3 de fevereiro de 2008
“Conhecimento de Si Mesmo”
OM…OM…OM…
Sai Ram
Com Pranams aos Pés de Lótus de nosso Bem Amado Bhagavan,
Todas as coisas estão destinadas a um objetivo. Assim como dizemos que todos os caminhos levam a Roma, todas as sendas espirituais conduzem a uma só meta. Qual é a meta? É o conhecimento de Si Mesmo, ou podem chamá-la de Percepção Consciente, ou podem dizer: "Experiência de Si Mesmo". A experiência ou o conhecimento do Si Mesmo é a meta de todas as sendas espirituais.
Como disse Bhagavan Baba, o que quer que Ele
faça, o que quer que Ele nos faça fazer, é tudo
dirigido a esse objetivo de fazer com que todos nós experimentemos o Si Mesmo
- ou seja, adquirir o conhecimento de Si Mesmo. Todas as outras coisas são
secundárias, sendo o principal objetivo a consciência de Si Mesmo. Os caminhos
podem ser diferentes; podem diferir os procedimentos, línguas e religiões, mas
o centro é um e o mesmo: esse é o Si Mesmo ou a consciência.
A
FONTE DO CONHECIMENTO SECULAR E DO AUTOCONHECIMENTO
Este conhecimento do Si Mesmo é o que é chamado Jnana. Jnana ou o conhecimento do Si Mesmo é diferente do conhecimento secular. O conhecimento relativo ao mundo é conhecimento secular ou informação. São todos os dados ou matérias temáticas sobre os cinco elementos que reunimos através dos cinco sentidos. O mundo inteiro é completamente feito dos cinco elementos. Estes cinco elementos são observados pelos cinco sentidos e essa informação é recolhida sob a forma de conhecimento mundano ou conhecimento secular. O conhecimento espiritual é diferente disto. Está além dos cinco elementos e além da percepção dos cinco sentidos. Isso significa que a fonte dos cinco sentidos, bem como a fonte dos cinco elementos, é uma e a mesma.
A
DIFERENÇA BÁSICA ENTRE CONHECIMENTO SECULAR E DE SI MESMO
Aqui está um exemplo simples: quero aprender física, química, medicina ou biologia - algo diferente do que tenho aprendido até agora. Por isso, tenho livros e professores, e também tenho um laboratório para fazer observações. Tenho olhos para ver o que estou fazendo, e ouvidos para ouvir aquilo que me ensinam. Portanto, os cinco sentidos me ajudar a desenvolver conhecimentos mundanos ou conhecimento secular; mas o conhecimento de Si Mesmo é a própria fonte dos cinco sentidos.
O que quero dizer com isso? Posso ouvir, posso ver, falar, tocar ou cheirar,
mas o “eu” é o mesmo. Não é como se houvesse uma pessoa em mim que visse,
uma outra pessoa em mim que ouvisse e outra que
tocasse. Não, estou fazendo uso desses cinco sentidos para experimentar este
mundo objetivo.
Este "eu" é comum. E esse conhecimento ou percepção deste presente comum “eu”
é o que se chama Si Mesmo, espírito ou consciência. Este conhecimento do Si
Mesmo é o que se chama Jnana. Normalmente
as pessoas pensam que o conhecimento secular é Jnana.
Não, os textos escriturais têm dito claramente que conhecimento mundano é
diferente de conhecimento espiritual. Há o Paravidya
versus o Aparavidya:
Aparavidya é
conhecimento secular ou conhecimento mundano, enquanto que
Paravidya é Param
significando supremo. É o conhecimento do Si Mesmo.
CONHECIMENTO SECULAR É DUAL, ENQUANTO QUE
CONHECIMENTO DO SI MESMO É NÃO-DUAL
Outra diferença é esta: no contexto dos conhecimentos mundanos, o som é ouvido, uma cena é vista, um objeto é tocado, uma flor é cheirada. Portanto, aqui há duas entidades: aquele que vê e aquele que é visto, aquele que ouve e o som. Mas, no conhecimento espiritual, Paravidya, o que vê é o visto, o observador é o observado. Isso é tudo. Portanto, não existem dois, mas um - o observador e o observado, o ouvinte e o som, o experimentador e o experimentado são todos uma entidade não-dual. Por isso, meus amigos, conhecimento mundano ou secular é dual, enquanto o conhecimento de Si Mesmo ou Paravidya é não-dual.
ABORDAGEM EXTERNA VERSUS ABORDAGEM INTERNA
Aqui está um outro aspecto: conhecimento mundano é adquirido ou aprendido de um guru ou um professor que lhe ensina. Você vai para uma escola, freqüenta uma universidade, ou vai a um laboratório para fazer alguns experimentos. Essas são as coisas que você adquire a partir de diferentes fontes para obter conhecimentos mundanos.
O conhecimento do Si Mesmo, por outro lado, não é ensinado ou cedido. É algo
que já está dentro de você. Não pode ser adquirido como um título de mestrado
em física ou um doutorado em química é adquirido. O conhecimento do Si Mesmo
não é adquirido porque vocês já o adquiriram ou estão de posse do mesmo. O
conhecimento do Si Mesmo já está lá. Não é adquirido nem aprendido num
laboratório por meio da observação. Simplesmente realizo que existe o Si Mesmo.
Isso é tudo. Há o Si Mesmo dentro de mim; essa percepção é o conhecimento do
Si Mesmo. Não é para ser aprendido. Não existe um curso de cinco ou seis anos,
nem grau de PhD ou doutorado, nem universidade - nem Harvard nem Oxford. Há
apenas percepção do Si Mesmo.
Finalmente, todo o conhecimento mundano é obtido pelo nosso enfoque externo:
não posso ver uma bureta ou uma pipeta no
laboratório se não abrir os olhos. Não posso queimar o bico de
Bunsen ou pesar um composto numa balança ou ver
através de um microscópio se não abrir os olhos. Não posso ouvir sons se não
prestar qualquer atenção. Por isso, os sentidos colhem informação externa.
Esse conhecimento é secular.
Uma vez que se bloqueia a tendência orientada para o externo, uma vez que a
porta está fechada - significando que olhos e ouvidos estão fechados, de forma
que não vejo nada ou ouço qualquer som - quando as portas dos cinco sentidos
estão fechadas, o que acontece? A cortina interior é levantada. A menos que as
portas dos sentidos exteriores estejam fechadas, a cortina interior não é
levantada. O que é essa cortina interior? É a cortina do “eu-ismo”,
do ego, do apego. Uma vez que os cinco sentidos estejam fechados, a cortina
interior é levantada e se é capaz de conhecer ou visualizar o Si Mesmo, que é
o verdadeiro "eu".
AS DUAS FORMAS DE “EU”
Portanto, há duas formas deste “eu” - o “eu” externo e o “eu” interno. O “eu” externo é o que você vê: personalidade, sucesso, realização, grandeza. Isto é, todas as informações biográficas. Estes são todos o “eu” externo. Mas o “eu” interior está além de tudo isso. O “eu” interno está sempre na unidade, enquanto o “eu” externo vai mudando de tempos em tempos.
Por exemplo, me formei; agora, sou um pós-graduado. No futuro, quero ter um
doutorado. De modo que há uma gradação no mundo exterior, no âmbito exterior
ou horizonte externo, no domínio do conhecimento secular. Mas, no campo do
conhecimento de Si Mesmo, o Si Mesmo interno, o “eu” interno ou verdadeiro
“eu” é sempre o mesmo.
O “eu” externo continua mudando: eu era um menino, mais tarde um jovem e, em
seguida, um homem idoso. Mas o “eu” verdadeiro, real, é o “eu” interno que é
imutável. A percepção do “eu” interno - que é imutável, eterna, cheia de
néctar, imortal, sem um princípio ou um fim, e que é a fonte de todos os cinco
sentidos, bem como os cinco elementos - é o verdadeiro “eu” ou Si Mesmo. Tudo
que está relacionado com o conhecimento do Si Mesmo ou autoconsciência é o que
chamamos Paravidya.
A
DOR É GANHO NA VIDA ESPIRITUAL
Meus amigos, o meu sincero apelo a todos nós incluindo a mim mesmo é este: não nos deixe esquecer o principal objetivo da espiritualidade. Afinal de contas, viemos a Bhagavan devido a muitos problemas. Família, negócios, ou problemas de saúde nos trazem até Ele. De certa forma, estamos muito gratos por nossos problemas. Se não houvesse problemas, ficaríamos em nossos lugares de origem, desfrutando do mundo para nada. Mas os nossos problemas nos trouxeram até aqui. De modo que Deus nos enviou um convite, sob a forma de um problema, a fim de nos trazer aqui. Por isso, os nossos problemas são Divinos, porque eles nos mostraram o caminho espiritual. Então, como posso dizer que o meu problema é doloroso? Tenho ganho graças ao meu problema. A dor é ganho!
A
JORNADA ESPIRITUAL É CONTÍNUA
Agora, tendo chegado aqui, não devemos multiplicar os nossos problemas. Não deveríamos aumentar, amplificar, ou ampliar os nossos problemas, pois eles nos trouxeram aqui. Por que criar um outro problema novamente? Temos atravessado o portão principal, e estamos no recinto central; não precisamos atravessar o portão principal novamente. Do mesmo modo, depois de ter estado com Swami, deixe-nos conhecer o propósito da vida. Esse é o conhecimento do Si Mesmo, ou consciência do Si Mesmo. (Infelizmente, muitos de nós querem permanecer miseravelmente apenas junto ao portão principal.)
É por isso que Baba diz: "Quanto tempo você passará para aprender o alfabeto?
Até a aposentadoria ou o quê"? Quando os nossos pais nos levaram para uma
escola, depois de algum tempo eles esperam que completemos os estudos
secundários, e então ficamos esperando ir para uma universidade. Não podemos
permanecer no jardim de infância, cantando cantigas de roda toda
a nossa vida, podemos? Não. Se assim fizéssemos,
isso significava apenas que o nosso crescimento tinha parado nesse nível.
A jornada espiritual é contínua. Posso parar meus estudos no nível de
pós-graduação, ou posso deixar de ganhar um salário após a aposentadoria.
Posso parar de trabalhar quando cair doente ou quando o corpo deixar de
colaborar, o que acontece naturalmente com a idade, quando diminui o nível de
energia. Mas se enfrentar seu nível de energia e quiser continuar trabalhando,
há muitos hospitais a disposição! Temos de planejar a nossa programação em
função da nossa idade: o que posso fazer com esses recursos? O que posso
assumir? Se esquecemos os limites dos nossos recursos - a idade e o estado do
corpo, e lutarmos contra isso - se não compreendemos
a condição do corpo, este terá que ir a um médico.
Por isso, alguma moderação ou regulação é esperada numa determinada fase ou
noutra. O que quero dizer é o seguinte: o conhecimento mundano tem certos
limites em algum ponto do tempo, enquanto que o conhecimento do Si Mesmo é
infinito. É infinito, um continuum, um trajeto eterno, uma peregrinação
contínua. Essa é a diferença entre o conhecimento do Si Mesmo e o conhecimento
mundano.
CONVERSAÇÕES DOMINGUEIRAS PARA QUE NOS LEMBREMOS
Meus amigos, nossa tentativa, nestas conversações de domingo, é nos lembrarmos do que já sabemos. Não há nada de novo. Ouvimos de Bhagavan, repassamos a Sua literatura, e essas conversações nos ajudará a lembrar de novo e de novo. É dito que a vaca regurgita o que já comeu e o mastiga novamente. A forma ou estilo da vaca comer é chamado ruminação. Isso significa trazer de volta o que já foi consumido.
Então, o que fazemos é ouvir, o que é chamado de
Sravana. Tendo ouvido, recapitulamos, memorizamos, discutimos,
deliberamos ou pensamos a respeito de novo e de novo. Isto é conhecido como
Manana. De modo que
Sravana é escutar, Manana
é recapitulação ou trazer de volta à memória.
É isso o que estamos fazendo aqui.
AUTOCONHECIMENTO: BENEFÍCIO IMEDIATO
Então, qual é o benefício imediato, o efeito imediato desse conhecimento do Si Mesmo ou consciência de Si Mesmo? Esta manhã estava assistindo à televisão. Algum Swami estava dizendo que se você fizer isto e aquilo, você obterá os resultados em uma semana. Bom! Há alguém mais que vai nos dizer que podemos obter o mesmo resultado em três dias! Queremos tudo instantaneamente, imediatamente - não podemos esperar, você sabe! Por isso, meus amigos, qual é o benefício imediato do conhecimento do Si Mesmo ou Atmajnana? É isto: rejeitamos uma qualidade muito dolorosa dentro de nós; essa qualidade dolorosa desaparecerá! Esse é o benefício imediato de Jnana.
Aqui está um exemplo simples: uma vez que a pressão arterial está controlada,
o resto do problema pode ser controlado automaticamente. Do mesmo modo, uma
qualidade deve ser controlada ou ser totalmente descartada para a elevação
espiritual ou avanço espiritual. Isso é possível com a aquisição do
conhecimento do Si Mesmo.
O que é que desaparecerá imediatamente? Do mesmo modo que os médicos nos dizem,
quando comemos uma dieta livre de sal ou pimenta, ‘a sua pressão arterial
baixará’, similarmente com o conhecimento do Si Mesmo, uma fundamental
qualidade dolorosa se irá, tornando a nossa vida celestial. Qual é essa
qualidade? Raga, que é apego, e
Dwesha, que é o ódio. Ambas se retirarão.
SEM
APEGO, SEM ÓDIO
Um homem de Jnana, um homem de consciência ou de conhecimento do Si Mesmo não terá qualquer Raga e Dwesha. Digamos que existe uma pessoa em Londres, que tem tanto conhecimento do Si Mesmo, mas está cheio de Raga e Dwesha. Eu diria que não é conhecimento, é apenas informação livresca.
Suponha que lhe diga: "Senhor, tenho lido dia e noite nos últimos dois meses, mas fracasso enormemente no exame".
Então, você poderia dizer-me: "Você deve ter lido alguma outra coisa, e não os
livros didáticos! Ou você deve ter entrado em samadhi,
ou dormiu enquanto lia, ou você deve ser um bobo de categoria internacional.
Caso contrário, como você pode fracassar após passar um par de horas lendo
todos os dias"?
Similarmente, o sinal de um homem de conhecimento de Si Mesmo é este: sem
Raga (apego), sem
Dwesha (o ódio). Esse é o sinal. Como é que sabemos? Quando
o ímã atrai, sabemos que é ferro. Como podemos dizer se um ornamento é de ouro
puro? Vá para o ourives; ele vai colocá-la sobre uma pedra de toque. Como
vocês sabem se tem febre? Você coloca o termômetro na sua boca, e este
registrará a temperatura. Então, como podemos dizer que ele é um
Jnani, um homem de conhecimento? Ele
não deve ter Raga nem
Dwesha.
Se ele tiver esses dois, precisa de mais alguma medicação; requer de mais
algumas sadhana, mais introspecção, mais
auto-avaliação e auto-qualificação. Ele ainda terá
um longo caminho a percorrer. Se já vi o mapa e sei onde se encontra
Washington DC, isso não significa que já estive lá. Do mesmo modo, o
conhecimento do Si Mesmo não é informação, o conhecimento do Si Mesmo é
percepção consciente, a experiência da consciência.
CONHECIMENTO DE SI MESMO: INEXPLICÁVEL
Aqui está a segunda qualidade básica de um Jnani. Posso explicar o que sei sobre botânica. Tendo um titulo de pós-graduado com um longo período de experiência como professor, posso explicar facilmente. Todas as coisas que aprendemos e adquirimos no mundo sob a forma de conhecimento secular pode ser explicado vividamente, graficamente, mas o conhecimento do Si Mesmo não pode ser explicado. Então, como você explica? Explico dizendo que não pode ser explicado. A única explicação é que ele não pode ser explicado, isto é tudo.
Exemplo simples: quando a água e o açúcar são separados, posso saborear a água
que é incolor e insípida. Quando se adiciona açúcar à água, você pode saborear
a doçura; mas sob que medida poderia decidir sobre a doçura do açúcar na água?
É impossível. Isso é Atmajnana, o
conhecimento do Si Mesmo. Por isso, meus amigos, só
podemos explicar este Atmajnana como
inexplicável ou não pode ser explicado.
O conhecimento mundano pode ser experimentado e explicado. Todas as coisas
externas podem ser experimentadas e explicadas. Mas a experiência íntima do Si
Mesmo só pode ser vivenciada, não pode ser explicada, porque não há
experimentador separado da experiência. O experimentador é a experiência, o
que vê é o visto; o observador é o observado; é
algo não-dual. Por isso, o mundo não-dual não pode ser trazido para dentro das
limitações estreitas, o estreito marco do tempo, do espaço e dos sentidos.
Tentar fazer isso seria um inútil desperdício de tempo.
NÃO
SE RESTRINJAM AO NÍVEL DE BERÇÁRIO NA VIDA ESPIRITUAL
Por isso, meus amigos, a principal missão de Bhagavan é essa evolução. Mas, ainda assim queremos continuar no nível da escola primária ou nível de berçário. Talvez Ele pudesse estar insatisfeito conosco e parasse de fazer discursos ou também parasse de falar conosco. Por quê? Porque somos companheiros inúteis, queremos apenas coisas mundanas. Então, ele diz: "Muito bem, por favor, divirtam-se". É como se seu filho quisesse brincar com brinquedos mesmo estando na universidade, e você finalmente diz: "Está bem, jogue".
Por isso, meus amigos, devemos evoluir de etapas em
etapas. Devemos evoluir e crescer de plano a plano.
Bhagavan uma vez apontou para mim e perguntou: "Quanto tempo você
gostaria de estar no nível de berçário? Por quanto tempo você quer aprender a
cantar canções infantis?” Por quanto tempo? Não deveria permitir-se crescer?
Sim, é verdade que queremos ouvir falar dos milagres e experiências de Baba,
mas por quanto tempo? Por quanto tempo? Baba disse num de seus discursos:
"Para saber que a água do mar é salgada ou salina, você não tem que beber o
mar todo. Uma colher cheia é o suficiente"! Uma colher de água do mar é
suficiente para saber que é salgada. Você não tem que beber uma grande
quantidade!
Do mesmo modo, para saber que Bhagavan é
onisciente, de quantas milhares de vezes devemos
experimentar milagres? Para saber que Bhagavan
sabe tudo, de quantos milhares de milagres precisamos? Isto só significa que
precisamos de confirmação, reconfirmação,
afirmação, reafirmação, negação e aceitação. Enquanto isso, o capítulo da
nossa vida chega a um fim.
Aceitamos Deus, de manhã, O negamos à tarde e, em seguida, temos alguns sonhos
à noite. Pela manhã, vem mais uma vez a consciência; à noite, se vai. Então,
rezamos por mais um outro sonho essa noite! A vida
não é um país de sonhos, nem um parque de diversões. Não, se trata de
realidade. A realidade é você, isso é tudo. Se você sonha ou não, você
está aqui. Você dorme, você sonha; mas o verdadeiro
você é contínuo em todos os estados de consciência ou de percepção.
Esse é o conhecimento de Si Mesmo ou Atmajnana.
CONHECIMENTO DE SI MESMO: NENHUM SENTIMENTO DE MEU E TEU
Por isso, meus amigos, a qualidade fundamental de uma pessoa realizada é que ela está além de Raga e Dwesha, apego e ódio. Para colocá-lo em outras palavras, ele não tem nenhum sentimento de "meu" e "teu". Aquele que afirma: "Meu povo, meu país... o teu povo, o teu país", tem que se apresentar para um outro exame na nomenclatura espiritual! Ele tem de melhorar a si próprio.
Não há nada como "meu" e "teu". Quando sentem essa unicidade, quando sabem que
todos são um, quando entendem a unidade básica, não podem permanecer em frente
ao mar e dizer: "Esta é a minha água, essa é a tua água". Não podem dividir a
água; não podem dividir o ar ou o fogo. Não podem dizer: "Este é o meu fogo,
esse é o teu fogo". Os dois fogos queimarão ambos até as cinzas! (Risos)
Por isso, eles não podem ser divididos.
A
GRANDEZA DO AVATAR: SENTIR-SE PERTO DE CADA UM
Portanto, este tipo de divisão ou dualidade refere-se ao mundo; mas a unidade é uma característica básica de um homem religioso ou um homem espiritual. Ele considera todos próximos dele.
Freqüentemente nos perguntamos por que Bhagavan se
sente em casa com todos. Ele é desta parte do país (Sul da Índia), de uma
aldeia remota em Andhra
Pradesh; mas, mesmo assim, Ele sente que está com todos. Deixem que
sejam da Bélgica ou do Brasil, Ele é muito amigável. Eles se sentem em casa.
Ele brinca com eles, e imediatamente Ele se torna um membro de sua família.
Ele é tão afetuoso, tão próximo de todos. Você pode ser da Malásia ou
Indonésia, Cingapura ou de qualquer outro país. Ele se torna um membro da sua
família imediatamente.
Aqueles que têm experimentado Suas entrevistas certamente concordarão comigo. Quando tiver sorte suficiente para lhe ser dado uma entrevista, a forma como Swami fala com você lhe dá a impressão de que o Avatar veio só para você. É como se o Avatar não pudesse ficar sem vocês. (Risos) E você começa a sentir como se se conhecessem por eras e eras. Essa é a grandeza do Avatar! Ele faz você se sentir à vontade; então Ele pode se comunicar livremente uma vez que você e Ele são um. Esta é a verdadeira experiência na companhia de Bhagavan.
Podemos dizer: "O Senhor e eu somos um". Muitos políticos dizem isso. As
contas bancárias ainda são diferentes: "Você e eu somos um!" Sim, claro. (Risos)
As contas bancárias, luxos, mansões, automóveis são diferentes, as posições
são diferentes, mas, "Vocês e eu somos um." (Risos) Como alguém disse:
"Todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros!" (Risos)
Como podem alguns ser mais iguais do que outros?
Por isso, meus amigos, um homem espiritual nunca terá considerações deste tipo:
meu e teu. Ele somente experimentará unicidade, como temos experimentado na
companhia do nosso Bhagavan.
O
CONHECIMENTO DE SI MESMO OS FAZEM
LIVRES E LEVES
De modo que, se renuncio a Raga e Dwesha, o apego e o ódio, o que vai acontecer? Depois de tudo, queremos saber o que acontecerá. O que conseguimos? Não oferecemos sequer uma xícara de café a ninguém sem esperar algo! Algumas pessoas nem mesmo sorriem a menos que tenham a obrigação. (Risos) Este é na verdade um mundo comercial! Sentimo-nos aborrecidos com essas pessoas, mas temos de lhes agradecer porque nos fazem tomar a senda espiritual. Temos de agradecer a todas essas pessoas que nos desapontam, nos frustram ou nos negligenciam. Se não fosse por elas, não teríamos chegado a esta senda.
Então, depois de abandonar a sensação de "meu" e "teu", o que irá acontecer?
Todos os problemas não serão problemáticos. Problema e problemática são duas
palavras diferentes. Alguém pode ter um problema de dor de cabeça ou de
estômago; mesmo assim ele ainda pode trabalhar e sorrir. Alguns têm problemas
familiares ou problemas de trabalho; mesmo assim eles ainda são muito ativos e
sorridentes (o que significa que eles têm um problema, mas que o problema não
é problemático).
Portanto, um homem de conhecimento, uma Atmajnani,
tem problemas, mas nenhum dos problemas é problemático. Da mesma forma, você
encontra pesados toros de madeira flutuando sobre a superfície de um rio -
eles são muito pesados, mas eles flutuam - similarmente, um
Atmajnani (alguém de conhecimento) terá
todos os seus problemas flutuando ou voando. Ele permanece sem ser afetado.
Será que isto não é uma boa promessa? Será que isto não é uma recompensa para
ser ambicionada? Não deveria ser esta uma ambição na nossa vida? Gostamos de
afundar no mar dos nossos problemas? Queremos ser afogados num mar de
problemas? Queremos ser incinerados devido a estes problemas? Não, queremos
flutuar; queremos voar.
Um pássaro voa alegremente no céu por ser leve. No entanto, alguns de nós encontramos dificuldades para andar, porque a bagagem corporal é maior do que o necessário! Sim, as autoridades aeroportuárias deveriam flexibilizar as suas regras. Eles pesam as bagagens, mas não o corpo. Se começássemos pesando o corpo, podemos precisar de dois assentos ou duas reservas! (Risos) Vejam, meus amigos, a vantagem do conhecimento do Si Mesmo é que você se torna leve, você pode voar livremente. Você pode aproveitar a vida como um pássaro - você é tão livre, tão sorridente e tão feliz. Levam a sua vida com felicidade. Esta é a primeira coisa.
O HOMEM QUE CONHECE A SI MESMO NÃO É JULGADOR
Segundo, um homem conhecedor (estou falando do conhecimento de Si Mesmo), um Atmajnani ou uma alma realizada nunca julga ninguém. Ele não dirá se você é mal ou bom; bonito ou feio. Não dirá que você está avançado. Quem sou eu para julgar alguém? Um homem conhecedor, um Atmajnani, não julgará ninguém.
Se ele julga, ainda tem um longo caminho a percorrer; ainda tem de passar por mais algumas etapas. Por quê? Ele não é capaz de julgamento? Não é capaz de decidir? Ele não pode medir? Não pode ser crítico? Ele não pode me dizer o que sou? Não. Por quê? Porque um homem de conhecimento encontrará a si próprio em todos. Quando vocês e eu somos um, quando me vejo em vocês, como posso dizer que vocês são ruins?
Se estou de pé na frente de um espelho e encontro
um macaco lá, o que devo fazer? Devo admitir que isso é
o que sou, que é assim como me vejo. De nada valeria quebrar o espelho ou
depositar a responsabilidade na pessoa que me vendeu o espelho!
"É vidro da Bélgica, muito caro! Leve-o para o tribunal"!
Eles dirão: "Senhor, o espelho está perfeito. Por favor, verifique o seu rosto
mais uma vez!" (Risos)
Por isso, meus amigos, se estou julgando, se ando comentando sobre outras pessoas, se falo sobre os demais, pode não ser um pecado ou algo basicamente errado como um homicídio, mas eu ainda posso estar muito longo de converter-me num Jnani ou um homem de conhecimento de Si Mesmo. Ainda estou muito longe de tornar-me um homem de conhecimento do Si Mesmo, se vejo os demais como outros e me considero diferente dos outros. É isso que Baba tem dito:
Karunanum Thittinathantha Pappam Abbu.
Se vocês criticam as pessoas, estarão acumulando pecados.
Vidovatha
Ennadikki Vasudendu.
As conseqüências do pecado que está cometendo nunca irão
abandoná-los, de forma que criticar os outros, julgar outros, é um pecado.
Karunam
Thittinathatha Pappam
Abbu,
Vidovatha Ennadikki Nee Vasudendu.
Esse pecado nunca lhes abandonará. Compreendam isso.
Paraullu
Parullu Kadhu,
Paraullu Parullu Kadhu,
Paramat Godeyuniya,
Unna Mutta Tholukku Sonna Maatta.
CONSERTE PRIMEIRO A SI PRÓPRIO
É isso que Baba diz. O que você vê no outro homem não é outro. Não, é somente você. Os outros são as suas próprias imagens, sua própria reflexão. Não existe outro. O um sem o outro é Divindade. Por isso, meus amigos, um homem realizado, um Atmajnani, não será julgador.
Algumas pessoas poderiam dizer: "Bem, acho que tenho o conhecimento do Si
Mesmo, mas ainda continuo julgando. Por que você diz que não tem o
conhecimento do Si Mesmo? Se você quiser, vou citar o
Bhagavad Gita. Leio o
Bhaja Govindam
todos os dias; O leio; tenho o conhecimento".
Não. Aqui está um exemplo simples: Se o equipamento de rádio está danificado,
você não pode ouvir qualquer estação, como a BBC ou Deli. Você só pode ouvir "tttuuunn"
(um som estático). Isso é tudo. Por quê? Devido ao fato de que o equipamento
de rádio está estragado. Por isso, quando o nosso equipamento mental está
danificado, julgamos sons desnecessários. Não há nada de errado com a emissão
das ondas de rádio; há algo de errado com o nosso aparelho de rádio. Portanto,
consertem vocês mesmos.
Por isso, Bhagavan diz para nos deixar corrigir o
nosso aparelho de rádio de modo a obter a transmissão das ondas de rádio de
forma adequada, para que possamos ouvir a todas as estações. Por conseguinte,
uma Atmajnani terá o aparelho de rádio de
sua mente corrigido ou aperfeiçoado. É isso que gostaria de trazer à sua
atenção.
O HOMEM QUE CONHECE A SI MESMO NÃO NASCE NOVAMENTE
Qual é o próximo benefício para um homem realizado, um Atmajnani, aquele que chegou à percepção? O que mais ele pode obter? Será que vai ser um milionário? Será que vai ser o presidente do país? Ou será que ele vai ser o homem mais rico ou o maior homem ou qualquer outro grau superlativo que você gostaria de usar? Não, uma Atmajnani, um homem de realização ou que conhece o Si Mesmo, não irá nascer de novo. Isso é tudo. Este é um ponto final. Como ele tem esse conhecimento do Si Mesmo, ele não tem nenhum Raga ou apego, nem Dwesha ou ódio, e, consequentemente, não nascerá novamente.
Todo mundo diz: "Moksha, quero
Moksha, Moksha",
como se ela fosse um doce na cantina. Não é assim. Que querem dizer com
Moksha? Moksha
é aquele estado onde já não se dá o renascimento. O renascimento ocorre por
causa do apego. Uma vez que o apego desapareça, não haverá mais renascimento.
Isso é Moksha
Amrutha. Por isso, um homem realizado não terá de nascer de novo.
Mas o que há no caso de querermos nascer de novo? Muito bem, deixem-nos nascer
de novo, ir para a escola, receber castigos de nossos professores,
ir para a faculdade, participar dos exames várias
vezes, se casar com as preocupações, ter filhos e, depois, mais algumas
doenças. Se este drama é agradável, por favor, usufruam dele! (Risos)
Tenham todos o número de ciclos que quiserem! Mas
se você quiser cortá-lo fora, se quiser terminar o ciclo de nascimento e de
morte, é apenas o conhecimento do Si Mesmo, Atmajnana
que o fará livre. Então não haverá mais qualquer
Dwesha nem Raga.
REALIZAÇÃO É DESCANSO E O MELHOR
Outro ponto: algumas pessoas pensam que um Atmajnani, um homem de conhecimento, não vai a um templo nem faz adoração. Você acha que ele é um homem preguiçoso? Não, um homem de conhecimento não é preguiçoso. Por favor, compreendam.
Para citar Baba: "Preguiça é ferrugem e poeira. Realização e descanso e o
melhor". Isso é o que Baba tem dito: realização é descanso e o melhor. Um
Atmajnani, um homem de auto-realização,
conhecedor de Si Mesmo, está sempre ativo e dinâmico. Ele não está ocioso, não
se sentirá sonolento. Não. Ele se sobressai em toda tarefa que lhe é dada.
A
VERDADEIRA ADORAÇÃO
Ele vai para o templo e adora, mas seu processo é diferente. O tipo habitual de adoração é o seguinte: adquirir certa quantidade de flores no mercado e dá-las ao pujari (sacerdote), a fim de que ele faça o culto em nosso nome. (Risos) Ou dar-lhe algum dinheiro para que compre as flores e proceda ao culto. Isto é lindo: buscamos toda sorte de atalhos para tudo. Não temos tempo para ir ao mercado, não há tempo para comprar flores, de modo que damos 25 rúpias para o pujari, e ele vai comprar as flores e fazer o culto por nós! O que ele realmente faz, isso não sabemos! Não há qualquer razão para sentir pena de ninguém; temos que senti-la por nós mesmos!
Por isso, meus amigos, um Atmajnani, um homem realizado, adora com flores. Ao fazê-lo, não é a flor que é importante para ele (enquanto que você e eu consideramos muito importante as flores, sejam elas jasmim, crisântemo ou uma rosa). A um Atmajnani não lhe importa a flor; ele pensa no espírito por trás dela. As flores de toque, a fragrância do caráter, as flores de uma vontade forte, as flores das virtudes, ele vai pensar nestes termos. Ele não vai dizer: "Aqui está um jasmim, Hari Om, uma rosa, Hari Om". Todo seu ato de adoração se encontra num nível completamente diferente.
VISÃO DE RAIO-X
Aqui está um exemplo: todos vocês têm uma câmera e tiram fotografias: "Sr. Anil, venha, sorria"! Então eu sorrio e você tira a fotografia. Quando vou para o raio-X, eles também tiram uma fotografia, mas não há sorrisos, só dentes; (Risos) Não há pele, só ossos. Isso também é uma fotografia! (Risos)
Então, um médico não olha para a foto, como o tamanho da foto do seu
passaporte no balcão da imigração. (Risos) Ele olha para o seu
raio-x. Por isso, um Jnani
vê o raio-X, enquanto um sujeito mundano olha para
um filme Kodak normal. Portanto, temos de compreender que um
Jnani se guia pelo espírito, enquanto que
um homem não-realizado faz as coisas mecanicamente.
Como podemos dizer que um homem que vai a um templo e adora, carece de
percepção? Seu rosto dirá! O rosto lhe dirá o espírito por trás dele. Se ele
se apresenta com uma cara feia ou se mantém olhando para seu relógio enquanto
repete Hari Om,
isso é uma adoração mecânica, de robô.
O Jnani sorri,
tão feliz, tão contente. Ele sente a estátua em frente a ele e esquece a si
próprio até que alguém diga: "Senhor, por favor, abra caminho para a próxima
pessoa". Ele não sabe (que está bloqueando os outros), pois ele se perdeu na
total identificação com a divindade ou a estátua no templo.
Este é o verdadeiro enfoque do raio-X; enquanto que
olhando para quantas pessoas estão na fila, quantos estão na frente, quantos
estão bem vestidos, ou que tipos de jóias estão usando, este é o enfoque comum
do tipo câmara fotográfica. Por isso, um Atmajnani
realiza os ritos espirituais ou seus deveres espirituais com um espírito
completamente diferente.
O
VERDADEIRO ESPÍRITO DA CANÇÃO
Outro ponto: fechamos nossos olhos e adoramos quando cantamos canções. Esta manhã houve uma canção muito bonita:
Antharanga Sai Anatha Natha Sai
Deena Bandhu Sai
Karuna Sindhu Sai
Oh! Alguém verteu lágrimas naturalmente quando ouviu isto! O significado é
este:
Antharanga
Sai
Oh, Sai, Vós estais em mim.
Anatha
Natha Sai
Vós sois o único refúgio para todos os que estão abandonados.
Ninguém se preocupa conosco -
Vós sois o único que cuida de nós, que se preocupa conosco.
Deena
Bandhu Sai
Vós sois o nosso único parente.
Nós somos negligenciados, somos pobres,
Mas, Vós sois o nosso parente.
Karuna
Sindhu Sai
Vós sois o oceano de compaixão.
É realmente uma bela canção, uma canção com muito sentido. Agora, um homem não realizado não pensará em tala (ritmo). Como acontece. . . rápido ou lento? Ou pode pensar nos instrumentos ou no cantor: "Ele é o meu colega (ou seu colega)... meu filho (ou seu filho)". Portanto, o cantor de música, a melodia, o compasso e a atenção (por todos), estas são as considerações de um homem sem percepção.
Numa escala superior, posso pensar em Swami, de forma que Ele possa satisfazer o meu desejo. Tenho alguns problemas:
Karuna Sindhu Sai
"Se você não pode resolver os problemas, quem mais resolverá meus problemas? Se Vós não olhais para mim, que outra pessoa irá olhar para mim, ó Senhor?" Apelamos para Vossa misericórdia, Vossa graça. Oramos a Ele para que venha em nosso socorro. Isso é algo mais elevado.
Outro ponto ainda mais alto: "Swami, deveria
cantar durante toda a noite?" Não é necessário. "Doze
bhajans (canções devocionais) são necessários?" Não é necessário.
Só uma oração do fundo do seu coração é suficiente para queimar uma montanha
de pecados. Os pecados podem ser do tamanho de uma montanha, mas todos podem
ser queimados com um “fósforo” de um só bhajan.
UMA
ORAÇÃO SINCERA TORNA A NOSSA VIDA SUBLIME
Para acender seu cigarro, você não precisa de uma caixa de fósforos inteira. Para acender o seu fogão a gás, não é necessário uma caixa com cinqüenta palitos de fósforos. Um é suficiente. Do mesmo modo, um bhajan, um pensamento, uma oração tornará nossa vida sublime. Ele pode também queimar uma montanha de pecados. Esse é o espírito de um Atmajnani. Isto é o que temos de compreender.
Outro aspecto: externamente e exteriormente, como é que sabemos que fulano ou
sicrano é um homem realizado? Naturalmente, não temos de saber. Devemos tornar
realizado a nós mesmos! O homem realizado, um homem de conhecimento, não é um
ator de cinema ou um desportista para ser copiado e imitado. Mas se você ainda
quiser saber (embora não seja necessário conhecer), há um ponto a ter em mente.
O que é?
Há paz em torno de um Atmajnani.
Onde quer que esteja, há paz em torno dele. Há felicidade em torno dele. Há
sorrisos em torno dele. Há risada em torno dele. Há dança em torno dele. Não
haverá caras fechadas, tensões, pretensões e drama. Todos serão genuínos e
todos estarão em êxtase na frente de um Atmajnani.
Como é que sabemos? Observem o darshan de
Bhagavan. Quando Bhagavan
começa a dar darshan, observem a si mesmos.
Como estavam antes do darshan? Como vocês
ficam durante o darshan? Vocês sabem por si
próprios! Esquecemos todas as nossas preocupações e nos sentimos muito felizes
quando O vemos. Ele é uma alma realizada; Ele é Divino. Quando uma aura de
conforto, alegria e felicidade permeia em torno de uma pessoa, você pode chamá-lo
um Atmajnani, uma alma realizada,
uma alma suprema. É isso que podemos ver.
UM
HOMEM DE AUTOCONHECIMENTO ESTÁ LIVRE DE TRÊS QUALIDADES
Outra característica ou ponto acerca de um Atmajnani: Algumas pessoas dizem: "Eu faço isso, faço aquilo". Não estamos fazendo isso ou aquilo por propaganda, promoção e reconhecimento algum. Não, vamos fazê-lo por nós mesmos, porque certas técnicas ou enfoques espirituais são muito pessoais. Não podes levar romance para a rua! O romance divino está em nosso coração – tão secreto, tão próximo e tão íntimo. Não posso colocá-lo no mercado de peixe! O romance divino é muito pessoal.
Por isso, meus amigos, temos de compreender que um
homem com o conhecimento ou a consciência de Si Mesmo não é afetado pelas três
qualidades: thamas (animalidade), rajas
(paixão), ou sathwa (devoção).
Estará além destas três qualidades, sendo sem atributos.
Se dizemos: "Você é um homem bom", ele vai dizer: "Tudo
bem". Se dizemos: "Este é o sujeito mais feio", ele
irá responder: "Tudo bem, vá para o próximo. Pelo menos você irá encontrar
outra pessoa melhor". Ele não é incomodado pelos seus comentários. Não há
qualquer busca por elogios, no caso de uma alma realizada.
Meus amigos, estes são os pontos que queria compartilhar com vocês esta manhã.
O resto vamos continuar na próxima semana. Obrigado
por seu tempo. Muito obrigado por estar aqui. (Aplausos)
Estou realmente encantado e emocionado, acreditem ou não, porque muitas
pessoas estão com a impressão de que todas as pessoas querem histórias, que
todos querem ouvir sobre experiências pessoais. Não, isto não é tudo. Existe
algo mais. Vocês estudam a matéria no nível secundário, e estudam sobre
energia no nível universitário. Você estuda o corpo no nível secundário, e
anatomia no segundo ano do curso médico, fisiologia num nível maior,
radiologia durante o terceiro ano, citologia no quarto ano, e medicina no
último ano. Você continua aprendendo mais e mais.
Bhagavan, não tenho
palavras para agradecer-Lhe, Swami. Temos tantas
pessoas que querem ter o conhecimento do Si Mesmo. Se
estou rezando, tenho apenas uma oração: Bhagavan
deveria abençoar todos vocês com essa sede, essa fome, esse apetite e ânsia
por alcançar ter o conhecimento do Si Mesmo ou
Atmajnana.
Que Bhagavan esteja com vocês para sempre e sempre!
Muito obrigado. (Aplausos)
Prof. Anil Kumar terminou a sua palestra com o bhajan, “Ramakrishna Hari Narayana”.
OM…OM…OM…
Asato Maa Sad Gamaya
Tamaso Maa Jyotir Gamaya
Mrtyormaa Amrtam Gamaya
Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Om Shanti Shanti Shanti