Respostas do Prof. Anil Kumar Dezembro 2007
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Anil Kumar é professor de Biociência no Instituto de Estudos Superiores Sri Sathya Sai. Ele é autor de muitos livros sobre Sathya Sai Baba. Ele escreve artigos para o Sanathana Sarathi. Anil Kumar profere palestras sobre temas espirituais todos os domingos em Prasanthi Nilayam. Grupos de toda a Índia e de todo o mundo freqüentemente o solicitam palestras extras. Conhecido como o tradutor dos discursos de Sathya Sai Baba. Leia mais em www.saiwisdom.com
Conheci Sathya Sai Baba pela primeira vez em 1970. Tendo-o visto, fiquei muito impressionado com a organização em torno dele. Fiquei surpreso ao encontrar tantos devotos que trabalhavam voluntariamente ajudando e colaborando para a Sua missão. Fiquei também muito impressionado com o serviço de atividades em curso em todo o mundo em Seu nome. Particularmente, estou muito satisfeito com a Sua mensagem, que é universal, numa forma que inclui todas as religiões. Depois experimentei o gosto do Seu Amor Divino que me fez agarrar e permanecer fiel a Ele de uma vez por todas.
Om Sai Ram
Qual é a importância da disciplina na prática regular de yoga, meditação e respiração, para fazer progressos na senda espiritual?
A resposta é muito
simples, a disciplina é muito essencial não só na senda da espiritualidade,
mas também é muito essencial na nossa vida quotidiana. Como um estudante tem
que ser disciplinado se deseja obter uma distinção, como homem de negócios a
pessoa deve ter disciplina para progredir na sua atividade econômica. Um
cientista deveria ter disciplina para realizar suas observações a tempo,
baseadas em suas experiências. Em cada caminhada da vida, quer seja física,
espiritual ou mundana, a disciplina é a lei fundamental da vida.
A disciplina é a chave para o sucesso. E esta disciplina não é algo que temos de cultivar, nos é inerente e natural. O ser indisciplinado é antinatural. Por quê? Você pode perguntar. Existe disciplina no movimento da galáxia, sistema solar e lunar, nascer do sol e pôr-do-sol. Disciplina em toda a criação, as plantas têm uma forma de vida disciplinada desde a fase de germinação até o estágio de volta à terra. Os animais têm disciplina. A disciplina é a lei da natureza, a estrutura que configura o homem é disciplinada. O transgredir a disciplina não é natural e pode fazer com que o homem enfrente algumas experiências difíceis.
Se a disciplina é imposta, se nos é dada a partir do exterior, há algo de errado com ela. Não se manterá por muito tempo. Se a disciplina é auto gerada, vamos mantê-la. Se vem de fora, o ego não a aceitará e nos tornamos rebeldes.
Portanto, a disciplina deve ser gerada por nós mesmos, convencidos de suas vantagens. Às vezes, nos vemos obrigados a desenvolver disciplina depois de algumas experiências amargas.
Um exemplo simples: tomo café duas vezes por dia, sem disciplina começaria a tomar um café a cada hora, 12 xícaras por dia. O que vai acontecer? Vou ter problema de estômago, toda a saúde irá se estragar. Por isso tenho que cultivar a disciplina para evitar experiências amargas.
Se eu for suficientemente bom, vou seguir minhas escrituras, vou seguir o meu Guru por mim mesmo, sem ter que ser uma vítima de reprimendas por indisciplina. Ao sofrer por ser indisciplinado, posso aprender a ser disciplinado, é uma forma, ou posso aprender disciplina de meu Mestre, pela estrita obediência de Seus mandamentos. Ou a experiência da vida irá nos ensinar, pois o médico dirá: nada mais de cigarros, etc, porque a saúde já não colabora mais. Então temos que começar alguma disciplina. Por que nós não podemos fazer tudo isso por nós mesmos? Se eu não cuidar do meu corpo, quem perde? Eu sou o perdedor. Quem tem de sofrer? Eu vou sofrer.
Se a disciplina surge a partir do interior: um, haverá total entendimento;
dois, um completo ajuste; e três, reconciliação. Se
a disciplina provier de dentro, seremos capazes de desculpar os outros,
compreender os outros, reconciliar com os outros e amar os outros. Primeiro,
desculpe a si mesmo; então, desculpe os outros, ame
a si próprio e então ame os outros, respeite os outros, respeitando a si mesmo
primeiro. Tudo isso surge da disciplina, da que provém de dentro.
O segundo ponto era a disciplina na meditação, respiração e yoga; todos os três são basicamente uniformes e o mais elevado padrão de disciplina. Local, hora e técnica. O lugar onde você faz o seu yoga, meditação e exercício de respiração têm de ser tranqüilo e permitir que nada lhe perturbe. Você também deve ter um tempo específico para o seu exercício. É importante conhecer as técnicas de yoga, meditação e respiração. Às vezes, é possível que tenhamos problemas de saúde sem este conhecimento.
Estes processos requerem um treinamento regular e, a menos que se aprenda e pratique sob a supervisão direta de um perito, um santo, um guru, não é aconselhável praticá-las por si próprio.
Também um verdadeiro mestre ou guru não esperará receber dinheiro de ninguém. Se ele espera um pagamento ou pede dinheiro, se terá convertido em mais ou menos comercial.
Qual
é a melhor maneira de preparar-se para encontrar e criar uma conexão interior
com um Mestre vivo?
Para ir onde há um
mestre, precisamos nos preparar. Se você for um médico, precisa se preparar
adequadamente para proceder a uma operação. Do mesmo modo, quando se encontra
com seu Guru, você precisa de alguma preparação, o conhecimento do
Guru. Como você pode ter o conhecimento do Guru? Leiam seus livros,
seus ensinamentos.
Se estou indo para a Suécia, preciso saber como chegar lá, o que visitar. Necessito de um mapa e também alguém que conheça o lugar, que tenha estado lá antes.
O Guru está lá para lhe mostrar o caminho, o caminho certo, ele é o seu guia. Ele já alcançou a realização e pode lhe mostrar o caminho correto.
Você deve ter fé total nele. Se eu começar a duvidar se é um verdadeiro Mestre ou não, se ele é ou não a minha escolha; quando começo a minha jornada com dúvida, eu não posso estabelecer uma conexão interior com o Mestre.
A conexão interior começa pela fé, primeiro passo. A conexão interior pode ser desenvolvida pela contemplação, contemplamos a sua forma, seus ensinamentos, continuamos pensando nele, algo como seu amor, seu amigo, etc, de igual modo para desenvolver a conexão interior temos que contemplar, pensar nele com profundidade, constante e repetidamente.
O primeiro passo é a fé, o segundo é a contemplação e o terceiro é o amor. Quanto mais o amamos, mais forte será a ligação interna. As crianças podem estar afastadas, mas como as amam, vocês estão conectados internamente com elas. O amor representa a base para esta conexão.
Ponto
quatro; a conexão interior pode ser reforçada ainda mais, fazendo o que agrada
ao Mestre. Por exemplo: Baba, o que Lhe agrada? "Serviço
e Amor" Ame a todos, Sirva a todos. Então, fazendo
o que agrada ao seu Mestre, você irá reforçar a ligação interior, sua
consciência e seu crescimento espiritual.
Q:
Antes de uma ligação interna é possível que exista uma conexão externa?
É muito claro, as coisas não acontecem na vida exatamente dessa forma. Como é que você espera que uma pessoa da Suécia venha até aqui? Já existe uma ligação interna invisível. Uma vez que começamos a entender que estas coisas não são acidentais, que já há algum tipo de ligação interior, a única coisa que temos a fazer é realizar a ligação interna. Caso contrário, você não teria vindo até o Mestre. Você não teria desejo ou impulso para ir até o Mestre.
Q: Nós todos
não temos uma relação física estreita com Baba, muitos estão bastante longe.
Vemos o edifício, mas não vemos a fundação, vemos a árvore, mas não vemos a raiz. Porque não vemos a raiz, não podemos dizer que a árvore não tem raízes. Existem duas categorias aqui, aquilo que vemos e uma outra categoria que é o que não vemos. A conexão interna é o que não é visto, é o que há de ser experimentado. O mesmo fato de estar aqui é uma experiência física suficiente da conexão interna.
Q: Como é que sabemos
que estamos no lugar certo?
Como é que você sabe que gosta de um prato especial servido a você? Como sabe que você sabe? Ou como sabe tudo por si mesmo? Ao prová-lo, saberá que este prato é delicioso e começa a comê-lo e querer mais.
Como sabe se é o Guru adequado, como sabe que é a senda espiritual correta? O tipo de paz de espírito que experimentou, o equilíbrio que você tem; os elevados níveis de amor que você desenvolve. Uma espécie de irmandade, universalidade você obterá.
Um altruísmo, desapego e
uma fé firme no Divino; estes são todos os sinais de um aspirante espiritual.
Q:
Quando permanecemos por um longo tempo com um Mestre, o que acontecerá ao ego?
O ego vai sempre rejeitar, o ego sempre vai duvidar. Rejeição, repúdio, dúvida, negação são as características do ego. Não nos permitirá aceitar a verdade ou os fatos, não nos permitirá rendermos, e não nos permitirá tomar positivamente o que quer que esteja acontecendo na vida. Portanto, o ego é o primeiro e o último obstáculo.
Quando estou caminhando ao longo da senda espiritual essas coisas parecem reduzir-se automaticamente. Irá acontecer como numa balança. Quando um prato está no alto, o outro prato fica em baixo. Quanto mais você pratica sadhana espiritual, menor e menor será a rejeição, negação, raiva, ganância, etc. O que significa que junto com o nascer do sol, a escuridão vai diminuindo e desaparece automaticamente. A graça de Deus acontece naturalmente; sem esforço, porque a sua direção é diferente.
Q:
Como é que você sabe se e quando é chegado o momento de mudar ou abandonar seu
Guru?
Só se e quando o seu Guru lhe disser para fazê-lo. Inicialmente você pode ter que seguir um guru por um longo tempo, com plena concentração, fé total, acatando todas as disciplinas e sadhana que se espera de você e, em seguida, o Guru lhe abençoa, lhe inspira a seguir adiante se isso for necessário.
Se temos um Guru, podemos, pela sua graça, ir até outros Professores e aprender com eles. Você não será capaz de ir para outro Guru sem a graça do Guru com quem você está agora. Ele lhe inspira; ele o abençoa a ir em outra direção. Até então, não se supõe que tentem por si próprios.
Outro exemplo é que se cavarmos um poço em muitos lugares nunca encontraremos água. É perda de tempo e de energia. No entanto, se cavarmos num só lugar, encontramos tanta água quanto necessitamos. O manter-se junto a um Guru é muito importante. Se escavamos por toda parte, o terreno ficará cheio de buracos e não poderemos encontrar água em nenhum deles.
Quais
são as vantagens mais importantes em ter Darshan?
(Encontrar e ver uma pessoa realizada)?
O Darshan nos faz focalizados em Swami. Durante o Darshan, quando Swami vem em nossa direção, uma energia especial flui Dele para nós, assim estaremos com mais energia do que antes.
Portanto, fisicamente estaremos mais carregados de energia, mentalmente estaremos mais focalizados e mais aguçados intelectualmente. Estaremos num estado de bem-aventurança, não pensamos em mais nada que não seja em Swami. Essa é a vantagem. A mente se centra e se esvazia. Podemos experimentar mais esta energia se formos capazes de estar vazios; se ficamos cheios de pensamentos, etc., será difícil experimentar a energia plenamente.
Quando o Guru nos olha, significa um reconhecimento direto da nossa
senda espiritual, ele aceita ou endossa a nossa senda espiritual. É um tipo de
bênção; ele nos abençoa com uma espécie de apreço pelo nosso
Sadhana; talvez apoiando nosso desejo.
Quando ele nos olha, demonstra sua preocupação. Se um Mestre verdadeiro está olhando para nós durante o Darshan, também há uma vantagem física, podemos estar sendo libertados de todos os tipos de doenças. Mentalmente, quando ele nos olha, ficamos pacíficos; ele nos proporciona a satisfação de estarmos avançando pela senda espiritual correta.
Um verdadeiro Mestre também é capaz de acender a luz de um verdadeiro discípulo. E por último, nos sentimos tão felizes por ter sido abençoado por ele.
Quando algo ocorre de errado entre um Mestre e o discípulo, a culpa é do Guru?
Esta é uma questão genuína que muitas vezes aflige a cada discípulo. Com toda
boa-fé, um discípulo se aproxima de um Guru, e segue o que quer que o
Guru diga, mas vem um momento em que o discípulo considera as coisas
como garantidas, e ele toma liberdades com o Guru. Inicialmente ele
considerou o Guru quase divino, mas, com o passar do tempo, ele
considera o Guru apenas como um simples ser humano, como você e eu.
Isto o faz se desviar da senda espiritual. Isto o conduz, às vezes, a desobedecer aos conselhos do Guru, o que o leva a ter de enfrentar a ira de seu Guru. O Guru está irritado não porque ele é emocional, a raiva não é em absoluto uma qualidade de um Guru, mas sua raiva é algo que ele impõe a si próprio para corrigir o discípulo.
Por isso, o motivo por trás da sua raiva não é mais que amor. Movido pelo amor pelo discípulo, o Guru está irritado e tenta corrigi-lo.
E, no processo, o ego do
discípulo é afetado e não pode tolerar nenhum castigo, nem controle do seu
comportamento. E quer abandonar esse lugar. Um discípulo que encontra falhas
em seu Guru é mais ou menos um problema de ego. Quando o discípulo
estiver sem ego, não haverá mais problemas. Tudo vai ser muito calmo.
Então uma vez que o discípulo sente que se seu Guru diz que é para seu próprio bem, para seu próprio benefício, quer seja louvor ou critica, então não há qualquer dúvida ou divergência de opinião ou qualquer questão para decidir de quem é a culpa. Se for culpa do Guru ou dos discípulos, isso não se cogita quando não há problema de ego, assim é mais ou menos problema de ego do discípulo.
Finalmente, posso acrescentar mais um ponto. O Guru pode parecer ser aquele
que está errado. Isto é uma apenas uma aparência externa, aparentemente o Guru
pode parecer como se ele estivesse equivocado, como se ele estivesse em falta,
mas não é assim. Isso também acontece só para testar a fé do discípulo, para
ver com que espírito ele irá considerá-la, como iria aceitá-la
a longo prazo. É um processo de teste por parte do
Guru e uma questão de desafio para o discípulo.
O que
é uma intuição clara?
A intuição é a voz interior, a intuição é criativa, a intuição é espiritual e
a intuição é o produto do nosso ser interior, o centro da nossa vida. É sua
consciência superior que se expressa como sua intuição.
Um simples
exemplo: no mundo da ciência, encontramos muitas descobertas e invenções
científicas que são feitas intuitivamente. Tome por exemplo Isaac Newton, em
que a queda de uma maçã foi suficiente para ele chegar a enunciar a teoria da
gravidade.
Arquimedes, um sábio que deu forma a uma teoria da densidade, enquanto tomava
um banho numa banheira. A intuição é sempre repentina.
Galileu, orando numa igreja, de joelhos, observou a lâmpada se movendo de um lado para o outro e isto o fez anunciar a teoria dos movimentos isócronos de um pêndulo. Todas essas coisas foram intuitivas e não foram fruto de experimento de laboratório, não há nenhuma invenção ou descoberta que tenha sido feita exclusivamente num laboratório. No laboratório, são feitas observações e experiências. Experimentos, observações, inferência, estes são os três aspectos ao nível da mente, assim intuição está acima da mente. O homem pensa, explica e interpreta apenas no nível da mente.
No estado de silêncio, a intuição começa a trabalhar,
assim a intuição é a voz interior, que é sempre criativa e espiritual. De
maneira imprevista, repentina como a queda de um raio do nada, acontece e é
sempre positiva. A intuição é individual. A voz intuitiva que ouço, não é a
mesma de vocês, poderá não acontecer todos os dias, pode não acontecer a todo
mundo ao mesmo tempo, é tudo a graça de Deus. Está na Sua mão o despertar da
intuição. Devemos orar pela Graça de Deus para podermos ouvir a nossa intuição.
As nossas orientações intuitivas estão além do estado da mente. Por exemplo, a minha intuição diz para me comportar assim, minha intuição me diz para orientar vocês, e isto é tudo uma coisa secundária ou uma coisa que pode ser ignorada.
Porque não é nosso negócio andar corrigindo a todos, não é nosso assunto aconselhar a todo mundo, não é nosso negócio interferir em todas as pessoas. Se não aproveitamos a intuição para o nosso desenvolvimento pessoal, para o progresso espiritual, poderemos alcançar um estado quando nossa intuição se estenda a outras pessoas em seu benefício; mas não antes. Primeiro a intuição é para o benefício pessoal e mais tarde, num nível superior de espiritualidade, pode ser útil para o benefício de outros.
O que é uma experiência espiritual? E como ela afetará a pessoa? Como
integramos uma experiência espiritual?
Existem diferentes
níveis de experiências. Vejo um filme, é uma experiência física; tomo um
sorvete, uma experiência física. Muitas experiências são experiências físicas.
Música, literatura, amor a arte, religião e espiritualidade são experiências
psicológicas e podem ser experimentadas pela mente.
Então, o que é uma verdadeira experiência espiritual? As experiências da mente ainda nos separam de Deus, porque experimentamos Deus, estamos separados de Deus. Experimentamos o milagre de Deus, somos diferentes do milagre e de Deus. Até mesmo as experiências da mente são duais, nos separam de Deus, mas a verdadeira experiência espiritual nos fará sentir que não somos diferentes de Deus, que somos um com Deus, e a verdadeira experiência espiritual é para sentir o mesmo Deus em todos, desde uma formiga até todo o cosmos.
A experiência espiritual é uma experiência universal, experiência universal integrada, que é desinteressada, sem desejo, sem forma, sem nome, que está além de qualquer religião, dogma e tudo isso. Experiências integradas são experiências espirituais, somos um com Deus. Com quem vamos nos integrar? Não há ninguém, a palavra é aplicável quando existem dois. Quando não existe a questão da integração, só há um, a totalidade. Então nós sempre estaremos num estado de experiência, vendo Deus em todos, quem quer que encontremos.
"Uma vez que realizamos que a natureza de nossa existência está além dos pensamentos e emoções, que é incrivelmente vasta e interconectada com todos os outros seres, então o sentido de isolamento, de separação, de medo e desejos desaparecem".
Os Sufis dizem que não podemos buscar Deus a menos
que ele já tenha nos escolhido. Por favor, diga alguma coisa sobre isso?
Como é que conhecemos o seu professor? Como é que conhecemos o nosso Guru?
Como conhecemos a Deus? Identificando-o. Então, dizer que escolhi a Deus ou ao
Guru é ego. Deus está no nosso interior. Nós somos externos, mas uma vez que
nos voltemos para o interior, Deus é somente nós
mesmos. O espelho está dirigido para o exterior e, uma vez que se dirige para
dentro, encontramos a nós mesmos. Por isso Deus está buscando por nós,
significa, não estamos internalizados.
Qual é a importância de pensarmos na nossa morte?
Ninguém pode dizer que
vai morrer naquele dia e em dada hora. O nascimento não está em nossas mãos; a
morte não está em nossas mãos.
Nosso negócio é viver no meio. Nós podemos falar, viver no meio, sim, automaticamente eu vivo; afinal, não necessito fazer qualquer esforço para viver por mim mesmo. Essa não é a maneira correta de viver. A maneira correta de viver é viver a vida agora de tal forma que não tenhamos de nascer de novo. Nosso padrão de vida, o nosso estilo deve ser tal que não tenhamos que morrer mais uma vez. Por isso, a presença é definitiva; não tenho de nascer de novo, e se não vou nascer de novo, desaparece a questão do morrer.
Posso
dizer-lhe que a constante lembrança da morte pode torná-lo negativo. Nesse
sentido, você pensa: de qualquer maneira vou morrer, permitam-me aproveitar.
Deixe-me curtir a minha bebida, o meu jogo, tudo. Isso é o efeito negativo de
tal pensamento.
As pessoas podem ter um pensamento positivo também; por mais que possa
desfrutar, não posso escapar da morte, por mais que dance e me misture com as
pessoas, não posso escapar da morte. Isto leva à renúncia, ao desprendimento,
de modo que o resultado positivo deste processo de lembrança da morte é
constantemente o desenvolvimento do desapego e da renúncia, o efeito negativo
da sensação que tenho de morrer amanhã é que me faz ignorar o precioso tempo
que tenho como ser humano e não sentir gratidão por ser o proprietário desta
própria vida.
Se me lembro da morte, o amor, por exemplo, será mais importante do que os conflitos. O perdão será mais importante do que andar culpando os outros.
Não seja um fazedor, deixe Deus fazê-lo! É praticamente possível antes de
ficarmos livres do ego?
Deixe-nos saber o que vai acontecer quando somos um fazedor com um ego e um fazedor sem um ego.
Se somos um fazedor com um senso de ego, nos sentiremos muito felizes correndo atrás da publicidade, o reconhecimento, por cada conquista, realização, mas se as nossas ações não se relacionam com o ego, não sentimos que estamos recebendo todo o crédito. Nós somos bem sucedidos, porque será uma ação não egoísta. Um fazedor egoísta reivindica e o fazedor não egoísta não alega.
Então, as tendências egoístas nos atam e as tendências não egoístas nos libertam. As ações egoístas irão nos frustrar se houver um fracasso ou derrota, no entanto, uma ação não egoísta nos ajudará a ser equilibrados em qualquer caso. De modo que o fazedor sem ego será um executor nas mãos de Deus.
Desapego – indiferença
Indiferença é psicológica, desapego está baseado na discriminação.
A discriminação os leva ao desapego. A preguiça os leva a indiferença.
Como
é que podemos estabelecer
a paz e o silêncio na mente?
O silêncio e a paz na mente; antes de tudo deixe-nos saber que a mente nunca
está silenciosa, vamos também saber que a mente está sempre inquieta e nunca
pacífica, porque a paz não é a natureza da mente. Estabilidade não é a
qualidade da mente, portanto, o que temos de fazer é ir além da mente,
transcender a mente. Enquanto a mente estiver dominada pelo apego e pela raiva,
a paz será impossível.
Como podemos transcender a mente? Quando cantamos Bhajans, a mente está passiva, a mente se retira, e a mente estará em silêncio. Quando meditamos, a mente está passiva e em silêncio. Quando nossa mente ativa está livre, vem o problema, de modo que ocupe a mente continuamente para que ela se cale, fique em paz e estável. Dedique-a uma atividade que a deixe em paz. A meditação, a respiração consciente estável, o yoga, o jappa , qualquer coisa que ajude a descansar a mente.
O estar centrado e equilibrado é importante. Pode, por favor, dizer alguma
coisa a respeito?
O estar desconectado de seu centro, estar "acima" do solo são todos emocionais ou psicológicos. Não é que negue esses estados. Somos responsáveis pelos sentimentos que experimentamos e não podemos culpar os outros pela forma que sentimos.
Uma vez que percebermos a verdadeira evolução do nosso estado mental, nunca culparemos nenhum outro ser vivo pelo modo como nos sentimos. O não darmos conta nos leva a ferir e desrespeitar os outros; e desconhecer o nosso próprio comportamento e atitude mental nos faz perder a humanidade. O estado superior é espiritual, quando sentimos que tudo é pleno, que tudo é um. Estamos conectados com a terra, aqui e agora ao mesmo tempo em que estamos conectados a uma consciência superior. Recomendo que as pessoas tenham isso como uma meta, para tentar chegar a esse estado. Ter os pés no chão e sua cabeça na floresta; significa, seja equilibrado e mantenha a sua mente pacífica.
Quando somos emocionais, um dia nos sentiremos maravilhosamente e no outro dia vamos nos sentir abatidos e deprimidos. Este processo de altos e baixos pode inicialmente fazer você se sentir feliz, se sentir especial e achar que tem algumas elevações espirituais, experiência espiritual.
Realmente uma
experiência espiritual não tem distinção. Não existe diferença entre o
interior e o exterior, o alto e o baixo. Não há superior ou inferior. Todo o
universo é uma entidade. Se tivermos isso como meta não nos
desviaremos no meio. Se temos
uma experiência superior e começamos a pensar que conseguimos alcançar alguma
coisa e que somos especiais, o nosso progresso espiritual se deterá.
A meta está em saber que tudo é pleno, que tudo é um. A natureza da percepção consciente e da sabedoria é paz e alegria.
Qual é a diferença entre um guru e um Avatar?
A diferença fundamental é que o Guru mostra o caminho enquanto o
Avatar é o caminho e a meta também. Ele nos
leva até Ele.
A maioria das vezes, o Guru opera externamente, um Avatar trabalha a partir de dentro. Um guru tem um padrão particular, uma via particular e uma linhagem e dir-lhe-á para seguir este caminho especifico em que ele está empenhado. Você tem que se encaixar nesse padrão.
Um Avatar irá nos encorajar a prosseguir na nossa própria maneira, se gostamos de trabalhar com o karma, podemos fazê-lo, se gostamos da sabedoria, então indagaremos. Ele irá reforçar e aprofundar a senda que nos sentimos mais atraídos. Um Guru tem um programa dependendo do tempo, ele tem que lhe ensinar certas coisas.
Os ensinamentos de um Avatar é um estimulo que provém do interior, a consciência, a voz interior, e contínua, se mantém como uma orientação perpétua. Um Avatar não Se vê separado de nós, muitas vezes ele vai dizer que “você e eu somos um”, não se trata de passado, presente e futuro, só existe presente. Ele está em nós, ele não está separado de nós, conhecemos nosso passado, e como Ele está em nós – Ele também o conhece.
O que é uma visão?
As visões são impulsos intuitivos, espirituais, internos.
Os sonhos são psicológicos e provêm da mente ou são manipulações da mente. As visões são espirituais, diretivas divinas, conhecimento interno. Se alguém tem uma visão de um Avatar, exterior ou interior, é uma demonstração de que ele, Deus, está em todas as partes, uma prova de sua divindade. Todos os Avatares são o mesmo, eles são um, como a eletricidade é a mesma em toda parte, a única diferença está na sua expressão, a intensidade de luz, e as correntes elétricas são as mesmas. O mesmo poder está por trás de todos os Avatares.
Todos os livros, explicações, respostas, experiências, entendimentos podem ser colocados de cabeça para baixo quando encontramos uma pessoa plenamente realizada. Ele não segue leis normais; ele pode curar doenças incuráveis, e demonstrar atividades paranormais. De alguma forma, é um paradoxo.
Aquilo que é experimentado com o corpo é conhecido, aquilo que se experimenta
com a mente também é conhecido. O que é intuitivo também pode se encontrar
entre o conhecido, mas aquilo que está além do corpo, da mente e do intelecto
constitui o mundo do desconhecido, o nível do espírito ou da consciência.
O que é o desconhecido?
Um simples exemplo; eu lhe conheço, eu estou aqui, você está lá; o conhecedor,
o conhecido e o conhecimento. Quando eu e você somos um, quem é aquele que
conhece o outro?
O que está para ser
conhecido? Quando você é diferente de mim, temos que chegar a nos conhecer.
Quando você e eu somos um não há outro, sentimos a consciência em toda parte,
do microcosmo ao macrocosmo. Sentimo-nos um com toda a natureza, as flores, as
montanhas também com o mendigo na rua. De modo que quando estamos relacionados
com tudo, as experiências estarão além da expressão. Não somos um indivíduo,
somos cósmicos, não temos nenhuma identidade, somos universais.
A consciencia universal
é desconhecida; não há conhecedor, não há nada por conhecer, o conhecedor e
aquele por conhecer são um e o mesmo. Tal como a gota separada do oceano sabe
que é uma gota do oceano, a gota é limitada, o oceano é ilimitado. A gota sabe
que é limitada. Quando a gota é colocada de volta no oceano, torna-se
novamente o oceano e experimenta novamente o desconhecido.
A graça está lá quando estamos nas mãos do Divino, as coisas serão mais espirituais, mais criativas, mais divinas, mais excitantes, um estado de felicidade.
Você sente as vezes que o Divino passar por você quando profere uma palestra?
Sim, lampejos e repentinamente; algumas dessas idéias que não estão lá na
minha mente, que não preparei ou anotei, repentinamente chegam por si sós. É a
Graça de Deus. É desconhecida. A origem é desconhecida e atua através de mim.
Todo o
saber que atua através de mim é tudo erudição, previsível.
Quando estou lá apenas nas mãos do desconhecido, as coisas serão mais
criativas, mais espirituais, mais empolgantes, é a felicidade; intoxicação
Divina. Essas mensagens ou frases sempre me surpreenderam, e quando volto e os
contemplo, elas me energizam, me inspiram. O Karma
ou ação nos ajudará a conhecer a experiência adquirida através dos sentidos; o
desconhecido pode ser sentido apenas no estado de meditação.
A meditação é um estado mental de mente silenciosa, não é só sentar-se de
pernas cruzadas. Podemos converter qualquer coisa em meditação, se somos um
com aquilo que fazemos, quando perdemos a nossa identidade, o desconhecido
surge para a realidade. Quando pensamentos, palavras e atos estão em união no
momento presente, experimentamos a meditação ou o desconhecido. Trata-se de
esforço da nossa parte, isso acontece quando relaxamos o nosso ego, nossa
mente. Não se esforce e isso os levará ao desconhecido.
Você pode, por favor, dizer algo sobre reencarnação?
A consciência mais a
mente é igual a um indivíduo. Somos um indivíduo
uma vez que há mente e ego. Um indivíduo menos a mente é a consciência.
Portanto, enquanto houver ego, esta pessoa terá nascimento e renascimento. Uma
vez que haja desaparecido o ego, não haverá nascimento e morte. Podemos
esvaziar o nosso ego com o espírito de investigação, através do domínio da
sabedoria. É unicamente a sabedoria que nos ajuda a saber
que não somos o ego nem a mente.
Qual é o desafio mais difícil na senda espiritual?
Estamos prontos para
aceitar a vida espiritual, ou queremos nos dedicar ao mundo da mente? O
caminho mundano é conhecido, a vida espiritual nos leva ao desconhecido.
Existe insegurança, estamos prontos para enfrentar o desafio?
No conhecido, podemos calcular os resultados, as metas. No desconhecido, não
existem metas, não há resultados. No conhecido, temos de trabalhar com alguém,
no desconhecido estamos totalmente sozinhos. Este é o desafio. Estamos prontos
para fazer as nossas viagens totalmente sozinhos?
Estamos preparados para crescer além do corpo, mente e intelecto? Vale
a pena? Esse é o desafio.
A espiritualidade é muito desafiadora a todo momento.
É uma prova, um medicamento prescrito especificamente para um indivíduo no
momento específico. Ela nos fortalecerá e nos outorgará autoridade interior,
confiança, verdade equanimidade, neutralidade, integridade e sabedoria.
Como
se comportar na frente de um Mestre?
Você tem que ser 100% humildade e totalmente sem ego. Ter fé nele, e um desejo intenso de seguir a senda que nos foi dada. Finalmente, uma decisão firme de nunca deixá-lo. Isto significa que nunca o deixaremos ir de nosso coração, a presença física não é tão importante quando estamos com um Avatar.
Se entendermos que a sua Graça está sempre lá, isso nos faz merecedores dela.
"A
meta do homem é realizar a Divindade que está no seu interior".
Baba