Uma Palestra Especial proferida pelo Prof. Anil Kumar
“A Meta da Vida”
23 de abril de 2007
OM…OM…OM…
Sai Ram
Com Pranams a Swami,
Eu sei que teremos que nos reunir aqui até às 12:20h , de modo que nosso tempo é curto. Entretanto, o irmão Sainath insistiu que eu dissesse algumas palavras....porque onde quer que você ouça o nome “Anil Kumar” ou eu apareça, um discurso se espera! (Risos). De qualquer forma, é sempre agradável falar sobre Swami em qualquer ocasião, em qualquer momento, com qualquer um!
DE DEUS, EM DEUS E PARA DEUS
Bhagavan disse uma vez: “Vocês vieram de Deus, vocês estão em Deus e vocês vão voltar para Deus.” Foi dito claramente que a meta da vida reside em voltar ao lugar de origem. A grande alegria encontra-se em voltar para lá. Por isso, devemos conhecer nossa origem. Swami disse claramente que a origem é o centro do qual tem emanado a mente e o intelecto.
Assim, qual é a origem da mente? Qual é a origem do intelecto? Qual é a origem do ego? A origem de todos estes três é a “consciência”. Todos estes nasceram do Atma (espírito) ou da consciência. Tendo nascidos nesse Atma, haverão de se fundir de volta nessa fonte. Temos que encontrar a consciência da qual tem emergido a mente, o intelecto e o ego. Esse é um processo de vida.
A CONSCIÊNCIA É INEXPRESSÁVEL
A consciência é eterna, imortal, nectárea e imaculada. Swami enfatiza esse ponto. Mas o ponto é que não podemos definir essa consciência. Posso definir o que é um copo, ou o que são copos; posso definir uma mesa; mas não posso definir a consciência.
Como você define Atma? O que é? Você não pode, porque é indefinível. Todas as definições fracassam. Posso descrever e definir todos os objetos materiais. Posso descrever tudo que está sujeito à percepção dos cinco sentidos. Mas como podemos definir Atma Thathwa (a realidade do espírito) que transcende toda a percepção sensorial?
Você pode descrever o que você vê; você pode falar sobre o que você ouve. Mas o que você pode dizer sobre aquilo que não pode ser ouvido ou visto? Você pode tentar usar a teoria da negação. “Isto é um vidro?” “Não.” “Isto é uma mesa?” “Não.” Você pode asseverar o que não é. Mas não pode definir aquilo que é. Acho que fui claro.
Assim, você pode dizer: “O corpo não é Atma; a mente não é Atma; o intelecto não é Atma.” Então o que é Atma? Bem, não sei; não posso dizê-lo. Essa é a beleza. Não está sujeita à explicação; está mais além da descrição ou da definição. Impossível! Não posso definir Atma porque é inexpressível, não pode ser expressado.
Há muitas coisas na vida que não se pode expressar, mas também sua existência não pode ser negada. Não posso pôr o “amor” à vista, mas não posso dizer que não existe o amor. Não posso mostrar-lhe a “verdade”, mas não posso negar sua existência. Não posso mostrar-lhe o “sacrifício”. Assim, determinadas coisas que existem, embora não sejam dadas a expressá-las, ainda existem. Não podem ser descartadas apenas porque não podem ser fornecidas uma evidência, prova, ou percepção direta. Se deve sempre pensar sobre essa consciência e contemplá-la, a qual produz uma enorme alegria. Qual é a maior alegria? Eu darei algumas indicações de Ramana Maharshi, um grande sábio.
A propósito, exorto a todos nossos amigos a examinar a literatura de Ramana Maharshi. De fato, queríamos dedicar-lhe algum tempo no ano passado, como um satsang separado (uma reunião de aspirantes espirituais). Alguns russos tinham solicitado, vocês recordam? Desejo que no ano vindouro Baba nos bendiga com essa oportunidade. Por que digo “oportunidade”? Bem, tais reuniões me ajudam a compreender porque necessito me preparar e refletir sobre o assunto antes de explicá-lo. Portanto, você e eu somos beneficiados igualmente pelos satsangs porque estamos viajando juntos. Estamos numa peregrinação; estamos na mesma estrada, no mesmo trajeto que conduz ao Divino. Assim, não devemos faltar a nenhuma oportunidade de satsang.
O QUE É PRÁTICA ESPIRITUAL?
Esta foi uma pergunta posta a Ramana Maharshi: “O que é sadhana (a prática espiritual)?” Que pergunta boa: O que é? Se perguntássemos a nossos amigos, diriam: “Levantar-se às 4:30h na manhã, assistir ao Suprabhatam (“O hino para despertar Deus).” Muito bem. “Esperar o darshan” (a assembléia para ver Sai Baba). Bem. “Lendo um livro espiritual ou fazendo o puja (adoração).” Correto.
Mas a resposta de Ramana Maharshi a esta pergunta é: “O sadhana verdadeiro é encontrar a identidade com a consciência.” É ser um com o Atma, para ser um com a consciência. De modo que contemplar o Atma e fundir-se no Atma é sadhana, de acordo com Ramana Maharshi.
QUAL É A SENDA PARA EXPERIMENTAR O ATMA OU O ESPÍRITO?
A segunda pergunta para Ramana Maharshi foi: “Qual é a senda para experimentar o Atma, para conhecer o Atma e para fundir-se no Atma?” Ele disse: “Não há nenhuma senda.” (Se você quiser encontrar algumas piadas na literatura espiritual, vão e leiam Ramana Maharshi. Suas piadas são realmente boas.)
Então, lhe perguntaram: “Swami, o que deveria fazer para alcançar a Deus?” Ele disse: “Não faça. Essa é a maneira de alcançar a Deus.” A pessoa riu e disse: “Swami, você disse para ser um com o Atma, e no entanto diz que não há nenhum caminho para alcançar o Atma. O que é tudo isto?” (Veja, se disser que há uma estação de trem, também mostrarei o caminho. Mas se disser que há uma estação, mas nenhuma senda, você pensaria que sou maluco!)
Mas a resposta de Ramana Maharshi é que vocês são o Atma, portanto não há nenhuma senda! Se já são o Atma, onde está o trajeto para si mesmo? Suponha que venha e lhe pergunte: “Onde está Anil Kumar?” Você dirá: “Senhor, este não é um lugar para pessoas loucas; vá a outro lugar!”
Conseqüentemente, quando vocês forem o Atma, quando vocês forem essencialmente Divinos, de que importa a pergunta de um trajeto? Não há nenhum trajeto.
QUANTO TEMPO TOMARÁ PARA CONHECER A MIM MESMO?
E a terceira pergunta: “Quanto tempo tomará para conhecer a mim mesmo?” Estamos sempre com pressa. O ônibus sai às 6:30h; o vôo é às 2:30h; a cantina abre às 11 horas. Tudo é tempo, tempo, tempo. Estamos sempre com pressa. Assim, quanto tempo tomará?
Ramana Maharshi respondeu: “Não toma tempo algum. Não requer tempo. Não está relacionado com o tempo.” Essa pessoa disse: “Por que, Swami?” Porque ir ao mandir (templo) leva dois minutos, descer as escadas toma dois minutos (mas se trata de pessoas idosas, leva dez minutos). (Risos)
Ontem, um professor da América caminhava mancando. Conheço-o já que trabalha aqui. Eu lhe disse: “Professor, agora você pertence a Puttaparthi.”
O professor disse: “Por que você diz isso? Eu estou aqui por dois anos somente.”
Eu lhe respondi: “Você tem dores nas articulações e começou a mancar. Isso é bastante para a cidadania. Você ganhou o direito a votar, assim se registre. A dor na articulação é a primeira qualificação essencial!” (Risos)
Ele apenas riu da minha brincadeira. De modo, que não toma tempo, quando você já é “aquilo”. Quando algo é diferente ou distante de você, há um tempo e um espaço. Ir de um quarto a outro pode tomar dois segundos, mesmo se for somente um metro de distância. De modo que há um tempo e um espaço entre dois objetos ou indivíduos ou entidades diferentes. Mas para conhecer que você é fulano, quanto tempo você necessita? Duas horas? Vejam, vocês já são aquilo. Isto é o que disse Ramana Maharshi.
QUE É O PIOR DOS PECADOS?
Veio então uma outra pergunta para Ramana Maharshi: “Swami, qual é o pior pecado?” (Nós cometemos tantos pecados; e entre eles há graus, vocês sabem, que vai desde o menor até o pior deles.) (Risos)
A resposta dada por Ramana Maharshi foi: “Considerar-se separado do Atma.” Achar que você é diferente do Divino, que você é o corpo e a mente… declarar que Deus está distante de você.
TRÊS TEXTOS ESPIRITUAIS ESSENCIAIS
Vejam quão bonita é a literatura de Ramana Maharshi! Seus muitos livros! Naturalmente, esta não é propaganda. Ler três textos espirituais antes do fim de nossa vida é essencial. A vida tem que chegar a um fim um ou outro dia. Em alguns casos, há uma promoção direta no domínio do espírito; em outros casos, é lenta e gradual. Mas seja como for, a promoção é definitiva. Como Baba disse, a data da manufatura, a data do nascimento são conhecidas; mas não a data de vencimento ou de expiração. Todo medicamento tem duas datas, a data de fabricação e a data de vencimento. Em nosso caso, a segunda data é desconhecida, isso é tudo. Assim, a vida é uma viagem e, quando termina, ninguém sabe. Devemos estar preparados.
Os três ensinamentos espirituais que considero leitura essencial são: a literatura de Ramakrishna Paramahamsa, a literatura de Bhagavan Ramana Maharshi e a literatura de Bhagavan Sri Sathya Sai Baba. Aquelas pessoas que têm tempo extra podem ler Aurobindo também. Mas não parecemos ter tempo, embora realmente não tenhamos nada a fazer! Esse é o estilo de vida de Prasanthi!
“O que você estão fazendo?”
“Não estou fazendo nada.”
“Você está livre?”
“Não. Estou muito ocupado.”
“Por quê?”
“Eu não sei.” (Risos).
A vida de Prasanthi, você vê! Muito ocupado…
Além disso (adicionando lenha na fogueira), atualmente, não se pode levar livros ao darshan. Assim, as pessoas não levam livros ou canetas - porque estas poderiam ser balas. Os livros são balas e as lapiseiras armas! (Risos). Uma caneta não é uma arma! Impossível! O resultado é que as pessoas não têm outra coisa a fazer enquanto esperam por Swami. Dormem, ou perturbam o sono dos outros (Risos). Mas é realmente de valor ler Ramana Maharshi ou Paramahamsa, e Aurobindo. Deus intercedendo e rogo sinceramente a Bhagavan Baba para me proporcionar uma oportunidade para fazer um estudo comparativo destes três. Eu amo isto.
O QUE É A AÇÃO CORRETA, KARMA?
Se você perguntar a alguém: “O que você acha que é ação correta ou karma?” Uma resposta pode ser: “Espalhar o tapete no caminho de Swami.” Outros diriam: “Empurrar todos para fora!” (Risos). Esta não é uma ação correta. Ramana Maharshi disse: “A ação correta é conhecer a Si Mesmo.”
Mas estamos tão ocupados, meus amigos; somos assim tão ocupados em nossa própria área. Não quero dizer que o que fazemos é inútil, Não. Tudo o que fazemos, se trabalho no hospital ou na faculdade, é só uma preparação. Os bhajans (canto devocional) que fazemos é só como ir a mesa de jantar; e o trajeto da auto-indagação, meditação, é o processo de comer e de apreciar o prato.
Trazer o mantimento do mercado é o karma yoga (prática espiritual através da ação correta), o cozinhar é bhakthi yoga (prática espiritual através da devoção a Deus), e então comer é o jnana yoga (prática espiritual de união com Deus). Assim, conseguir todas as provisões e vegetais em outro lugar é o passo inicial de nossa atividade, desenvolver Amor por Deus é a segunda etapa, e então a auto-indagação, o ir ao nosso fórum íntimo, é a etapa final. Por isso, esta é uma viagem bonita.
O SIGNIFICADO VERDADEIRO DE SATSANG
Alguém pediu a Ramana Maharshi para vir dar uma palestra e quis saber sobre o que falaria no satsang. Ramana Maharshi disse: “Compreenda primeiramente o significado de satsang.” Dizemos sempre que satsang significa boa companhia. Se você perguntar a uma pessoa se vai ao satsang, ela dirá: “Eu não vou porque não há nenhuma pessoa boa. Eu sou o único homem bom - todos os demais são maus.” (Risos)
Mas Ramana Maharshi dá este significado ao satsang: Sat significa existência, sat significa Divino. A união com Deus é satsanga, não é um discurso ou uma conversa. De modo que, quando contempla, ou medita e pensa em Si Mesmo, isso é satsanga. Satsang é ser um com o Divino, ser um com o Espírito, ser um com a Consciência. Isso é o que se supõe que fazemos no satsang.
QUEM É VOCÊ? QUEM SOU EU?
Meus amigos, vocês estão inteiramente cientes das leelas de Bhagavan, de todos os Seus projetos de serviço. A próxima etapa é conhecer-nos a nós mesmos. Vemos o que Swami está fazendo e vemos o que Swami é e ouvimos o que Ele diz; mas não o ouvimos internamente, não Lhe vemos internamente e nem caminhamos para o Seu interior. Portanto, é tempo (posto que a maioria tenha tido suficientes etapas nesta vida) de aproveitar a parte restante de nossa vida “para nos conhecer”.
Há somente uma pergunta: quem sou eu? Se soubermos a resposta a esta pergunta, saberemos tudo o mais. Se não sei quem sou… mesmo que conheça o resto do mundo… tudo será ignorância. Se souber quem sou, tudo será sabedoria, todo o conhecimento que o universo poderia me oferecer.
Como disse outro dia, a resposta a “Quem és tu?” é informação; a resposta a “Quem sou eu?” é transformação. Assim, não estamos aqui para a informação; estamos aqui para a transformação.
Sinto-me feliz em compartilhar estes pontos sobre o Si Mesmo ou a consciência com vocês. De alguma maneira, me sinto arrastado ultimamente até este tema…minha mente está sempre correndo atrás disso (talvez um problema de minha idade, não sei!) (Risos) Mas me encanta ler Ramana Maharshi mais e mais; me encanta ler os pontos do núcleo da literatura Sai mais e mais. Tivemos os dias das histórias e dos milagres, e os apreciamos. Somos as testemunhas e somos os participantes. Muito bem. Vem então a Divindade. Como Baba disse: “Todos os meus milagres são do tamanho do mosquito. Minha Divindade é do tamanho de um elefante.”
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Eu agradeço a Sainath e sua esposa pela sua amabilidade, e agradeço a todos vocês por seu tempo. Não quero me estender já que tem um almoço a seguir, e também temos que ir ao darshan. Mas sintam-se livres agora para fazer-me perguntas. Sim, senhor, por favor sintam-se a vontade para fazer quaisquer perguntas. Esta é uma reunião familiar - não existe nenhuma restrição.
Pergunta:
Aproximadamente duas décadas atrás tive a oportunidade de receber bênçãos de Swamiji, e por causa de Sua bondade, estive com Ele por uma hora e dez minutos. Naquele dia, Lhe fiz uma pergunta. Farei a mesma pergunta hoje. Isto não significa que não tenha realizado nestas duas décadas passadas; mas quanto mais realizo, mais dúvidas tenho.
Anil Kumar:
Naturalmente, isso é porque as pessoas não querem realizar; querem analisar. (Risos)
Devoto:
Quanto mais sabemos, mais gostamos de ser informados.
Anil Kumar:
Correto, correto.
A pergunta do mesmo devoto continua:
Os milagres, como você bem disse, é somente uma mordida de mosquito, enquanto a Divindade é um elefante. Para quem é então a mordida do mosquito?
Anil Kumar:
Bem, bem. As pessoas de Puttaparthi não necessitam dizer: “Os mosquitos nos querem e nós a eles. Não podemos dormir se estiverem ao redor! Estamos acostumados a sua música!” Certamente conhecemos muitos mosquitos por aqui. Como nosso bom amigo, que conheço há muito tempo, faço a pergunta: “A quem está destinado o mosquito?”
“O mosquito é um milagre.” A primeira finalidade de uma mordida do mosquito (um milagre) é criar a fé em mim, porque ainda não tenho tido nenhuma experiência de Deus até agora. Não sei onde Ele está; Não sei o que Ele é. Não sei nem mesmo a necessidade de conhecer Deus! Quando este milagre de mosquito me morder e entrar em minha vida, então me dou conta de que há algo além dos aspectos materiais da vida.
O segundo propósito de um milagre é dar um sentido definitivo na vida àqueles que não sabem aonde ir.
O terceiro propósito de um milagre é fazer sair as qualidades Divinas dentro de mim, para permitir que se manifestem. As qualidades Divinas como o sacrifício, a verdade e a não-violência, que são tão preciosas, têm que ser fomentadas, desenvolvidas e compartilhadas com os membros da comunidade.
O quarto propósito de um milagre é incentivar-me a entrar numa senda espiritual. Um exemplo simples: Swami me concedeu um milagre, talvez materializando algo que nunca esperei. Então você quer saber mais sobre Ele. Suponhamos que quando encontro com você pela primeira vez, me sinta atraído e gostaria de saber mais sobre você. O que faço? Tento ficar mais perto de você. De modo que um milagre é um meio para trazê-lo cada vez mais perto da Divindade; para promover um interesse, saber mais e mais sobre a Divindade. Estas são as vantagens de um milagre. Fui claro?
Devoto:
Sim, senhor, obrigado!
Pergunta:
Professor Anil, tenho muita fé em Swami e acho que Ele está além dos milagres, mesmo além da natureza humana. Mas tem muitos amigos que me perguntam, “Por que seu Baba faz milagres? Por que Ele se incomoda materializando vibhuthi, correntes e anéis?” Disse-lhes: “Não é um milagre que nos faz estarmos aqui? Assim, porque se incomodar com todas essas outras coisas?”
Anil Kumar:
Correto, correto. Sim, professor, posso expressá-lo assim. Quando as pessoas lhe perguntarem: “Por que Ele executa milagres?” por favor corrija a expressão deles. Diga-lhes que Ele não executa milagres, milagres acontecem. A luz solar é um milagre. Respirar oxigênio e expirar dióxido de carbono é um milagre. Ir dormir e levantar-se renovado na manhã é um milagre. O nascimento é um milagre, e a morte é igualmente um milagre. Qualquer coisa que seja inesperado, além do raciocínio, compreensão ou explanação, qualquer coisa além das limitações humanas, é um milagre. Muito bem, esta foi uma boa pergunta.
Pergunta:
Eu tenho uma pergunta a respeito do observador e do observado, e o não-experimentar?
Anil Kumar:
Todos entenderam a pergunta? A consciência é uma testemunha, mas quem é que experimenta? Se o Atma é a testemunha, se a consciência é a testemunha, quem tem a experiência? Quem está experimentando o prazer e a dor?
A resposta é simples. É a mente. É a mente que experimenta dor e prazer, lucro e perda, derrota e vitória. As experiências duais são para a mente, enquanto o Si Mesmo for a testemunha. Como está escrito nos Upanishads (escrituras Védicas), há uma árvore na qual estão pousados dois pássaros. Um pássaro está comendo uma fruta, enquanto o outro pássaro simplesmente presta atenção. O pássaro que presta atenção é a testemunha ou consciência. O outro pássaro, que come a fruta, é a mente ou a alma individual (jiva). A árvore é a árvore da vida.
Um outro exemplo simples: há uma tela de televisão. Por ela passam muitos filmes, dança, música; mas a tela é uma tela, não é afetada pelas imagens nela. Você não pode ver o filme sem a tela? Não é assim? Tem que haver uma tela. Por isso, para que a mente chegue a funcionar, é necessário o Atma. Assim a mente é projetada na tela do Atma ....prazer e dor.
É assim que Ramana Maharshi diz, retire a mente e não haverá projeção, nenhum filme, somente a tela. Marca o compasso com sua cabeça por causa da música, mas se não houver nenhuma música? Devo chorar por que a heroína do filme está com problemas? Não. A tela é só uma tela quando não há nenhuma projeção para criar qualquer tipo de emoção, de pulsação ou de vibração.
O Atma é a tela, a testemunha eterna, enquanto a mente é uma projeção, o experimentador ou alma individual. Quando a mente é retirada, quando se produz uma fusão da mente ou é aniquilada, então há somente a tela que é Atma Sakshatkara. (percepção direta do Si Mesmo.) Estou sendo claro, senhor?
Pergunta:
O que há sobre o livre arbítrio? Poderia você comentar sobre isso?
Anil Kumar:
Certamente. O ponto é que nada acontece sem a vontade de Deus, mas a mente pensa que é o realizador. Suponha que diga: “Sr. Anil Kumar, sua conversa foi muito agradável.” Aha! Me permita controlar-me - porque a mente está pronta para aceitar o crédito. Por outro lado, se alguém disser: “Senhor, este não é o momento para falar sobre assuntos sérios. Poderia falar do menu, dos alimentos.” Que tipo de tópico é este! A mente reage, ela salta, grita, ri, dança. Mas se a mente for retirada, poderiam dizer. “Tudo é Divino.” Mas somos incapazes de dizer que “Tudo é Divino” porque a mente quer obter o crédito; e quer sofrer devido a isso mesmo. Essa é a razão porque todas as religiões querem que cruzemos a barreira da mente.
Pergunta:
No Gita, 5o capítulo (épico Hindu que contem um diálogo sagrado entre Arjuna, um guerreiro, e Krishna, Avatar de Dwapara Yuga), Arjuna faz uma pergunta a Krishna. Diz: “Bhagavan, captei a natureza do Atma; mas a mente é assim tão instável. Como é possível colocar sob controle uma mente tão turbulenta? Não é tão simples.” O senhor disse: “Concordo que a mente é instável, mas há dois métodos para você - abhyasa (prática constante) e vairagya (desapego ou renúncia).” Senhor, qual é o método ou abhyasa que podemos usar para a mente?
Anil Kumar:
Arjuna põe uma pergunta a Krishna: “Oh, Krishna, como posso controlar uma mente que é tão forte, vacilante e perturbada?”
Está aqui um exemplo simples: Canto bhajans de todo coração, não olhando ao redor para ver quem está prestando atenção, ou se alguém pensa se minha voz é boa ou não. (Risos) Não, não. Você canta em voz alta porque não está cantando para os outros. Este não é um concerto de música para o qual as pessoas compraram bilhetes. Canto para mim mesmo. Quando canto para mim mesmo, não penso na melodia ou no ritmo. Desde modo, o que permanece é a canção remanescente, não o cantor
Jagadoddharana Kaaranahe
Sai Krishna Janaardhana Hey
Bhava Bhaya Jaladhee Kaaranahe
Sadguru Brahma Sanatha Hey
Parama Dayaakara Paavana Hey
Janmaja Dukkha Nivaarana Hey
Jagadoddharana Kaaranahe
Sai Krishna Janaardhana Hey
Janaardhana Hey Janaardhana Hey
Sai Krishna Janaardhana Hey
Bhava Bhaya Jaladhee Kaaranahe
Bhava Bhaya Jaladhee Kaaranahe
Quando cantam unicamente para obter o elogio de Deus, você está perdido. Sua mente não está lá. A mente está totalmente identificada com a canção. Então não há uma questão de “eu-ismo”. Cantar é uma senda; prestar serviços é uma senda; a auto-indagação é uma outra senda. Há várias sendas a seguir a fim de crescer além da mente.
Deus os abençoe. Muito obrigado!
Como havia terminado o tempo, o professor Anil Kumar terminou com a oração:
OM…OM…OM…
Asato Maa Sad Gamaya
Tamaso Maa Jyotir Gamaya
Mrtyormaa Amrtam Gamaya
Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Om Shanti Shanti Shanti