própria natureza, que é alegre, da testemunha silenciosa, o não-apegado, bem como do espírito imortal. E ter a experiência dessa testemunha silenciosa é simplesmente ser. A liberdade é ser capaz de desfrutar o momento presente.
Em sono profundo, vocês estão livres de seu corpo, livres da mente e intelecto, simplesmente desfrutam de um sono profundo. Até o momento em que se levantam e se sentem renovados, por quê? Esse é o benefício da liberdade. O si mesmo é sempre livre, mas ficamos condicionados posteriormente.
É possível ser livre, quando você tem convicção profunda que a liberdade é o último. Como Baba o expressa, o fim da sabedoria é a liberdade. Se temos uma convicção realmente profunda da liberdade, estamos preparados para morrer por ela. Porque liberdade significa a auto dependência, auto-confiança, auto-sacrifício.
Uma vez que temos saboreado a
liberdade, estaremos prontos para abandonar todas as coisas, para sacrificar
qualquer coisa. Uma vez saboreada a liberdade, não
há nada no mundo todo que valha eu perder a minha liberdade.
Ser um homem livre nem sempre significa que isso seja fazer o que você quer. Um homem livre é aquele que é dono de si mesmo, de seus hábitos e seus pensamentos.
Se não temos raízes profundas na sabedoria e conhecimento espiritual, não seremos capazes de crescer livres. Quando as raízes crescem em diferentes direções, isto é liberdade, elas não vão retas para o solo. A liberdade de pensamento é a raiz que se espalha por todos os lados, a liberdade da vida é a própria árvore.
O pensamento é a raiz, a vida é o foco. A flor aparecerá por si mesma se cuidarmos bem das raízes. Todas as religiões dizem: “Cuide de seus pensamentos, o pensamento é a semente da natureza dos sonhos que hão de seguir. Quando o pensamento é profundo e livre, garante uma vida de liberdade.”
O pensamento que não seja habitual, que seja do presente e não do passado nem do futuro, é um pensamento divino. A maior liberdade consiste em dar-se conta da identificação com o pensamento, e ter a habilidade de ver que não sou o pensamento e deixá-lo ir.
Como fazemos isso? Sendo uma testemunha ou o observador do nosso pensamento.
Por exemplo, estou falando sobre este ponto, estou percebendo que
existem diferentes pensamento, sei que pensamentos
estão vindo em minha mente, sei também que não sou eu, são meus pensamentos.
Uma vez que entenda isto haverá uma brecha maior entre você e os seus
pensamentos.
Quanto maior for a brecha, é a experiência de Samadhi ou supremo estado de felicidade. Esse é o propósito da meditação. A meditação não é outra coisa que a diferenciação entre você e o pensamento.
Se estiverem sendo levados 100% pelos pensamentos ou emoções não faça nada. Tire alguns momentos de descanso, respire profundamente, beba alguma água fria e permita-se, por algum tempo, centrar sua atenção em Swami e os pensamento vão mudar. Os pensamentos não são constantes. Remova você mesmo do pensamento, somente espere. Não aja sobre qualquer pensamento que contenha raiva, agitação ou outras qualidades destrutivas. Postergue qualquer ação a ser feita.
Um
homem cheio de amor tem grande paz mental, não é afetado por condições
adversas e proporciona confiança a si mesmo o qual gera um imenso poder
interno e liberdade.
Baba