SEXTA-FEIRA SANTA E DOMINGO DE PÁSCOA
16 de março de 2008
OM…OM…OM…
Sai Ram
Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,
Queridos Irmãos e Irmãs,
SEXTA-FEIRA SANTA E A PÁSCOA
Os caminhos de Deus são misteriosos. Hoje o que quero falar para vocês é a ocasião desta próxima sexta-feira. Trata-se da Sexta-feira Santa em 21 de março, seguido pelo Domingo de Páscoa, em 23 de março. Portanto, hoje gostaria de fazer algumas observações acerca da Páscoa, sobre o que significa para nós, como devotos de Sai, e sobre o que significa para os não-cristãos. Quando você se identifica com uma determinada religião, você pode ter um tipo de interpretação, e quando você a examina a partir de uma perspectiva diferente, você pode ter ainda uma outra interpretação. Assim, hoje queremos chegar a compreender estas duas perspectivas.
A Sexta-feira Santa é o dia da crucifixão de Jesus, e o Domingo de Páscoa é quando Ele ressuscitou. Estas duas ocasiões têm significado importante para nós, devotos e, como não-cristãos, e gostaria de explicar por quê.
A
PROCLAMAÇÃO DE CRISTO
Meus amigos, gostaria de chamar a sua atenção agora para algumas das declarações feitas por Cristo. O meu primeiro ponto diz respeito à condição de Cristo enquanto estava na cruz e o que Ele disse então. Ele foi pregado na cruz, e estava sangrando, e o que foi que Ele disse naquele momento? Ele disse: "Oh, Pai, por que me abandonaste? Oh, Pai, Vós me esqueceste?" Este é o mesmo Cristo que mais tarde disse: "Eu e o Pai somos um".
Estas foram as duas declarações. Numa pergunta, lamentando-se disse: "Oh, meu
pai, por que me esqueceste, por que me abandonaste?" E o mesmo Cristo mais
tarde declarou, "Eu e o Pai somos um." Como iremos entender isso? Como é que
vamos interpretá-lo?
Meus amigos, quando Cristo disse: "Pai, por que me esqueceste?", Ele está
falando a partir da perspectiva de um devoto. Um devoto sempre reza a Deus
para o ajudar, assim como todos nós rezamos para
Swami. Oramos porque precisamos da intervenção de
Deus. Temos a ajuda de Deus e, portanto, rezamos. Portanto, Cristo deve ter
rezado como uma expressão de devoção, como se espera de qualquer devoto,
quando perguntou: "Oh, Senhor, por que me esqueceste”?
Às vezes, dizemos: "Oh, Baba, o que Lhe aconteceu? Por que não olha para mim?
Oh, Sai, estás de férias? Por que Vós não me respondeis?" Perguntamos a Deus.
Um devoto tem a liberdade de questionar a Deus. Um devoto toma a liberdade de
questionar a Deus. "Por que você fez isso, Swami?"
Mas então foi o mesmo Cristo, que mais tarde disse: "Eu e o Pai somos um." O
que significa essa aparente contradição? Qual é a diferença na perspectiva do
Cristo que lhe motiva a fazer declarações tão diferentes neste Domingo de
Páscoa?
A diferença é que, até domingo, o Cristo foi transformado a partir do estado de ser devoto, um bhakta, para o estado de um jnani, alguém com sabedoria. Um devoto pergunta por que ele toma essa liberdade. A relação entre Deus e seu devoto é como aquela entre mãe e filho, e, por conseguinte, um devoto pode questionar Deus. Perguntas como: "Por que me esqueceste?" E "O que aconteceu contigo?", nascem do amor, proveniente da sua devoção.
Aquele com sabedoria ou Jnana, no entanto,
nunca questiona a vontade de Deus. Quando Cristo, o
Jnani diz: "Eu e meu Deus somos um; Eu e o Pai somos um", ele é um
homem de sabedoria. Ele está realizado, iluminado. Um homem iluminado nunca
vai questionar, porque aprendeu a aceitar a vontade de Deus. Ele diz: "Oh,
Deus, me sinto feliz que Sua vontade tenha sido cumprida, porque não tenho
outra vontade exceto a Sua. Não tenho vontade. Deixe que Sua vontade prevaleça.
Deixe que Sua vontade seja cumprida". Em outras palavras, um
jnani tem o espírito de aceitação, o
que significa que ele não tem preferência, ele não tem nenhuma escolha, ele
não pergunta porque ele aceita a vontade de Deus
num espírito de total rendição. A senda desde a devoção até a entrega é uma
jornada. Trata-se de uma jornada espiritual.
DA
DEVOÇÃO À RENDIÇÃO
Entre Sexta-feira Santa e Domingo de Páscoa, Jesus Cristo fez a jornada espiritual da devoção à rendição. Como um devoto, Ele se sentiu muito mal sobre a sua condição e orou ao Seu Pai para ajudar. Uma vez alcançada a iluminação, no outro extremo do espectro, o ponto da rendição deixou de ser questionado.
Portanto, meus amigos, deixem que este ponto seja claro para todos nós. No Cristo, encontramos dois estados: um, o estado de devoção, e de outro, o estado de realização. No estado de devoção, ele toma a liberdade de questionar; enquanto que, no estado de iluminação, ele é um espírito de total aceitação ou renúncia. Por isso queixar-se e lamentar-se, mesmo feliz, Ele convida e até mesmo recebe de bom grado a vontade de Deus. Permitam-me deixar claro, entretanto, que uma das formas de olhar para Jesus Cristo e a Páscoa é como uma jornada de bhakthi, devoção, até jnana, sabedoria.
INTERPRETAÇÃO DA CRUCIFICAÇÃO
O segundo ponto diz respeito a quando Jesus foi crucificado. Jesus morreu na cruz. O que essa cruz representa? Temos várias interpretações, como dadas por nosso Baba. Dei três palestras sobre Jesus e o Natal no mês de dezembro. Adoro discutir a vida de Cristo. Amo sua missão e mensagem, e encontro muitos paralelos entre o que Swami e Jesus disseram.
Então, qual é a mensagem da crucificação para nós aqui hoje? O que tem de ser
crucificado? O que é que você pode crucificar? O que é que você pode matar? O
que é que vai ser morto? O que é isso que vai morrer?
É o corpo que morre. Só o corpo morre. A crucificação só provoca a morte do corpo físico perecível. O corpo nasce e morre. O corpo tem um início e um fim. A morte de Cristo na cruz é apenas a morte do transitório, do temporal, do efêmero. É apenas o corpo físico que desaparece, que é perdido para nós. A crucificação na Sexta-feira Santa nos ensina que não vamos ter os nossos corpos para sempre, mesmo que queiramos; é algo que não devemos nem sequer desejar. Por quê?
CORPO - NASCE PARA MORRER
Encontramo-nos apegados e muito confortáveis no corpo. Queremos ser imortais. Mesmo que você queira ser imortal e tenha o seu corpo para sempre, é impossível. É impossível manter o corpo indefinidamente. Na China, os órgãos de líderes eminentes são embalsamados e mantidos em caixas para preservá-los para a eternidade. Sei. O que importa se esses corpos são embalsamados, enterrados ou cremados? A vida já os deixou. Já não há nenhuma força vital lá. Não vale a pena tentar preservar esses órgãos porque eles já não abrigam a vida. O que você quer com um corpo sem vida? É inútil! O corpo inevitavelmente morre porque nasceu.
O nascimento do corpo de Cristo foi no Natal e a morte de Seu corpo foi na
Sexta-feira Santa. Assim, o abandono do corpo por
Cristo nos mostra que também vamos deixar os nossos corpos. É inevitável.
Ninguém pode manter o seu corpo para sempre. Embora a morte pareça ser
bastante desanimadora, mesmo ameaçadora, o corpo não é senão a vestimenta da
vida. É certo que desaparecerá assim como apareceu. A ressurreição de Cristo
da cruz, porém, ressuscitando dos mortos no terceiro dia, a Páscoa, que
mensagem isso tem para nós?
A lição para nós, na ressurreição de Cristo dentre os mortos, é a de que a alma é eterna, que a nossa consciência é eterna. O corpo nasce e morre, mas a consciência é eterna, permanente e imortal. Por isso a ressurreição de Cristo dos mortos, ressurgindo a partir da cruz no terceiro dia é ressurreição e que é a mensagem do Domingo de Páscoa. A ressurreição é a eternidade da consciência, a imortalidade da consciência.
Por isso, meus amigos, a vida de Cristo aqui apresenta dois aspectos diferentes da vida - primeiro, que o corpo físico é temporário ou mortal, e segundo lugar, que o corpo causal ou a consciência é eterna ou imortal. Este é o meu segundo ponto com referência ao significado para nós do próximo final de semana da Páscoa.
A
CONSCIÊNCIA É ETERNA
O terceiro ponto concernente à Páscoa é algo que sempre dizemos em nossas orações:
Mrityorma
Amritamgamaya
Asatoma Sadgamaya
Tamasoma Jyothirgamaya
Mrityorma Amritamgamaya
Mruthi
significa 'morte' e Amritha significa "eternidade".
Deus nos leva da morte à eternidade. Deus pode levar-me fisicamente para a
eternidade? Existe registro em qualquer lugar onde um homem foi simplesmente
transportado para a eternidade em seu corpo? Onde está situada essa eternidade?
Eternidade não é qualquer coisa como Aeroporto JFK! Não. Eternidade
está aqui agora. Eternidade está aqui AGORA MESMO. O que quero dizer?
O corpo vai mudando a cada segundo e a cada momento. Embora sejamos muito brincalhões e felizes, também estamos sempre nos movendo mais e mais para perto da morte. Cada aniversário também nos fala da aproximação da nossa morte. Sim! Essa morte está se aproximando rapidamente, mesmo que não tenhamos nos dado conta disso.
A nossa consciência, no entanto, é parte do eterno.
A consciência é imortal porque ela nunca abriga o pensamento da morte. A
consciência nunca abriga o pensamento da morte, porque a consciência está além
do pensamento. A consciência está além da mente, é um estado sem pensamento. A
consciência é a testemunha, e essa testemunha eterna, a consciência,
está aqui agora. Está em cada um de nós. Em cada um de nós existe a
consciência que é eterna, e existe o corpo, que é mundano, transitório e
temporário.
Por isso, a ressurreição de Jesus Cristo fala de eternidade, da imortalidade, daquela consciência que é eterna, pois ela não tem nem começo nem fim.
O
PECADO ELUCIDADO
Para o nosso quarto ponto a ser considerado relativo à Páscoa, gostaria de chamar a atenção para alguma coisa sobre a qual estamos freqüentemente preocupados, e que é o pecado.
Muitas vezes pensamos conosco mesmo: "Estou
cometendo erros. Estou cometendo pecados. Tenho um sentimento de culpa. Deus
vai me perdoar? Vou ser aceito no reino de Deus? Cometo erros e pecados. O que
tenho a fazer? Existe uma saída para isso"?
Alguns de nós sentimos que somos pecadores, eternos pecadores. Essas pessoas pensam: "Sou um pecador. Sou um pecador". Eles se sentem felizes em condenar a si próprios. Se auto denominar pecador é auto-condenação, auto-negação, auto-negatividade, auto-rejeição e auto-abatimento. Estas pessoas perguntam a Deus: "Por quantos dias o Senhor quer que leve esta placa cuja mensagem diz:" Sou um pecador”?
Deixe-me dizer agora ao Sr. Pecador: "Tudo bem, você é um pecador. Você é um pecador. Quer que lhe ajude? Como você está ajudando a si mesmo? "
Então, Ele me responderá: "Rezo. Rezo a Deus".
Então, um pecador reza pedindo perdão a Deus. Eu sei. Então posso cometer outro pecado e, depois, talvez outro, porque o meu pecado no dia 24 deste mês foi perdoado, como foi aquele do dia 25. Então, no dia 26 posso pecar novamente e abrir uma nova conta. É com este tipo de atitude que oro para meus pecados serem perdoados. É orando a partir de uma sensação de culpa que aprendo a mudar meu comportamento.
PECADO E PECADOR
Existe ainda uma outra dimensão ou significado. Permita-me que lhe pergunte: quem lhe disse que você era um pecador? Como sabe que é um pecador?
"Tudo bem", poderia me responder: "Matei alguém. Não sou um pecador? Roubei alguém. Não é esse um pecado suficiente? Sou pecador! Sou culpado; por isso me sinto culpado”.
Não, meu caro amigo, não! Você pode ter cometido um pecado, mas você não é um pecador. Pecado é diferente de ser um pecador. O pecado é cometido por ignorância. O assim chamado pecado que dizem haver cometido tem sido por ignorância. Não se trata de fraqueza. Não é para ser condenado. Não deveria fazer com que se sinta frustrado nem deprimido. Não, não, é por ignorância que você tem cometido esse erro, este pecado. Então, o que deve fazer agora? Isto não exige que carregue a culpa. Não. Entenda que, em vez disso, você deve cultivar a disciplina, a disciplina da auto-indagação.
A
DISCIPLINA DA AUTO-INDAGAÇÃO
Como um pecador, a oração era a sua resposta. Agora você precisa ficar longe desse estado de ignorância. Pode liberar-se do estado de ignorância unicamente por meio da auto-indagação. Nada mais ajuda. Então, o que acontece? Então, o que acontece? Você desenvolverá um espírito, uma espécie de Jnana ou consciência. Esta disciplina cultiva a percepção. Esta percepção se desenvolve através da disciplina e, em seguida, você estará desperto, iluminado e conhecerá a Verdade. Como chegar daqui para lá? Agora você quer mudar seu comportamento? Não é o comportamento que vai ser modificado agora. Não é a oração o que vai ajudá-lo agora. É a meditação.
A
SENDA ATÉ A MEDITAÇÃO
Portanto, uma compreensão do pecado é que a culpa conduz a oração, na expectativa do perdão, e que, mudando o seu comportamento, sua saúde mental melhorará. A outra perspectiva sobre pecados é que são erros, erros nascem da ignorância. Portanto, vocês não estão condenados ou amaldiçoados; não têm de ser taxados como uma vida de pecador. Não!
Seus erros nasceram devido a sua ignorância. Isso é tudo! Uma vez que
esta ignorância lhes deixem, vocês já não são um
pecador. Para a ignorância desaparecer, a oração não ajudará. Para que a
ignorância desapareça, o que se exige é a disciplina da auto-indagação! Auto-indagação!
O que acontecerá então?
A auto-indagação os levará até o estado de meditação. Nesse estado de
meditação irão direto para o estado de consciência eterna, do ser. Quando você
proceder a partir desse nível, a partir desse estado de consciência, nada como
condenação, supressão ou repressão vai existir. Não, não, não! A meditação irá
ajudá-lo a passar para um nível mais elevado de compreensão, para essa
consciência eterna, a existencialidade. A partir
desse nível de percepção, vai melhorar a sua saúde mental. A partir desse
nível de percepção, vocês crescerão espiritualmente. Este é o crescimento
espiritual.
Por isso, meus amigos, quaisquer que sejam os pecados que cometeram, os fazem por pura ignorância e isso pode ser detectado e corrigido pela arte da auto-indagação, que irá levá-lo até a meditação, habilitando-os para operar desde a consciência ou existencialidade. Esse é o crescimento espiritual!
Sou muito especifico ao comunicar esta mensagem, para que isso possa nos fazer viver uma vida de positivismo. Há muitas pessoas que levam uma vida de negatividade! Pessoas em muitos templos e centros de oração andam com cara feia, e observam tudo em silêncio mortal - o silêncio que prevalece num cemitério! Suas expressões são quase sem vida. Por quê? A auto-condenação, o seu próprio sentimento de culpa. Então, o que eles fazem neste estado? Eles condenam a própria vida e esperam a morte.
Você não tem que aguardar a morte. Não! A lei virá por conta própria. Nós não temos de esperar por isso! Não é como esperar por um trem numa plataforma. Não é assim. Não temos que esperar pela morte. A morte vem por conta própria.
A outra abordagem: a do crescimento
espiritual. O que é crescimento espiritual? Trata-se de ter presença regular
no Mandir, tanto pela manhã como à tarde? Trata-se
de cantar bhajans em voz alta e desafinada,
perturbando todo mundo? É falar constantemente da própria experiência, tocando
o próprio trompete repetidamente?
O
CRESCIMENTO ESPIRITUAL
O que é crescimento espiritual? Crescimento espiritual é silêncio. Crescimento espiritual é silêncio. Alguns de meus alunos me dizem: "Senhor, em Kulwant Hall, alguns fazer meditação e não querem que ninguém os toque por engano. Eles não querem que ninguém os perturbe porque estão em um estado de meditação".
Digo-lhes: "Isso é um fato. Qual é o seu problema? Qual é o seu problema"?
Eles me dizem: "Meu problema é que quero falar. Quero incomodar".
Ah! Bom! "O meu problema é empurrar e ser empurrado", empurrar as pessoas ou permitir a si próprio ser empurrado.
Digo aos meus alunos: "Vocês estão errados. Concordo plenamente com aquelas pessoas que não desejam ser perturbados. Tiro o chapéu para aquelas pessoas que passam horas em profunda meditação no Sai Kulwant Hall! Digo-vos, 99% dos devotos que vêm do exterior são assim. Eles não se movem dos seus lugares. Eles não querem que ninguém os perturbe ou os toquem. Querem ficar em profunda meditação. Se perturbam muito se gritamos, e ficam zangados se lhes pedimos para se mover para frente ou para trás. Eles dizem: "Você volte! Não me peça para me mover!” Eles fazem o melhor uso do seu tempo estando em meditação.
Infelizmente, alguns usam este tempo para fofocar, gerar ou espalhar rumores. “Quando Swami vai para Bangalore?" Este é um assunto a ser discutido? O que falam entre si manterá Swami aqui por mais alguns dias?
Algumas pessoas podem fornecer as datas precisas de Sua partida. "Swami estará partindo dia 19!"
"Oh! Oh! Será que Ele lhe disse"?
"Não, senhor."
"Então, como sabe?"
"Rumores!"
Este não é o caminho para o crescimento espiritual.
O
QUE É SILÊNCIO?
O crescimento espiritual requer silêncio. O que é silêncio? O silêncio é um estado de não-mente. O silêncio é um estado sem pensamento (livre de pensamentos). O silêncio é o estado de testemunha. O silêncio é um estado sereno, pacífico, venturoso. O silêncio é um estado de felicidade. Bem-aventurança é um homem que observa o silêncio; mas deve ser um silêncio no sentido correto.
Alguns são silenciosos, mas as suas expressões revelam que não o são realmente. Como? Vocês podem ver que eles continuam pensando interiormente. "Esse homem fez tal coisa. Aquele homem fez isso. Eu fiz isto. Ele fez aquilo. O que haverá para o almoço hoje? O que comemos ontem"?
Isso é silêncio? Não, claro que não. O silêncio real é o resultado final da verdadeira meditação. A verdadeira meditação resulta no silêncio, em silenciar os próprios pensamentos. O silêncio real é aquele que desperta o ser interior, a consciência interna. Esse é o silêncio. Isso leva ao crescimento espiritual. Um homem silencioso cresce espiritualmente, e esse silêncio culmina numa mente meditativa. Como assim?
Vejamos um exemplo simples. Quando estão aqui, são meus amigos, e eu os amo e vocês me amam. Quando vocês não estão aqui, o que acontece? Perco o amor. Perco aquilo que tenho. Sua presença me faz amá-los, porque amo vocês. Enquanto estão aqui, os amo. Quando partem, meu amor parte com vocês. Ele vai embora no seu bolso, como um pacote que recebem e que levam com vocês. Isto não é crescimento espiritual.
O amor é independente dos objetos e dos indivíduos. O amor é independente do tempo, espaço, gênero e nacionalidade. Quando amo aquele que está perto de mim, sinto-me feliz; mas uma vez que vá embora, longe ou com outras pessoas, sou infeliz. Isso não é amor verdadeiro. O amor verdadeiro é independente de objetos, da riqueza material e dos bens físicos. Amor é só amor. Uma pessoa de crescimento espiritual, que conhece o amor total, é sempre venturosa, esteja ou não na sua frente o objeto ou a pessoa. É o estado de amor que continua para sempre e sempre o que representa o crescimento espiritual.
O ESTADO MENTAL
Meus amigos, o nosso estado mental é muito importante. Nossa mente sempre quer alcançar as pessoas. A mente é sempre, como Baba expressa, um macaco maluco, correndo atrás de um desejo, e logo depois outro, objeto após objeto. Isso é o que a mente faz.
Um homem de crescimento espiritual, no entanto, goza de um silêncio que está
acima do domínio da mente, e, por isso, ele não necessita de quaisquer objetos
para fazê-lo feliz, para torná-lo bem-aventurado. Não precisa de qualquer
pessoa para ser venturoso. Esse é o crescimento espiritual. O crescimento é um
estado da mente. E qual é esse estado da mente? É um estado de testemunha.
Sou testemunha da minha mão pegado um relógio e vejo também que minha mão o coloca em cima da mesa. Sou testemunha de como minha mão está agindo. Sou testemunha como minhas pernas estão se movendo. Vejo isto. Vejo como experimento meus sentidos. Vejo a forma como os membros do meu corpo estão trabalhando. O que tenho feito? Tenho apanhado o relógio com as minhas mãos. Derrubei o relógio com as minhas mãos.
Assim como vejo o que está acontecendo fisicamente, deveria também ver (ser
testemunha) o funcionamento de meus sentidos e minha mente. Deveria ser capaz
de ver o trabalho da minha mente, tal como vejo o trabalho da minha mão, o
trabalho da minha perna, ou o trabalho da fisiologia dos meus olhos. Deveria
ser capaz de ver minha mente! O que queremos dizer com ver a mente? É marrom
ou preta, pálida ou amarela? O que queremos dizer com vendo a mente?
Ver a mente quer dizer assistir a nossos pensamentos, observar o fluxo de pensamentos. Os pensamentos fluem rapidamente. Observe seus pensamentos. Que pensamentos surgem em sua mente? E então o que acontece? Sua mente não é diferente de sua mão. É o mesmo que a sua perna. Sua mente não é diferente de seu olho. Todos são instrumentos.
Testemunhar isto tudo é verdadeira
meditação. Esta é verdadeira meditação. Antes, eu pensava que era minha mente,
porque sempre funcionava a nível da mente. Achava
que era minha mente. Identificava-me com a minha mente.
Mas agora me des-identifico da minha mente
e a considero como qualquer outra parte do meu corpo. Quando a mente é vista e
conhecida apenas como um instrumento, o crescimento espiritual ocorre. Quando
nos identificamos com a nossa mente, o mínimo inconveniente irá nos perturbar;
o menor problema vai nos preocupar, o mais simples, o mais ínfimo
reconhecimento nos emocionará.
Por isso, compreenda que você não é a mente! Você não é a mente! Quanto maior a distância que criamos entre a mente e a consciência, testemunha eterna, mais expandimos a testemunha. Quanto maior for a distância que estabelecemos entre a mente e a consciência, maior é o nosso crescimento espiritual. Isso é a verdadeira meditação.
Então, quais são os sinais que estamos conseguindo isso?
A
AUSÊNCIA DE PENSAMENTO É MEDITAÇÃO
A verdadeira meditação é a ausência de pensamentos (estar livre de pensamentos). Deixe-me ser muito claro sobre isso porque há pessoas que dizem: "Ouço vozes na meditação. Vejo cores na meditação. Vejo alguém aparecer na minha frente".
Não negamos de modo algum nada disso. Quem sou eu para negar a sua experiência? Não tenho autoridade para dizer "não" à sua experiência. Mas posso dizer que todos nós estamos numa viagem, basta seguir em frente. As cores podem aparecer; as pessoas poderão aparecer; as experiências podem ocorrer. Mas aos poucos nada aparece - nem a sua divindade, nem o seu guru. Nem cores. Nada! Você permanece como águas calmas e tranqüilas. Isto é a culminação da meditação. Todas as outras experiências individuais das que diferentes pessoas falam são estados distintos no processo de meditação.
Suponha que, no seu caminho para o seu destino, existam diferentes paradas ao longo do caminho. Você pode parar em Frankfurt ou Amsterdam, e depois pegar o próximo vôo. Estas são as estações intermediárias no caminho para o seu destino final. Na meditação, o destino final é quando você achar que é apenas o testemunho de suas idéias, o testemunho de sua mente e não a própria mente. Isso é meditação.
Cores aparecendo indicam uma experiência etérea. Pessoas aparecendo numa meditação indicam uma experiência mental. Quando fico doente, tenho uma experiência que é física. O plano físico, plano causal, plano astral e plano etéreo são planos diferentes de percepção pelos quais se passa no transcurso da meditação. O homem, no plano físico, em meditação pode ter uma experiência, enquanto alguém no nível etéreo tem uma experiência diferente. À medida que passamos por esses estados diferentes de ser até o plano astral, e ainda em planos mais elevados (dependendo dos diferentes níveis da nossa percepção, da nossa consciência), estamos no caminho em direção a nos tornar a testemunha, no plano da consciência eterna.
Então, vem este último estado, onde você não existe, onde você não existe mais. Então, como Baba diz: "Eu sou eu. Aham Aham. Não digo: Aham Brahmasmi. Eu sou Deus. Eu não digo isso. Digo Aham Aham. Eu sou eu. Este é o último estado na meditação, que significa crescimento espiritual".
Meus amigos, temos de compreender claramente o que
é o crescimento espiritual. Uma vez que compreendamos claramente, nosso
esforço, nosso desejo de saber, nossa profunda compreensão fará com que Deus
nos ajude ao longo do processo. Se não marco um começo e só continuo lendo, o
meu acúmulo de conhecimento não me conduz a lugar nenhum.
Não conduz a nada.
Um exemplo simples: O que se tudo que leio é apenas
informação? O que se todos os livros que consumo são
simplesmente informações? Onde está armazenada esta informação ou conhecimento?
Está armazenada no computador que é a minha mente. Minha mente é um
computador armazém, um computador biblioteca.
Isso não me ajudará porque não sou a mente. Estou além da mente. De modo que a mente com este repositório de conhecimentos e livros não me ajudará. Então o que deveria fazer? Deveria observar meu conhecimento. Quando começo a observar meu conhecimento, quando começo a me sentir uma testemunha de todas as informações que tenho, pode ser dito que estou crescendo espiritualmente. Esse é o crescimento espiritual. Não significa que devemos parar de ler nossos livros e jogá-los fora. Não!
Meus amigos, o que acontece agora depois de ler um livro ou escutar uma
conversa? O que acontece é que vocês não permanecem como um leitor, um ouvinte
ou um ego. Quando vocês lêem e falam, vocês não são
um ego. O fluxo de conhecimentos do estado de sem
ego ao estado sem ego é uniforme, contínuo e livremente transparente.
Este fluxo é uma luz translúcida, uma bela luz.
Se o fluxo de conhecimento vai de um estado de ego para um estado de ego, o ouvinte é preenchido apenas com ego. Portanto, se o fluxo de conhecimento é de ego para ego, o orador tenta impressionar-me com o quanto ele sabe, enquanto o ouvinte continuará comparando com o que ele ouviu falar no passado, com o que tem aprendido no passado, com o que está ouvindo agora. Isso é bom ou mau? É melhor ou pior? Qual é o correto? O ouvinte baseado no ego vive no passado e o orador baseado no ego está sempre cuidando da sua forma, verbosidade, conhecimento, sabedoria, habilidades e articulação de sua comunicação. Essa leitura e escuta não é espiritual. É apenas uma sala de aula. Tal como um professor ensina na sala de aula, o aluno o escuta desatentamente (se ele não adormecer)!
Mas, no satsang, que deverá acontecer?
Ambos deveríamos estar num estado de não-ego. Quando estou num lugar de não-ego,
não sou uma entidade. Quando você está também num estado de não-ego, você é
também uma não-entidade. O ar aqui e o ar ali se juntam e tudo é uniforme,
completo e total. Mas quando alguma coisa corre mal, entra o ego, e não pode
haver um fluxo livre de conhecimentos.
ESCUTAR VERSUS OUVIR
O crescimento espiritual envolve um bom escutar. Boa audição. O que queremos dizer com escutar? Estamos acostumados a ouvir e não escutar. Ouvir e escutar são diferentes. Vocês me ouvem? Sim. Meu som. Vocês me escutam? Vocês já aceitaram o que digo? Vocês vão contradizer o que digo? Vocês acham que estou certo? Acham que é possível praticar o escutar?
O escutar é sério. Enquanto ouvem, podem dar-se ao luxo de esquecer. O escutar
bem, no entanto, requer uma atenção. Concentrada e total. Quando
Swami fala, nós escutamos. Quando os outros falam,
nós ouvimos. Abrimos ambos os canais auditivos e eles são gratos. O som entra
e sai: entrada - saída. Todas as informações entram por aqui e saem por
lá.
Você pode continuar falando, e eu posso continuar olhando-os, mas se você
perguntar o que está me falando, vou dizer: "Você está falando. Sim, você está
falando. Não estou negando-o." Mas, não estou escutando neste caso. Isto é
ouvir. O crescimento espiritual requer escutar e não simplesmente ouvir.
Ao escutar pode haver alguma falsidade - falsificação ou mentira espreitando.
Se ouvir simplesmente, pode não ouvir adequadamente. Se o orador diz: “lá”,
você pode ouvi-lo como “onde”. Lá, onde......
pode haver espaço para alguma falsidade aqui.
Ao escutar, você deve compreender perfeitamente. Você não pode dizer que
poderia ser eventualmente isto, ou que poderia ter sido aquilo. Não. É exato.
Escutar é exato. O ouvir tem uma chance de ser inexato. Ao escutar, você ouve
tudo.
Algumas pessoas podem falar de política. Outros poderão falar sobre quem está
hoje a cargo da varanda ou do portão de segurança. As pessoas podem continuar
dizendo qualquer coisa que se passa nas suas mentes. Mas ouça seletivamente;
seja seletivo sobre o que você ouve. Você deve ser seletivo sobre o que você
ouve. Enquanto ouve, deixe as palavras apenas fluírem como água através dos
tubos.
O crescimento espiritual está em escutar. Ao escutar, não questione o que é ouvido e não pense em como contradizer o que ouvimos. O passado não virá em cena enquanto ouvimos. Quando Swami está falando, não penso no passado. Não penso no último Sivarathri e o que Baba disse então. Este ano, Ele está falando sobre este Sivarathri. Por que devo me preocupar pensando sobre o último Sivarathri? Viva no presente. Vivam no momento. O escutar se dá no momento. Escutar é presente. Ouvir é surdez do passado, presente e futuro. Por isso, o crescimento espiritual exige o escutar.
O
CRESCIMENTO ESPIRITUAL EXIGE ESTUDO
O crescimento espiritual também envolve estudo. Estudar não é ler, uma vez que ler é diferente de estudar. Li os jornais, mas estudo as escrituras. Ler um documento é diferente de estudar as escrituras. O estudo, no seu sentido, tem que ser constante. São constantes quando estudam, mas quando lêem, vocês estão prontos e lêem. Aqui, você está estável e estuda, embora lá, você esteja pronto e leia qualquer disparate que vem em seu caminho.
Alguém me deu uma carta ontem e me perguntou se conseguiria arranjar uma
entrevista com Swami? (Risos) Ele passou a
elogiar-me, dizendo "você é isso e aquilo”, e então me pediu o favor de
arranjar uma entrevista com Swami. Há duas
falsidades aqui: Eu não sou tão grande quanto ele descreve, e acredito também
que é impossível para qualquer pessoa "arranjar" uma entrevista com
Swami.
Então, eu disse: "Li sua carta. Por favor, rasgue essa carta! Nunca escreva tais cartas! E, por favor, entenda que ninguém pode arranjar uma entrevista. Qualquer um que disser que pode fazê-lo está realizando uma falsa alegação! Uma entrevista só vem através do contacto direto entre você e Bhagavan”.
Então, o crescimento espiritual envolve estudo das Escrituras, e não mera
leitura das Escrituras.
Meus amigos, ao pensar na Sexta-feira Santa e na Páscoa, quero compartilhar essas informações com vocês: a vida de Cristo tem demonstrado diferentes níveis de consciência de todos os três diferentes níveis de consciência. Cristo tinha um corpo físico. O Cristo se identificava com sua mente, como um indivíduo ao orar: "Oh, Deus, ajude-me!" Finalmente, o Cristo alcançou um nível mais elevado quando declarou: "Oh, Deus, o Senhor e eu somos um", num espírito de total entrega e aceitação. Esse estado é o estado não-dual.
Portanto, a vida de Cristo representa uma viagem desde o estado de dualidade para o estado de não-dualidade. Estes fatos não são contraditórios, mas mais do que isso, são complementares. União é não-dualismo; divisão é dualismo. Não nos deixe dividir ou bifurcar. Deixe-nos compreender a totalidade, a unidade que há por trás disto.
Além disso, também partilhei com vocês o pensamento que a jornada de Cristo a partir da cruz na Sexta-feira Santa até a ressurreição dentre os mortos no domingo de Páscoa nos demonstra as distinções entre o que morre e o que é eterno.
As lições da vida do Cristo são universais e não estão limitadas a qualquer seita ou quaisquer seguidores de qualquer religião em particular. A Verdade desses ensinamentos é universal. Uma vez que haja perdido a identificação com o corpo, então você passa a ser ninguém. Você é alguém enquanto sua percepção se identifica com o corpo. Você é ninguém uma vez que o corpo tenha partido e tenha perdido o nome e a forma; de modo que são todos. Para ser todos é nós-ismo, a consciência cósmica universal. Ser alguém, o corpo tem um nome e uma forma; esta é consciência individual, eu-ismo. Assim, a jornada espiritual deve ser a partir do eu-ismo para o nós-ismo.
Também deixo claro, meus amigos, para sentir "Eu sou a consciência” é
igualmente limitado. Este eu-ismo, a consciência
individual, é uma com a consciência universal. É o mesmo que a consciência
universal. Esta consciência individual está contida dentro do corpo; essa é a
razão pela qual reivindico ser "eu". Uma vez que o nome e a forma tenham
desaparecido, não há identidade. Todo mundo é universal!
Por isso, a Páscoa representa o "segundo nascimento" de Cristo, a ressurreição.
Ele nasceu no Natal e novamente na Páscoa, quando Ele ressuscitou dos mortos.
Este foi o Seu segundo nascimento.
Este deve ser o segundo nascimento de todos nós. Devemos todos nascer de novo.
Quando nascemos, a data do nascimento é conhecida. Mas, o segundo nascimento
ocorre no dia da iluminação, este dia da percepção, este dia do crescimento
espiritual, este dia quando experimentamos a consciência universal, este dia
quando o corpo está crucificado, este dia quando surge a consciência
universal. Esse dia é Páscoa.
Que Deus os abençoe sempre!
Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Om Shanti Shanti Shanti