15 de julho de 2007
“O Significado do Guru Purnima”
(Parte 1)
OM…OM… OM …
Sai Ram
Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,
Queridos Irmãos e Irmãs,
Encontramos o ashram completamente cheio de jovens estes dias. Por quê? Vamos ter a Conferência Internacional da Juventude de 26 a 28! Falaram-me que a abertura seria na manhã do dia 26 e o encerramento na noite de 28. Então a culminação será o dia 29, que é próprio Guru Purnima.
Compreendo também que vamos ter uma série de reuniões, discussões e sessões de
pergunta e resposta, com um número de jovens participantes de diferentes partes
do mundo. Fizeram muitas perguntas, que serão respondidas em sessões diferentes
pelos membros do painel designados para esta finalidade. Assim, parece que vai
ser um período bastante ocupado. É tão agradável encontrar estes jovens
internacionais movendo-se em torno do ashram!
A religião é para os jovens; a espiritualidade é para
os jovens. Esqueçamos da falsa noção que a espiritualidade está destinada
somente aos velhos. Não continuem pensando que é somente para pessoas
aposentadas. Não. Porém nos permita definir quem é novo: jovens no
espírito, jovens no pensamento. Atividade, dinamismo e
liderança.....essas são as qualidades da juventude, não a data do nascimento.
Encontramos alguns companheiros que não podem nem mesmo ficar em pé por uma
hora. Assim não é a data de nascimento ou a idade que determinam à juventude;
não, é a atividade.....é o espírito que importa.
A maioria de nós sabe que Arjuna, quando ouviu o Bhagavad Gita, tinha mais de 70 anos. Krishna, que concedeu este ensinamento com Sua voz celestial, que ensinou o Bhagavad Gita a Arjuna, estava quase com 80 na época. Inclusive o capitão principal do exército inteiro dos Kauravas na guerra de Kurukshetra, Bhishma, tinha em torno de 100 anos de idade! Havia também pessoas muito mais velhas, peritos como Dronacharya, que também tinha idade avançada. De modo que, digam-me, agora quem são “jovens”? Como definir juventude? O ponto é que é o espírito que importa e faz a diferença. O que conta é a atividade.
QUEM É O GURU?
Mantendo em mente o Guru Purnima, gostaria de compartilhar algumas das minhas idéias sobre este tema esta manhã. Quem é o guru e como identificar um guru? Hoje em dia, há muitas pessoas que reivindicam ser gurus. Há muitos gurus, e cada guru tem um seguinte. Assim, como identificar um verdadeiro guru?
Há alguns gurus que lhes cobram. Se você quiser aprender meditação, custa
uns 1.000 dólares. Se você quiser aprender yoga, uns 100 dólares, ou algo
assim. “Aprenda yoga em vinte dias, e meditação em trinta dias.” É como
um mercado, como bem sabem, com preços variados como estes. Muito bem. Você
saberá o período de tempo requerido e o preço suposto que se tem que pagar.
Meus amigos, por favor, recordem sempre um ponto importante: Onde o dinheiro
está envolvido, não há nenhum Deus; onde o dinheiro está envolvido, não há
nenhum guru verdadeiro. Por outro lado, é baruvu. Baruvu é
um termo télugo que significa “uma carga, um peso considerável, ou um peso
inoperante”. Assim, tal pessoa não é um guru ou um preceptor; é um
baruvu, uma carga, quando há dinheiro envolvido. Por que devo dizer isso?
Todos os cinco elementos lhes são dados de maneira totalmente gratuita.
Estrelas, sol, lua, vales, montanhas, todos os jardins e as flores estão
livremente disponíveis para todos. Deus é gratuito! É o guru intermediário que é
caro e oneroso. Por isso, a primeira coisa que temos que aprender é que quando o
dinheiro está envolvido, não há de modo algum um guru verdadeiro! Onde há
um pagamento, cobranças e coleta de fundos, não haverá em absoluto nenhum guru!
O segundo ponto importante é que temos que saber muito claramente qual é o papel
de um guru. Ele lhe mostrará a senda, mas não o carregará ao longo da
senda. Se você me perguntar onde a cantina está, mostrar-lhe-ei o caminho. Mas
não me espere carregá-lo lá, fazê-lo sentar-se e comer....esse não é meu
trabalho. Meu trabalho é mostrar-lhe somente a maneira, isso é tudo. É sua
responsabilidade seguir pelo caminho mostrado. De modo que o papel do guru
é mostrar-lhe o caminho. E o dever de vocês é caminhar pela senda mostrada.
Em terceiro lugar, nada mais pode ser feito por vocês. Por favor, creiam-me.
Nós, em nossa ignorância e devido à intensidade de nossos problemas, a carga dos
problemas do mundo, da família e outros, queremos que alguém venha para nos
resgatar. Queremos que alguém nos salve destas situações. Mas a verdade básica é
esta: ninguém pode fazer por você. Terão que se esforçar pela sua própria
liberação, para sua própria salvação. Terão que se esforçar por si mesmos.
Ninguém pode fazê-lo para você ou em seu nome.
O
GURU É UMa placa orientadora
Baba deu um exemplo também. Parece que um comerciante foi ver um guru. Ele disse: “Senhor, por favor, dá-me um mantra para minha salvação”.
O
guru se apiedou dele e disse: “Não se preocupe, este mantra é muito simples:
Om Namah Shivaya.”
“Quantas vezes tenho que repetir, Swami?”
“Somente 108 vezes.”
Então este homem perguntou a seu guru: “Pedirei para que meu empregado o
repita? (Risos) Faço repetidas cópias xerox, ou pego cópias no
computador?”
Então o guru sorriu e disse-lhe: “Você pedirá para que seu empregado coma
em seu nome? Pedirá a seu funcionário que desfrute de todos os benefícios e
lucros do seu negócio? Quando cair doente, pedirá a seu funcionário para tomar
os remédios por você? Ou quando seu empregado sofrer uma fratura, você colocará
o mobilizador por ele?”
De modo que aqui, não há nada que possa considerar-se como representação; não há nada que alguém possa tomar para sua responsabilidade. Quem quer escapar de suas responsabilidades recorrem a estas coisas. É aqui que nos confundimos e nos atolamos no nosso processo pensante. Por isso, meus amigos, o guru é uma placa de sinalização. O guru é quem o dirige, que lhe mostra claramente a senda; mas não andará em seu nome. Acho que fui muito claro.
TRÊS ASPECTOS IMPORTANTES DE UM GURU
Há os três aspectos importantes de um guru. Quais são eles? Recita-se freqüentemente na frente de Bhagavan, e em casa:
Guru Brahma, Guru Vishnu, Guru Devo
Maheshwaraha,
Guru Sakshat Parabrahma, Tasmay Shree Gurave Namah.
É uma oração em elogio ao guru como Brahma. Brahma é o criador. Você elogia o guru como o criador, Brahma mesmo. É possível? Pode o guru ser Brahma, o criador? Se é assim, o que ele está criando?
Guru Vishnu: Vishnu representa o sustento ou a manutenção da criação. É o
sustentador, que mantém todo o universo. Como pode o guru ser Vishnu?
Como é possível? Eu O encontro todos os dias na manhã e à noite. Movo-me com Ele
em Sua companhia. Assim, como posso pensar nele como Brahma e Vishnu?
E por último, está Maheshwara ou Shiva, que é o aniquilador ou o destruidor. Se
meu guru quisesse também destruir, não gostaria de vê-lo outra vez. Como
ele pode ser Shiva? Se quiser ser Shiva, deixemos que esta seja a última vez que
nos encontramos!
Mas há alguma verdade nesta oração. Não é por nada que esta oração é oferecida
em elogio ao guru. Tem algum significado. Explicarei.
Brahma representa a criação. Brahma é o criador. Um guru também é alguém
que cria. O que ele cria? Cria novos pensamentos em você, pensamentos sagrados,
vontade por fazer, o espírito da aceitação, o espírito da devoção, humildade,
simplicidade, espírito de sacrifício, e amor pela verdade e pela paz. Por isso,
o guru cria certas verdades sagradas e nobres dentro de você. Neste
sentido, é o criador. (Não se trata de que vá criar o mundo inteiro na sua
frente, ou fazê-los testemunhar o drama, ou criar uma exibição, não.)
BHAGAVAN, O TRANSFORMADOR
Estranhamente, com respeito a Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, encontramos este aspecto criador de maneira muito particular e peculiar. Até onde sei e com minha experiência, poderia dar-lhe alguns exemplos, exemplos que incluem a maioria de nós.
As pessoas que estão cheias de raiva, mau humor e outras emoções negativas, vêm
a Bhagavan. Após duas ou três visitas.... ou na primeira visita, se a pessoa for
afortunada bastante.....perde sua raiva e mau humor. Desenvolvem um pouco mais
de equilíbrio; aprende a ser um pouco mais calmo. Entretanto, não há nada
registrado que Baba tenha falado com ele. Nem temos nenhuma fotografia deste
homem recebendo mantras de Bhagavan. Contudo é uma pessoa transformada
após ter visitado Bhagavan Sri Sathya Sai Baba! É algo que parece muito estranho
para sua família, e completamente inacreditável a seus amigos e colegas. “Como
este companheiro tornou-se tão calmo e equilibrado? O que Baba lhe disse sem que
nosso conhecimento?”
Este é o estilo peculiar, a “dinâmica espiritual” de Bhagavan Sri Sathya Sai
Baba. Poderíamos chamá-la “eletrônica espiritual”. Produz uma mudança dentro de
você, despercebida. Você não sabe que você está mudando; você não sabe que há
uma mudança ocorrendo dentro de você. Mas há uma mudança acontecendo. A partir
de que data isto começou, você não sabe. Como aconteceu? Você não sabe. De fato,
você nem mesmo pode saber que você mudou até que alguém o diga, “Você não era
assim antes!”
Avarento número 1 - Alguém que nunca deu qualquer coisa a ninguém, que sabe
somente acumular riqueza – de imediato começa a sacrificar seu dinheiro para as
atividades de seu Centro Sai, para apoiar alguns acampamentos médicos e tudo
isso. Nunca sabemos quando Swami lhe pediu que desse dinheiro. Não, não, não
temos testemunhado nenhum incidente onde Swami diz a qualquer um: “Você vai doar
algo.” Mas observamos que o sujeito está começando a fazer doações. Aquele
companheiro que só estava recebendo, recebendo e recebendo para si mesmo até
agora, começa a dar e dar aos outros. Como isto aconteceu? Não sabemos. Quando
ele mudou? Ele mesmo não sabe. Baba disse-lhe qualquer coisa abertamente,
publicamente, do tipo: seja caridoso, compassivo e desenvolva o sentimento de
compartilhar? Não. Mas ele começa a dar. Como? Essa é a verdade misteriosa de
Bhagavan.
BABA, O CRIADOR
Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, no papel de Brahma, no papel do criador, o Divino Guru, o Divino Mestre, produz metamorfose, desenvolvimento e mudança de maneira despercebida, de maneira oculta, secreta, sem conhecimento de ninguém (inclusive você), porque é Bada Chita Chora, um “grande ladrão”, um ladrão experiente. Chita Chora: Ele rouba seu coração de tal maneira que começa a desenvolver determinadas características sem seu próprio conhecimento. Baba é o Criador, o Divino Mestre e o Guru Brahma, como Ele misteriosamente instila, imbui e cria em você estas características e pensamentos nobres.
BABA, O SUSTENTADOR
Em segundo lugar, como Guru Vishnu, o sustentador, Ele mantém aquelas qualidades que Ele criou em você. Não é bastante se você semear sementes no jardim. Não é bastante se as sementes crescerem num novo rebento, uma planta nova. É mais importante que cuide dela. É mais importante ver que estes brotos não sejam comidos por uma cabra ou por uma vaca que passe por ali. Tem que cuidar do jardim; tem que mantê-lo; tem que protegê-lo. Tem que ir podando as folhas de modo que a pequena planta se converta num arbusto. Deve nutri-la, adubá-la e molhá-la. Tem que cuidar dela de todas as maneiras. Esta manutenção é o trabalho de Vishnu.
Bhagavan Baba como Guru é também Vishnu. Como você diz isso? Uma vez que
você está com Ele, uma vez que você entra no campo magnético de Bhagavan Sri
Sathya Sai Baba, você não pode sair! Creiam-me, por favor. Você não pode sair,
isso é tudo. Ele se preocupa de que sejam continuamente atraídos, e que não pode
ir-se. Mesmo se você pegar o vôo seguinte, vai querer retornar imediatamente no
próximo vôo. Você simplesmente não pode ir. Uma vez que você esteja em seu
campo, estará na senda.
Mais tarde, mesmo se você quiser se desviar da senda que lhe foi dada, logo voltará a ela. Ele não permitirá que você faça de outra maneira. Ou Ele lhe impedirá de se desviar. Sabemos de muitos exemplos em que as pessoas quiseram se desviar da senda ou transgredir o código de conduta. Finalmente, se recobraram. Não podem renunciar a Ele.
Posso dar-lhe uma quantidade de exemplos. Swami apareceu em sonho, dizendo a uma
pessoa: “Não negligencie seu dever.” Swami apareceu fisicamente a uma outra
pessoa dizendo: “Faça seu trabalho corretamente.” Ele o fez; está nos registros.
Aqui está uma outra história: Um doutor estava na mesa de operação. Queria
operar seu paciente, mas o paciente tinha muita idade e uma série de
complicações – uma espécie de “caso perdido”. (Havia se submetido a outras
operações antes, assim esta seria a última. Não haveria uma “próxima” operação,
porque muito provavelmente, seria “no outro planeta”, porque era um caso sem
esperança!)
Este doutor tinha dito antes à senhora idosa: “Não vou operá-la porque já são
tantos que a trataram, e todos falharam. Não quero fazê-lo. De modo que, por
favor, vá embora”.
Mas naquela noite Baba apareceu em sonho dizendo-lhe: “Vá somente a esse
doutor.” E ela foi e continuou insistindo até que ele teve que aceitar e a
admitiu no seu hospital. Esse jovem homem tinha começado a sua prática somente
recentemente. Se ele começou com este caso, você pode compreender suas
expectativas na área. Mas esta senhora não o deixou. Então, o que fazer? Aceitou
finalmente.
Assim ela estava ali na mesa de operação, e já ia começar a cirurgia. (Isto está registrado claramente para todos que queiram ler. Entendam, por favor, meus amigos, esta história está registrada em detalhes. Seu nome é Dr. Ranga Rao.)
Agora, este jovem homem procurou a assistência de outros médicos porque pensou:
“Deixe-nos compartilhar o descrédito; deixe-nos agarrar o crédito (se há algum)
e compartilhar do descrédito (que deve vir) (Risos) Em outras palavras,
ele quis a ajuda de alguns médicos experimentados, de modo que pudesse salvar
seu prestigio, dizendo que ela morreu por causa deles, não por sua causa. (Risos)
Para a grande surpresa de todos, enquanto a operação estava acontecendo, o que
aconteceu? Enquanto o mesmo Ranga Rao estava operando, seu avental branco - o
jaleco que estava usando tornou-se vermelho! Todos estavam prestando atenção. E
enquanto estava operando, podia sentir que suas mãos já não eram suas mãos.
Assim, toda sua bata ou avental tornou-se vermelho como a veste de Swami, e ele
sentiu que tinha as mãos de mais alguém, não suas mãos, fazendo a cirurgia.
Os outros médicos começaram a observá-lo. (Nenhum médico usa a cor vermelha no
teatro porque o sangue perdido durante a cirurgia é vermelho o bastante!). Todos
se perguntavam o que estava acontecendo. Mas não o questionaram porque a
cirurgia avançava rapidamente; não podiam atrasar os procedimentos. Então, no
final, depois de ter terminado os pontos e tudo isso, seu avental voltou a ser
branco outra vez. Somente nesse momento pode sentir suas próprias mãos outra
vez, não de mais alguém, como durante os procedimentos da cirurgia.
Mais tarde veio a Prashanti Nilayam. Lá Baba lhe disse: “Você não pode evitar
sua responsabilidade. Você não deve expulsar nenhum paciente daquela forma
quando vêm a sua porta. Eu fiz com que ela fosse vê-lo, porque você não
estava preparado para fazê-lo. Eu fiz a operação. Está claro para você?”
Isso é o que Baba lhe disse.
De modo que, uma vez que creiam Nele, uma vez que você aceite determinados
princípios, você não pode desviar da senda. Ele não permitirá que você o faça.
Além disso, ajudar-lhe-á a manter seus princípios.
Neste momento, há uma diretora de um instituto superior aqui no ashram. É uma grande devota de Bhagavan. Mas o que aconteceu no ano passado? Houve uma greve organizada pelos estudantes lá em sua faculdade. Poderiam ter abandonado o campus; poderiam ter permanecido em casa. Mas infelizmente, estes companheiros recorreram à violência. Essa pobre senhora se viu cercada por uma multidão. Tinha a foto de Baba sobre sua mesa e se pôs a orar. “Swami, a que se deve tudo isto?”
Acredite-me ou não, o líder dos estudantes veio e lhe disse: “Senhora, não temos
nada contra você. Tudo o que temos a dizer vai contra à gerência, mas não temos
nada contra você. Você é uma excelente administradora. Seja feliz. Nada vai lhe
acontecer.” Devido ela querer prender-se aos Pés de Swami e estava pronta para
enfrentar todos os desafios que a vida podia oferecer, Swami veio resgatá-la. De
modo que meu ponto é que, quando nos prendemos a certos princípios, receberemos
a ajuda e a cooperação Divina.
Alguns estudantes me têm perguntado: ”Senhor, é possível praticar todos estes
valores lá fora?”
Respondi-lhes: “Por que você acha que estes princípios são ensinados aqui? (Risos)
Não os ensinamos aqui a fim praticá-los lá fora? Essas coisas que são ensinadas
aqui são basicamente para serem praticadas lá fora. Não se trata simplesmente de
ouvir-se falar a respeito e logo ir embora. Para que mais havíamos de ensinar
estes princípios?”
Então um outro menino perguntou: “Mas senhor, isso é possível?”
“Se fossem impossíveis, para que estaríamos ensinando aqui? Não seria mais que
uma perda de tempo e de energia.”
Então um outro menino questionou: “Senhor, receberemos promoções e perspectivas profissionais? Os chefes nos apreciarão se seguirmos estes princípios?”
Então eu disse: “Se você hesitar assim, então é melhor que fique em casa. Vamos
enfrentar o desafio! A vida é um desafio! A vida não é apenas um assunto para
relaxar.”
Deveríamos estar preparados para enfrentar os desafios da vida, e então as Mãos
Divinas estarão nos ajudando sempre. Deus está sempre lá para nos ajudar, toda
vez que caminharmos pela senda que Ele nos deu. Dessa maneira, Bhagavan é o
sustentador, Guru Vishnu. É Ele que mantém e sustenta aquelas qualidades
sagradas que Ele criou em você.
BABA, O DESTRUIDOR
Então, em terceiro lugar, Guru Devo Maheshwara.....guru é Devo Maheshwara, o destruidor. O destruidor? O que isto significa? Não significa destruindo pessoas fisicamente. Se esse fosse o significado, o problema da superpopulação teria sido resolvido há muito tempo! Este planeta teria sido deixado sem ninguém, exceto Deus Mesmo, porque todos merecem algum tipo de destruição em algum momento. Então o que significa “destruidor”? Significa que destrói totalmente as tendências más e os traços de maldade em vocês. Isso é o que Ele destrói.
Posso dar um exemplo: Repentinamente, quando alguém quer ser desobediente, Baba
o evita. Alguém perguntou a Baba: “Swami, como é que não passas por este lado
onde estou sentado? Por que tomas somente o outro lado? Estás evitando esta
fila? Como é que estás me evitando? O que é que tenho feito? Por que me evitas?”
Baba disse: “Resposta simples: Quando você dirige seu carro, de repente tem que
fazer desvios. Por quê? Haverá uma placa: Estrada em reparo. Tome o desvio.
Desde que você está no reparo, tomo um desvio e vou por outro caminho para
evitá-lo. (Risos) Até que o trabalho de reparo seja terminado, continuo tomando
o desvio. Melhor você se auto-reparar! “ Assim, o mecânico Divino lhe ajudará a
reparar partindo de dentro, apertando todos os parafusos e porcas. Aqueles que
permanecem aqui sabem muito melhor do que eu, portanto não preciso explicar!
Ele não permite que você se distancie da senda. Uma pessoa que esteja muito
perto Dele pode ser totalmente evitada. A razão é melhor conhecida somente por
aqueles dois, nenhum terceiro. Por outro lado, quando você começa a fazer coisas
boas, Ele permanece muito perto de vocês. De maneira que Swami incentiva-os a
prosseguir por uma boa linha de ação, evitando todas as coisas proibidas,
evitando tudo aquilo que não se suponha que faça. É assim que é o Guru Devo
Maheshwara.
“EXPERIMENTem-ME DENTRO DE si mesmos”
De modo que, o Guru Purnima é uma celebração da felicidade, uma oportunidade para expressar nossa gratidão a nosso Deus, ao Guru, elogiando de viva voz por desempenhar o papel de Brahma (o criador), Vishnu (o sustentador), e Maheshwara (o aniquilador). Guru Purnima é uma ocasião para ação de graças. Guru Purnima é uma função onde podemos expressar nossa gratidão. Guru Purnima é uma ocasião para se comprometer uma vez mais com a causa e a missão para a qual nascemos.
Baba disse noutra ocasião: “Muito bem, onde está o guru?”
“Swami, se te aceito como guru, poderei somente vê-Lo cada vez que venho
aqui. E se o Senhor escolher cancelar o darshan da manhã, não poderei
vê-Lo até a tarde. Então o guru estará disponível somente uma vez por dia. E
também, uma vez de tarde, quando vim de um lugar muito distante! Como posso
aceitá-LO como guru, Bhagavan? Como podes ser o guru, porque não
estás disponível para mim? Não estou seguro quando virás, particularmente quando
vou tomar um copo de café na cantina! (Risos) Vens no dia em que perco o
darshan, ou você olha-me somente quando me esqueço de trazer a carta que
deixei em casa, a qual preciso Lhe passar! Você me pergunta: `Como vai você?'
quando não tenho nenhum problema; então me evita quando estou mergulhado em
dificuldades! Assim como posso considerá-Lo como meu guru? Como é possível?”
Bhagavan dá esta importante resposta: “Não estou fora; Estou dentro de
vocês. Vês-me externamente a fim de experimentar-Me dentro de vocês.”
Portanto, Bhagavan Baba, a quem vemos durante os momentos de darshan,
externos, deve ser experimentado internamente, dentro. Como é possível? É
humanamente possível? Por que não? Você não pensa por acaso em seu filho, que
está longe de você? Vocês não pensam repetidamente em seu inimigo, que está
longe, mais do que aqueles a quem amamos? Não pensamos nas pessoas que estão
perto de nós? Assim, dizer que não posso pensar em alguém em sua ausência física
é ridículo. Simplesmente não é certo, porque certamente pensamos em quem não
vemos fisicamente. De maneira similar, podemos não ver Swami pela manhã, mas
podemos pensar em vê-lo no nosso interior porque é a única maneira de
estar verdadeiramente perto Dele.
TODOS eStÃO PERTO DELE
Estar perto fisicamente é ilusório; a proximidade física é um mito; o contato físico é imaginação. Esta proximidade lhes faz sentir egoísta. Há algumas pessoas que dizem: “Eu estou muito perto de Baba.” Esse companheiro está se esquecendo do fato que seu capítulo de proximidade física está muito próximo de um fim! (Risos) Por que pensam que estão muito próximo? Ele nunca lhe disse isso. Permita-O dizê-lo quando estiver no estrado, “Tal e qual estão perto de Mim.” Não, é unicamente seu ego que o faz sentir que você está perto Dele. Mas o certo é que Ele está perto de todos.
Ele deu um exemplo: Suponha que você está viajando num trem para Bangalore. O
que você diz? “Bangalore está vindo, Bangalore está vindo.” Mas Bangalore não
vem. De fato, são vocês que está indo para Bangalore. (Risos) Quando
vocês partem de Bangalore e vem a Puttaparthi, quando o trem abandona a
plataforma, vocês dizem: “Bangalore se foi, Bangalore se foi.” Mas Bangalore não
foi. São vocês que deixaram Bangalore. Bangalore continua ainda no mesmo lugar
onde está. Nem veio nem se foi. Somente vocês vieram e se foram.
De maneira similar, somente você sente que está perto Dele, ou que você está
distante Dele. Somente vocês sentem que são íntimos, ou que estão longe ou
estranhos a Ele. Tudo isso é nossa imaginação, nossa ilusão, uma viagem do ego,
um truque da mente. Mas a verdade das verdades e o fato dos fatos é este: o
Guru está dentro de você, e todos estão perto dele! Acredito plenamente
nisto. Tem sido minha experiência. Além disso, é declarado assim em cada texto
espiritual em todas as religiões. Por isso, meus amigos, Guru Purnima é uma
ocasião para sentir o Guru internamente, para experimentá-Lo no
seu interior e escutar interiormente Suas instruções.
SOMENTE QUANDO OS BATENTES EXTERIORES DO RUÍDO Param, A VOZ INTERNA pode ser
OUVIDA
Escutar o quê? Deus lhe fala. “Deus fala comigo?” Por que não? “Como é que Ele não me fala?” Você não lhe deu uma chance para lhe falar. “Por que você diz isso?” Você vai continuar falando para os outros. Assim, onde está o tempo e a oportunidade para que Ele lhe fale? Suponha que nos encontremos e você fica falando sem parar. Então, como posso falar? Se eu falar sem cessar, não lhe darei uma oportunidade de dizer algo. Então, como poderia falar-me?
De maneira similar, quando estamos dedicados ao falar continuamente, não estamos
dando ao Deus interior uma possibilidade de falar-nos. Quão freqüentemente você
O escuta? Assim, somente quando os ruídos exteriores param, a voz interior pode
ser ouvida. A voz interior não é ouvida devido ao elevado ruído exterior. Baba
certamente lhes fala; Deus fala a todos. É o que nós chamamos nossa
“consciência” ou “voz interna”.
INTUIção DIVINA
De repente, você se sente impulsionado a fazer algo, ou de chofre sente um impulso de dizer algo. De imediato, tem um plano. De imediato, uma expressão, um pensamento, uma idéia (que não havia sido possível em sua vida com suas capacidades limitadas) vem como um lampejo! Deve-se a sua consciência......coisas como um clarão. É um vislumbre da Divindade.
Um exemplo simples: O senhor Isaac Newton estava passando sob uma árvore. Quando viu a maçã cair, compreendeu, de repente, a lei da gravitação. Temos visto frutas cairem muitas vezes antes, e o senhor Isaac Newton também deve ter visto a queda das frutas um bom número de vezes. Não deve ter sido a primeira vez que via a queda de uma fruta. Depois de tudo, o homem viu bastante longe. Como é que só nesse momento a lei da gravitação veio a sua mente? Por quê? Intuição Divina! A voz de Deus é intuição. Por favor, entendam isso.
Um outro cientista, enquanto tomava banho, observou a lei da densidade.
Archimedes. Deve ter tomado banho inúmeras vezes. (Não posso acreditar que não
tenha tomado conhecimento do seu banho até esse dia!) (Risos) Ele deve
ter tomado banho duas vezes ao dia até esse dia, mas, de repente, essa lei veio.
Por quê? Como? Intuição--todas as invenções são intuições. Por isso, a voz do
Deus é intuição.
Mas estamos acostumados somente à instrução externa, privada, é por isso que não
entendemos a intuição interior. A intuição é diferente da instrução. (N.T. Aqui
Anil Kumar faz uma comparação dos sons parecidos das palavras tuition= instrução
e intuition = intuição) A instrução é exterior, enquanto a intuição é interior.
A instrução é física, enquanto a intuição é espiritual. A instrução é pessoal,
enquanto a intuição é Divina. A instrução está limitada a um período particular
de tempo, no entanto a intuição se produz ao longo de toda nossa vida, do ventre
ao túmulo, do nascimento à morte. Conseqüentemente, o Guru Purnima é uma ocasião
para que acordemos e oremos para despertar à oportunidade de escutar o
intuitivo, a voz de Deus, nossa consciência, mais do que simplesmente buscar a
intuição externa. É a intuição que importa realmente. Isso é Guru Purnima.
O GURU LHE FAZ EXPERIMENTAR A UNICIDADE
O Guru Purnima é também uma ocasião para realizar a Verdade última. O que é a Verdade última? Há duas palavras: “este” e “Aquele”. O Guru lhe diz que “isto” e o “Aquilo” são somente um. “Este” e “Aquele” não estão separados; são somente um.
Gu-ru: “Gu” está para o twam (Aquele, Brahman), enquanto o
“ru” representar tat (este, o indivíduo). Aquele e este são
um. Você é Aquele: Tat twam asi. De modo que é somente o guru que
o faz experimentar este unicidade “Você é Deus” - Tat twam asi. Aquele e
este são um e o mesmo.
Quando me olho no espelho, encontro meu próprio reflexo. Não vejo mais ninguém
lá. Se eu parar em frente ao espelho e falar como se alguma outra pessoa
estivesse lá, que acontecerá? Toda a família se assustaria e pensaria que algo
não anda bem comigo! (Risos) “Está na hora de levá-lo a um psiquiatra!”
De modo que o reflexo no espelho não é outro que eu mesmo. Ou, se você olhar num
lago ou num tanque, encontrará também seu reflexo lá. Você não pode dizer que vê
algum outro companheiro lá. É somente seu próprio reflexo.
Bhagavan dá um exemplo de um inocente menino rústico, que cuidava de cabras. Ele tomava conta de todos os carneiros no vale. Um belo dia sentiu vontade de gritar. “Ooooooo!” Ele gritou.
Ouviu a mesma voz, “Ooooooo!” Algum outro companheiro devia estar lá!
Gritou: “Ha, Ha, Ha.” Outra vez ouviu-se a repetição: “Ha, Ha, Ha.”
Pensou, “há alguém mais ali! Ele estava repetindo tudo que estou dizendo.”
Tornou-se muito irritado. Começou a gritar e ouviu os mesmos gritos voltar-lhe.
Retornou para casa chorando.
Sua mãe perguntou: “Minha querida criança, por que você chora?”
“Mãe, não quero ir para o campo outra vez.”
“Por quê?”
“Há um companheiro lá que faz tudo que estou fazendo. Estou muito irritado.
Quando grito, grita de volta. O que será isso?”
A mãe sentiu piedade por seu menino e disse: “Deixe-me segui-lo amanhã. Deixe-me
ver o que acontece.”
Foi assim que no dia seguinte, sua mãe foi junto com ele ao campo. Então lhe
disse: “Vamos, grite agora.” O menino gritou e começou o som a se repetir outra
vez.
Então, sua mãe lhe disse: “Não há mais ninguém lá! Não se assuste ou perturbe ou
irrite. Não há nenhum outro menino lá. É somente a ressonância ou eco. Seu
próprio grito está voltando como ressonância (ou eco). Com quem você está se
irritando? Com quem você está indo brigar? É somente sua própria voz!”
De maneira similar, “Aquele” e “este” é um. Deus e você são um. Isso é o que
Swami diz. “Eu e você somos um.” Numa grande assertiva, Ele tornou isso muito
claro: “Você não está separado de mim. Você e Eu somos um.”
Não queremos concordar porque temos nossas próprias fraquezas. Temos nossas
próprias reservas. Não estamos preparados para aceitá-la. Mas a verdade básica é
que você e Deus são um. É somente o nome e a forma que lhes faz parecer como
entidades separadas.
NOME E FORMa
Existem três qualidades básicas - ati, bhati, e priyam ou Sat, chit, ananda - que são comuns a Aquele (Brahman) e este (você), Tat e twam.
Mas há mais duas qualidades extras. Quais são elas? São rupa ou forma, e
nama ou nome. Rupa e nama, a forma e o nome, me fazem
sentir que sou uma entidade separada. Menos estas duas, Eu e Ele somos um.
Tat twam asi.
É por isso, meus amigos, que o Guru Purnima nos transmite a todos esta bela
mensagem que somos básica, essencial e fundamentalmente Divinos. É em verdade
infelizmente que nos deixemos arrastar pelos atributos e qualidades de
prakriti ou do mundo, e nos comportemos de maneira ridícula, nos
considerando diferentes e não Divinos.
A HISTÓRIA DO FILHOTE DE TIGRE
Baba deu um outro exemplo. Parece que um filhote, um bebê tigre, se perdeu no caminho. Este pequeno tigre começou a mover-se junto com as ovelhas. Estava se comportando também como as ovelhas.
Um dia em que as ovelhas pastavam e o filhote de tigre estava entre elas, foram
observados por um tigre. O tigre começou a atacar. Todas as ovelhas fugiram.
Este filhote pequeno quis também fugir.
Então o tigre veio até ele e disse: “porque você foge?”
“Não. Não! Não me mate! Eu sou uma pobre ovelha. Não me mate! Já estou indo.”
Então o tigre lhe disse: “Não. Não! Você e eu somos um e o mesmo! Portanto, por
que você foge?”
“Não. Não! Eu sou diferente. Eu sou somente uma ovelha.”
Então o grande tigre pegou o filhote pela orelha e o trouxe perto da margem da
lagoa. “Venha e olhe na água. Veja, tenho listras em meu corpo e você tem
listras também em seu corpo. Eu digo oarrrrrrr e você diz também oarrrrrrr. Não
bééé bééé bééé. Você não diz isso. (Risos) Nossa língua é diferente a das
ovelhas ou cabra. Além disso, temos listras. Vem companheiro, nos compare! Nosso
corpo, nossa voz e nossa língua são uma e a mesma!”
Somente então o filhote entendeu que não pertencia mais às ovelhas. Foi o tigre
grande que lhe mostrou e lembrou ao filhote sua verdadeira natureza, a qual ele
tinha se esquecido.
O GURU PURNIMA É UM LEMBRETE DE NOSSA VERDADEIRA NATUREZA
De maneira similar, o Guru Purnima representa uma ocasião para que o guru nos lembre da nossa verdadeira natureza, já que sentimos que pertencemos às ovelhas. Não, não, não! Narasimha significa leão. O leão é o máximo na floresta. Você é Narasimha, com a realização plena da Divindade interna. Estão cheios de valor e de força. Nunca se considerem covardes ou tímidos. Não há nenhuma razão para isso.
Alguém perguntou a Swami: “Quando há alguma emergência, alguma coisa séria
acontece na família, o que devo fazer?”
Baba disse: “Esteja certo de que já estou lá antes que você ore a Mim. Esteja
certo de que já estou lá para resolver seus problemas. Então essa emergência
jamais surgirá em suas vidas.” Por isso, meus amigos, Guru Purnima é um lembrete
sobre nossa verdadeira natureza, nossa verdadeira identidade, a que tem sido
esquecida por muito tempo. Entretanto, esta ocasião exige uma compreensão
especial: Ele não vai lhe conceder qualquer coisa nova.
Ontem à tarde um estudante me perguntou: “Quando vou me tornar Deus?”
Eu disse: “Você era o diabo até agora? (Risos) Se você era um diabo até
agora, esperemos e vejamos quando você vai se tornar Deus.”
De modo que não é uma questão de quando e como; é uma questão de entendimento.
Swami diz: “A compreensão total é consciência.” Quando desenvolvemos esta
compreensão total, teremos a revelação de nosso Eu Mesmo verdadeiro, como
Bhagavan disse.
Para isso é necessário certo temperamento e atitude. Para constatar as batidas
do coração, é natural que o médico use o estetoscópio. Uma vez que o usa,
observa como estão as batidas cardíacas. Não significa que meu coração começou a
bater somente quando o médico escutou com o estetoscópio e que vai parar depois.
Não é assim. O coração tem batido todo o tempo. É somente o médico que quer
observá-lo, isso é tudo. As batidas do coração estavam lá, está lá, e continuará
a estar lá, se o médico me examinar ou não. Estou claro?
De maneira similar, meus amigos, este Guru Purnima é uma ocasião para saber que
nada especial ou diferente vai lhe acontecer. Nada extraordinário vai lhe
acontecer. Nada único vai chegar até você. É a experiência Daquele, que já
está existindo. É unicamente o entender Aquele o qual você já é. Não
se trata de algo em que você vai se tornar mais tarde, não. Como Swami diz
claramente: “Uma vez que Maya ou a ilusão desaparece, não voltará.”
Quando você desliga a luz, a luz se vai. Há uma escuridão. A luz não voltará.
Suponhamos que acendam sua tocha; então existe luz. Você não diz: “A escuridão
pode voltar.” Você não diz isso, diz? Assim, uma vez que a escuridão se dissipe,
não voltará.
De maneira similar, uma vez que maya ou a ignorância desapareça, nunca
voltará. A luz que veio nunca partirá. “Tenho medo que a luz parta.” Não. Não.
Não. Você pode ir, mas a luz nunca irá. A luz, a sabedoria, uma vez que chega,
nunca partirá. Essa é jnana (sabedoria espiritual). Ajnana
(ignorância), uma vez que vai, nunca retornará. Jnana, uma vez que está
lá, nunca partirá. Mas há Um que nem vem nem vai. Esse é o Divino. Aquele que
nem vem nem vai é a Divindade, e isso acontece ser a nossa verdadeira natureza.
Conseqüentemente, meus amigos, Guru Purnima é uma ocasião para conhecer os princípios da Divindade, e desenvolver a consciência de que somos verdadeiramente – aquilo que nem vem nem vai. Guru Purnima é um dia para realizar e compreender que não há nada especial que chegue até nós ou que nos vai acontecer.
Algumas pessoas dizem: “Não quero que isto me aconteça.” Se alguém disser: “O
que está acontecendo a mim?”, por favor, peçam para consultar um médico. Nada
acontecerá a você. Não há nada para “acontecer”, não. Guru Purnima é um
entender.
DESprender-se dO MUNDO E UNIR-se A DEUS
O Guru Purnima se trata da percepção consciente e Guru Purnima é um lembrete. Mas devido a nossa natureza, devemos ter alguma preparação. Por exemplo, antes que um médico dê uma injeção, o que ele faz? Aplica um pouco de álcool, e então dá a injeção, não é? Pega álcool e algodão, fricciona na pele, e então dá a injeção. Assim, há alguma preparação. Não chega e simplesmente dá a injeção. Se ele faz isso, você não deve ir mais a esse médico - não vale seu peso em sal.... Do modo que os prepara. Similarmente, para esta percepção consciente, uma preparação é necessária. Que preparação? Preparar uma mesa e uma cadeira? Ou algum dinheiro e uma conta bancária? Não.
Uma preparação é um tipo de anashakthi. Anashakthi significa
desapego do mundo. Anashakthi significa também apego a Deus.
Anashakthi significa apego e desapego. Devemos nos desapegar do mundo e nos
apegar a Deus. É por isso que Swami diz que ashakthi é marakam.
Marakam significa mundano – algo que continua mudando; enquanto que
anashakthi ou desapego é tharakam ou liberação. Portanto, a liberação
ou realização requer desapego.
Não que não a temos. Quando desenvolvemos mais apego por Deus, o apego pelo
mundo vai diminuindo dia a dia. Mas se você tiver mais apego pelo mundo e, não
obstante, ainda diz: “Quero apegar-me a Deus,” é impossível. É por Isso que se
diz que Deus e Mammon (N.T. Espírito da cobiça, da avareza, da riqueza) nunca
poderão estar juntos. Você não pode satisfazer a Deus e ao Satanás ao mesmo
tempo. A escuridão e a luz não podem estar de mãos dadas. É uma questão de
equilíbrio. Uma vez que desenvolvemos mais apego a Deus, o apego pelo mundo irá
diminuindo gradualmente, algo como um equilíbrio composto.
Assim, este Guru Purnima deveria nos abençoar com esta atitude mental de
desenvolver mais e mais apego a Deus, e mais e mais desapego pelo mundo....
ashakthi e anashakthi.
A NATUREZA É O MELHOR PROFESSOR
Bhagavan aparece com outra bonita mensagem, meus caros amigos. Não tenho nenhuma outra tarefa do que repetir Suas palavras. Não tenho nenhuma outra alegria do que lembrar a mim mesmo o que Ele disse em ocasiões e situações diferentes.
Disse: “Se você não tem nenhum guru, não se preocupe. A natureza é o
melhor professor. Não tem que ir buscar nenhum outro professor.” Eu sei. Então,
quem receberá meu dinheiro? Guarde seu dinheiro! Não tem necessidade de perder
dinheiro; você não tem necessidade de desembolsar nenhum dinheiro. A Natureza é
o melhor professor.
Mas como você diz que a Natureza é o melhor professor? Bhagavan disse assim em
seu poema (que não repetirei porque o original está na língua do télugo....a
menos que seja tão vaidoso para lhes mostrar que sei o poema recitando-o,
e..... bem, eu não sou assim tão convencido até agora). Assim dar-lhe-ei a
substância do que Baba disse: A natureza é o melhor professor. Como?
Uma árvore oferece abrigo a todos. Uma árvore nunca dirá: “Somente as pessoas de
Andhra Pradesh podem estar debaixo de mim. Não darei abrigo àqueles de Tamil
Nadu (diferentes estados da Índia).” A árvore nunca dirá: “Esta sombra é somente
para asiáticos; não é para ocidentais!” Não sei que tipo da árvore seria se
tivesse tais atitudes exclusivistas. Uma árvore jamais será exclusivista;
pelo contrário, é sempre toda inclusiva. É assim que a árvore nos ensina a lição
de que todos são um; todos são o mesmo.
Então a árvore carrega frutas, mas não come uma única fruta que carrega assim
laboriosamente. Nós a colhemos e as levamos ao mercado para fazer negócio. Assim
a árvore nos ensina também a lição do sacrifício. Enquanto viva, a árvore
carrega a fruta e a entrega gratuitamente. Finalmente, quando você corta a
árvore e a faz em partes, ela ainda lhe serve, pronta para queimar como lenha.
Assim, enquanto viva lhe dá os frutos, com isso a árvore é útil; após morrer, a
árvore ainda é útil, porque dá sua madeira para queimar. Assim, a árvore
representa o sacrifício, seja viva ou morta. Assim, a natureza é o melhor
professor.
A segunda coisa que Swami disse é: “Os pássaros voam.” Os pássaros voam com
ambas as asas através do céu. Nenhum pássaro lhe pedirá: “Por favor, um
pára-quedas.” Nenhum pássaro lhe pedirá: “Por favor, me dê um balão.” Não, não,
não! Um pássaro não depende de um pára-quedas. Não. O pássaro depende de suas
próprias asas. O pássaro sabe que pode voar por si mesmo, confiando em suas
próprias asas. Não depende de você nem de nada mais. De modo que o pássaro
representa a auto-confiança.
Por outro lado, enquanto voa, não calcula: “Haverá mais frutas lá do que aqui,
assim deixe-me ir lá. Haverá uma acomodação melhor, facilidades melhores lá,
assim é melhor voar para lá.” Nenhum pássaro pensa no amanhã; voa
despreocupadamente. Essa é a razão porque é maravilhoso prestar atenção aos
pássaros voarem atravessando o céu azul.
Sri Ramakrishna Paramahamsa, na idade de dez anos, estava passando por sua
aldeia Kamarkhapur (no estado de Bengal) com uma pequena sacola, retornando da
escola junto com seus companheiros. Levantou sua cabeça e viu muitos pássaros
voando em grupos. Paramahamsa deixou cair seus livros e começou a prestar
atenção naqueles pássaros. Esqueceu-se de si mesmo, perdido em êxtase, elogiando
os pássaros.
É assim que os pássaros representam desapego total, nenhuma preocupação pelo
amanhã. Para os pássaros, não existe nada como fazer planos para cinco anos ou
dez anos. Voam, desse jeito; eles deixam acontecer. A vida de um pássaro o faz
feliz. Quão feliz é o pássaro voando! Mas nos sentimos miseráveis mesmo num
avião. Por quê? Embora estejamos voando, nossa preocupação é amanhã, não no
momento atual, porque nossos pensamentos estão no futuro, não no hoje, não neste
momento. Mas o pássaro vive neste momento. Por isso, os pássaros são
extremamente felizes. Assim, tanto o pássaro quanto a árvore são nossos
professores.
E o que há com a montanha? De que maneira é nosso professor? Verão severo,
inverno severo, fortes chuvas – o que possa ocorrer, as montanhas permanecem o
que são....imperturbáveis. Uma montanha é assim, não vai pedir um cobertor ou um
tapete, nem vai dizer: “Estou queimado já que estou exposto diretamente à luz
solar e ao calor intenso.” Se mantém equilibrada, não importa o clima e a
temperatura. De modo que a equanimidade e a manutenção de um estado mental
equilibrado é a mensagem da montanha à humanidade. Vejam, estas são algumas das
lições que podemos aprender da Natureza.
Baba declarou em seus bonitos poemas: “Tantas coisas estão acontecendo neste
mundo. As pessoas vêm e vão; as pessoas nascem e morrem. Somente observo. Eu
não produzo nenhum som por causa de um nascimento algures; nem Me lamento por
causa das mortes que acontecem em outro lugar. Me mantenho como uma testemunha.
Que se levem os cadáveres em procissão; Eu continuo sendo apenas testemunha.”
Esse é o espaço (akasha) ou céu. O espaço ou o céu é uma testemunha
eterna daquilo que está acontecendo no solo. No solo, acontecem várias coisas,
mas o céu se mantém imperturbado, equânime. Isso é o que o Bhagavad Gita,
2o capítulo quer comunicar. Quer que desenvolvamos essas qualidades. Assim, o
céu é o professor, a árvore é o professor, o pássaro é o professor, a montanha é
o professor. Então, por que não ver a Natureza como o melhor professor? Essa é a
mensagem de Guru Purnima. Isso é o que Bhagavan nos diz.
A TRANSFORMAÇÃO É IMPORTANTE
Também posso falar de outro ponto. Algumas pessoas, neste dia de Guru Purnima, carregam alguns livros e começam a adorá-los. Qual é o divertimento em adorar um livro? Suponha que você esteja com fome, assim trago-lhe doces e algumas outras coisas saborosas. Adoraria essas coisas? Deveria comê-las para saciar e acalmar sua fome. Você deve comer. Não lhes rende nenhum culto aos laddus e pooris, não é assim? Não acredito nisso.
Por isso, meu ponto é que não devem adorar os livros; o que há que fazer em vez
disso, é colocar em prática o que está nos livros. Os livros não devem
ser mantidos somente no altar. Mais do que isso, têm que ser mantidos no altar
de nosso coração. O lugar adequado para as escrituras é no altar de nosso
coração. É ali onde devem ser guardados, não sobre uma plataforma
especialmente decorada ou em um púlpito com flores. Tudo isso não é mais do que
espetáculo externo. É por isso que Swami diz: “Grantha, o livro, lhe
ajudará com a argumentação, vadana.”
Assim, o grantha, o livro, não é para vadana ou argumentação, mas
para o sadhana ou a prática espiritual. A vida é para o sadhana,
prática espiritual, não para vadana, argumentos. Essa é a mensagem do
Guru Purnima. As pessoas têm a prática usual de manter livros no altar e de
render-lhe culto repetidamente.
Não
temos escassez de adoradores; são muitos. Simplesmente olhem a tevê.
....qualquer função, qualquer ocasião, qualquer procissão de qualquer religião
terá milhares de pessoas participando nelas, que continuam a ser golpeadas pela
tristeza, cujas vidas continuam a ser trágicas, aflitas, que não vêem nenhum
raio de esperança. Por quê? As procissões e as atividades são somente ocasiões;
não são para a transformação.
Não é a ocasião que queremos; não é a informação que queremos. É a
transformação que se espera. Assim, Guru Purnima é uma ocasião para a
transformação, não para a coleção de informação. A informação sobre a
transformação está muito bem, do contrário é uma carga. Isso é o que Baba disse.
Alguém pode repassar os Vedas, ou pode atravessar todas as Escrituras
Sagradas; mas se não houver nenhuma pureza no seu coração, de que servirá? É
algo como a terra estéril, inadequada para o cultivo. Assim o coração não deve
ser estéril; o coração deve ser uma terra apropriada para o cultivo. A mera
erudição não lhe ajudará. Isso é o que Bhagavan diz.
DEUS
se MANIFESTA COMO NATUREZA - A NATUREZA não mANIFESTa É DEUS
Aqui há outro ponto que temos que lembrar nesta ocasião, porque estamos muito perto do Guru Purnima. É isto. Swami disse: “Em realidade, Deus se manifesta como Natureza. A Natureza não manifesta é Deus.” Isso é tudo. Deus e a Natureza não são diferentes. Simples; é assim. Cubro meu corpo com um cobertor, assim você não me vê. Mas uma vez que removo o cobertor, você pode me ver. Isso é tudo. Deus cobre a Si Mesmo com o cobertor da natureza. Oculta-se detrás da Sua Natureza; do contrário, como poderia ser tão bela a natureza? A natureza é tão bonita! Por quê? Deus está atrás dela!
É algo como um cantor de fundo. Há um ator que não pode cantar. Se este ator
cantar, nem mesmo sua esposa pode suportar ouvi-lo! (Risos) Embora ela
possa amá-lo, sua esposa não apreciará sua voz porque é tão ruim. Assim usam
preferivelmente um cantor de fundo (um artista da gravação), cuja voz melodiosa
faça a música mais interessante. Similarmente, Deus, o Divino Diretor atrás da
criação, o Próprio Criador, o Diretor da criação, faz a criação tão
interessante, tão fantástica, e tão fabulosa.
O ponto é então que, uma vez que elimino este cobertor, você vê-me claramente.
Similarmente, quando você vai um pouco além da criação, experimentará o Criador.
De modo que o Criador deve ser experimentado na própria criação. Ele não é algo
diferente.
Algumas pessoas dizem: “Estou farto deste mundo.” Por favor, saibam também que o
mundo está igualmente farto de você! (Risos) Outros dizem: “Gostaria de
deixar minha casa e ir para a floresta.” Bem, poderia ser um grande alívio para
a família! Estão somente esperando para ouvi-lo dizer isso!
Mas na verdade não é assim, meus caros amigos. Deus deve ser realizado neste
mundo, porque o mundo é a criação de Deus. Quando lhes dou esta caneta, quero
que façam uso dela. Quero que se sintam orgulhoso desta caneta, e felizes com
ela. De maneira similar, a criação é o presente do Criador. Assim, Deus é o
mundo positivo. Deus não é o mundo negativo. Por favor, esteja certo que é
assim.
Há algumas pessoas que dizem: “Sr. Anil Kumar, você ama a música!”
Digo: “Por que não?”
“Não, não, não! Sou um homem espiritual; não gosto de música.”
Oh, já sei. Deixe-me manter longe de você! Há algumas pessoas que não amam a
música, poesia, dança e tudo isso porque pensam que a espiritualidade é contra
estas coisas. Pobres pessoas! Não há nenhum encanto na vida sem música. Não há
nenhum glamour na vida sem dança. Não há nenhum interesse na vida sem poesia. A
vida é poética! A vida é a dança cósmica, rasa leela.
Por isso, a vida é multidimensional. Se a vida fosse unidirecional, seria enfadonha. Sempre venho, e vocês se sentam a minha frente. Por dois dias, está tudo bem. Mas no terceiro dia, você terá desejo de cuspir na minha cara! (Risos) Por isso, a vida é música, a vida é dança, e a vida é alegria. Desfrutemos, porque a vida é o presente de Deus. Deus não é vida negativa; de outra forma, por que Ele teria criado a vida? Ele pode ser simplesmente Ele Mesmo. Deus Mesmo disse: “Me multipliquei a fim de amar a Mim Mesmo.” Isso é o que Baba tem dito muitas vezes. “Separei-me de Mim Mesmo em muitos para poder amar a Mim Mesmo.” De modo que a vida é Deus.
Por isso o Guru Purnima é uma ocasião para inquirir, em profundidade, toda esta criação como um presente de Deus. Devemos desfrutá-lo de uma maneira apropriada.
A RENDIÇÃO A Si mesmo É felicidade
Quero também trazer a sua mente outro ponto, meus amigos. Uma vez que nos
rendemos ao Si Mesmo interno, teremos uma vida de felicidade. Quando se entregam
a uma outra pessoa, sua vida será miserável. Mas, o entregar-se ao seu Si Mesmo
é Atma adheena. Adheena significa “controle”, enquanto Atma
é o “Si Mesmo”. Quando se entregam ao Si Mesmo, Atmadheena, você terá uma
vida de felicidade.
Mas se você se render e cair nos pés de qualquer Tom, Dick ou Harry, é
paradheena. Para significa “estranho”. Para é diferente do
adheena. Quando você está sob o controle de mais alguém, desaparecerá toda a
alegria, porque essa pessoa estará monitorando-lhe. Dir-lhe-á o que fazer, o que
dizer, aonde ir, o que comer, o que não comer, quando dormir, quando se levantar
até que você esteja acabado! Isso é paradheena. Paradheena,
entregar-se a outro é servidão, e é condicional. A vida estará circunscrita;
limitada; perderá seu sabor quando você se submeter às mãos de alguma outra
pessoa.
Por outro lado, Atmadheena.....sim!....Tenho a vontade de fazer isso.
Tenho o desejo de fazer aquilo! Tenho minhas próprias escolhas; Tenho meu
próprio gosto; tenho minhas próprias preferências. Isso é Atmadheena.
Assim Guru Purnima é uma ocasião para se entregar ao nosso Si Mesmo, mas não a
qualquer um.
Meus amigos, poderia continuar falando assim, mas já são 11:35! Sei que
estaremos ansiosos para ter este darshan da tarde. Na semana seguinte, se
Deus quiser, continuarei este mesmo assunto do Guru Purnima. Oxalá Bhagavan
esteja com vocês agora e sempre!
Anil Kumar concluiu com o bhajan, “Ksheerabdi Sayana Narayana Sri Lakshmi Ramana Narayana.”
Sainath Baba Maharaj Ki Jai!
Muito obrigado.
OM…OM…OM…
Asato Maa Sad Gamaya
Tamaso Maa Jyotir Gamaya
Mrtyormaa Amrtam Gamaya
Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Om Shanti Shanti Shanti
Jai Bolo Bhagavan Sri Sathya Sai Babaji Ki Jai!
Shirdi Vasa Ki Jai! Dwarakamayi Ki Jai!
Jai Bolo Bhagavan Sri Sathya Sai Babaji Ki Jai!
15 de julho de 2007
“O Significado do Guru Purnima”
(Parte 1)
OM…OM… OM …
Sai Ram
Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,
Queridos Irmãos e Irmãs,
Encontramos o ashram completamente cheio de jovens estes dias. Por quê? Vamos ter a Conferência Internacional da Juventude de 26 a 28! Falaram-me que a abertura seria na manhã do dia 26 e o encerramento na noite de 28. Então a culminação será o dia 29, que é próprio Guru Purnima.
Compreendo também que vamos ter uma série de reuniões, discussões e sessões de
pergunta e resposta, com um número de jovens participantes de diferentes partes
do mundo. Fizeram muitas perguntas, que serão respondidas em sessões diferentes
pelos membros do painel designados para esta finalidade. Assim, parece que vai
ser um período bastante ocupado. É tão agradável encontrar estes jovens
internacionais movendo-se em torno do ashram!
A religião é para os jovens; a espiritualidade é para
os jovens. Esqueçamos da falsa noção que a espiritualidade está destinada
somente aos velhos. Não continuem pensando que é somente para pessoas
aposentadas. Não. Porém nos permita definir quem é novo: jovens no
espírito, jovens no pensamento. Atividade, dinamismo e
liderança.....essas são as qualidades da juventude, não a data do nascimento.
Encontramos alguns companheiros que não podem nem mesmo ficar em pé por uma
hora. Assim não é a data de nascimento ou a idade que determinam à juventude;
não, é a atividade.....é o espírito que importa.
A maioria de nós sabe que Arjuna, quando ouviu o Bhagavad Gita, tinha mais de 70 anos. Krishna, que concedeu este ensinamento com Sua voz celestial, que ensinou o Bhagavad Gita a Arjuna, estava quase com 80 na época. Inclusive o capitão principal do exército inteiro dos Kauravas na guerra de Kurukshetra, Bhishma, tinha em torno de 100 anos de idade! Havia também pessoas muito mais velhas, peritos como Dronacharya, que também tinha idade avançada. De modo que, digam-me, agora quem são “jovens”? Como definir juventude? O ponto é que é o espírito que importa e faz a diferença. O que conta é a atividade.
QUEM É O GURU?
Mantendo em mente o Guru Purnima, gostaria de compartilhar algumas das minhas idéias sobre este tema esta manhã. Quem é o guru e como identificar um guru? Hoje em dia, há muitas pessoas que reivindicam ser gurus. Há muitos gurus, e cada guru tem um seguinte. Assim, como identificar um verdadeiro guru?
Há alguns gurus que lhes cobram. Se você quiser aprender meditação, custa
uns 1.000 dólares. Se você quiser aprender yoga, uns 100 dólares, ou algo
assim. “Aprenda yoga em vinte dias, e meditação em trinta dias.” É como
um mercado, como bem sabem, com preços variados como estes. Muito bem. Você
saberá o período de tempo requerido e o preço suposto que se tem que pagar.
Meus amigos, por favor, recordem sempre um ponto importante: Onde o dinheiro
está envolvido, não há nenhum Deus; onde o dinheiro está envolvido, não há
nenhum guru verdadeiro. Por outro lado, é baruvu. Baruvu é
um termo télugo que significa “uma carga, um peso considerável, ou um peso
inoperante”. Assim, tal pessoa não é um guru ou um preceptor; é um
baruvu, uma carga, quando há dinheiro envolvido. Por que devo dizer isso?
Todos os cinco elementos lhes são dados de maneira totalmente gratuita.
Estrelas, sol, lua, vales, montanhas, todos os jardins e as flores estão
livremente disponíveis para todos. Deus é gratuito! É o guru intermediário que é
caro e oneroso. Por isso, a primeira coisa que temos que aprender é que quando o
dinheiro está envolvido, não há de modo algum um guru verdadeiro! Onde há
um pagamento, cobranças e coleta de fundos, não haverá em absoluto nenhum guru!
O segundo ponto importante é que temos que saber muito claramente qual é o papel
de um guru. Ele lhe mostrará a senda, mas não o carregará ao longo da
senda. Se você me perguntar onde a cantina está, mostrar-lhe-ei o caminho. Mas
não me espere carregá-lo lá, fazê-lo sentar-se e comer....esse não é meu
trabalho. Meu trabalho é mostrar-lhe somente a maneira, isso é tudo. É sua
responsabilidade seguir pelo caminho mostrado. De modo que o papel do guru
é mostrar-lhe o caminho. E o dever de vocês é caminhar pela senda mostrada.
Em terceiro lugar, nada mais pode ser feito por vocês. Por favor, creiam-me.
Nós, em nossa ignorância e devido à intensidade de nossos problemas, a carga dos
problemas do mundo, da família e outros, queremos que alguém venha para nos
resgatar. Queremos que alguém nos salve destas situações. Mas a verdade básica é
esta: ninguém pode fazer por você. Terão que se esforçar pela sua própria
liberação, para sua própria salvação. Terão que se esforçar por si mesmos.
Ninguém pode fazê-lo para você ou em seu nome.
O
GURU É UMa placa orientadora
Baba deu um exemplo também. Parece que um comerciante foi ver um guru. Ele disse: “Senhor, por favor, dá-me um mantra para minha salvação”.
O
guru se apiedou dele e disse: “Não se preocupe, este mantra é muito simples:
Om Namah Shivaya.”
“Quantas vezes tenho que repetir, Swami?”
“Somente 108 vezes.”
Então este homem perguntou a seu guru: “Pedirei para que meu empregado o
repita? (Risos) Faço repetidas cópias xerox, ou pego cópias no
computador?”
Então o guru sorriu e disse-lhe: “Você pedirá para que seu empregado coma
em seu nome? Pedirá a seu funcionário que desfrute de todos os benefícios e
lucros do seu negócio? Quando cair doente, pedirá a seu funcionário para tomar
os remédios por você? Ou quando seu empregado sofrer uma fratura, você colocará
o mobilizador por ele?”
De modo que aqui, não há nada que possa considerar-se como representação; não há nada que alguém possa tomar para sua responsabilidade. Quem quer escapar de suas responsabilidades recorrem a estas coisas. É aqui que nos confundimos e nos atolamos no nosso processo pensante. Por isso, meus amigos, o guru é uma placa de sinalização. O guru é quem o dirige, que lhe mostra claramente a senda; mas não andará em seu nome. Acho que fui muito claro.
TRÊS ASPECTOS IMPORTANTES DE UM GURU
Há os três aspectos importantes de um guru. Quais são eles? Recita-se freqüentemente na frente de Bhagavan, e em casa:
Guru Brahma, Guru Vishnu, Guru Devo
Maheshwaraha,
Guru Sakshat Parabrahma, Tasmay Shree Gurave Namah.
É uma oração em elogio ao guru como Brahma. Brahma é o criador. Você elogia o guru como o criador, Brahma mesmo. É possível? Pode o guru ser Brahma, o criador? Se é assim, o que ele está criando?
Guru Vishnu: Vishnu representa o sustento ou a manutenção da criação. É o
sustentador, que mantém todo o universo. Como pode o guru ser Vishnu?
Como é possível? Eu O encontro todos os dias na manhã e à noite. Movo-me com Ele
em Sua companhia. Assim, como posso pensar nele como Brahma e Vishnu?
E por último, está Maheshwara ou Shiva, que é o aniquilador ou o destruidor. Se
meu guru quisesse também destruir, não gostaria de vê-lo outra vez. Como
ele pode ser Shiva? Se quiser ser Shiva, deixemos que esta seja a última vez que
nos encontramos!
Mas há alguma verdade nesta oração. Não é por nada que esta oração é oferecida
em elogio ao guru. Tem algum significado. Explicarei.
Brahma representa a criação. Brahma é o criador. Um guru também é alguém
que cria. O que ele cria? Cria novos pensamentos em você, pensamentos sagrados,
vontade por fazer, o espírito da aceitação, o espírito da devoção, humildade,
simplicidade, espírito de sacrifício, e amor pela verdade e pela paz. Por isso,
o guru cria certas verdades sagradas e nobres dentro de você. Neste
sentido, é o criador. (Não se trata de que vá criar o mundo inteiro na sua
frente, ou fazê-los testemunhar o drama, ou criar uma exibição, não.)
BHAGAVAN, O TRANSFORMADOR
Estranhamente, com respeito a Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, encontramos este aspecto criador de maneira muito particular e peculiar. Até onde sei e com minha experiência, poderia dar-lhe alguns exemplos, exemplos que incluem a maioria de nós.
As pessoas que estão cheias de raiva, mau humor e outras emoções negativas, vêm
a Bhagavan. Após duas ou três visitas.... ou na primeira visita, se a pessoa for
afortunada bastante.....perde sua raiva e mau humor. Desenvolvem um pouco mais
de equilíbrio; aprende a ser um pouco mais calmo. Entretanto, não há nada
registrado que Baba tenha falado com ele. Nem temos nenhuma fotografia deste
homem recebendo mantras de Bhagavan. Contudo é uma pessoa transformada
após ter visitado Bhagavan Sri Sathya Sai Baba! É algo que parece muito estranho
para sua família, e completamente inacreditável a seus amigos e colegas. “Como
este companheiro tornou-se tão calmo e equilibrado? O que Baba lhe disse sem que
nosso conhecimento?”
Este é o estilo peculiar, a “dinâmica espiritual” de Bhagavan Sri Sathya Sai
Baba. Poderíamos chamá-la “eletrônica espiritual”. Produz uma mudança dentro de
você, despercebida. Você não sabe que você está mudando; você não sabe que há
uma mudança ocorrendo dentro de você. Mas há uma mudança acontecendo. A partir
de que data isto começou, você não sabe. Como aconteceu? Você não sabe. De fato,
você nem mesmo pode saber que você mudou até que alguém o diga, “Você não era
assim antes!”
Avarento número 1 - Alguém que nunca deu qualquer coisa a ninguém, que sabe
somente acumular riqueza – de imediato começa a sacrificar seu dinheiro para as
atividades de seu Centro Sai, para apoiar alguns acampamentos médicos e tudo
isso. Nunca sabemos quando Swami lhe pediu que desse dinheiro. Não, não, não
temos testemunhado nenhum incidente onde Swami diz a qualquer um: “Você vai doar
algo.” Mas observamos que o sujeito está começando a fazer doações. Aquele
companheiro que só estava recebendo, recebendo e recebendo para si mesmo até
agora, começa a dar e dar aos outros. Como isto aconteceu? Não sabemos. Quando
ele mudou? Ele mesmo não sabe. Baba disse-lhe qualquer coisa abertamente,
publicamente, do tipo: seja caridoso, compassivo e desenvolva o sentimento de
compartilhar? Não. Mas ele começa a dar. Como? Essa é a verdade misteriosa de
Bhagavan.
BABA, O CRIADOR
Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, no papel de Brahma, no papel do criador, o Divino Guru, o Divino Mestre, produz metamorfose, desenvolvimento e mudança de maneira despercebida, de maneira oculta, secreta, sem conhecimento de ninguém (inclusive você), porque é Bada Chita Chora, um “grande ladrão”, um ladrão experiente. Chita Chora: Ele rouba seu coração de tal maneira que começa a desenvolver determinadas características sem seu próprio conhecimento. Baba é o Criador, o Divino Mestre e o Guru Brahma, como Ele misteriosamente instila, imbui e cria em você estas características e pensamentos nobres.
BABA, O SUSTENTADOR
Em segundo lugar, como Guru Vishnu, o sustentador, Ele mantém aquelas qualidades que Ele criou em você. Não é bastante se você semear sementes no jardim. Não é bastante se as sementes crescerem num novo rebento, uma planta nova. É mais importante que cuide dela. É mais importante ver que estes brotos não sejam comidos por uma cabra ou por uma vaca que passe por ali. Tem que cuidar do jardim; tem que mantê-lo; tem que protegê-lo. Tem que ir podando as folhas de modo que a pequena planta se converta num arbusto. Deve nutri-la, adubá-la e molhá-la. Tem que cuidar dela de todas as maneiras. Esta manutenção é o trabalho de Vishnu.
Bhagavan Baba como Guru é também Vishnu. Como você diz isso? Uma vez que
você está com Ele, uma vez que você entra no campo magnético de Bhagavan Sri
Sathya Sai Baba, você não pode sair! Creiam-me, por favor. Você não pode sair,
isso é tudo. Ele se preocupa de que sejam continuamente atraídos, e que não pode
ir-se. Mesmo se você pegar o vôo seguinte, vai querer retornar imediatamente no
próximo vôo. Você simplesmente não pode ir. Uma vez que você esteja em seu
campo, estará na senda.
Mais tarde, mesmo se você quiser se desviar da senda que lhe foi dada, logo voltará a ela. Ele não permitirá que você faça de outra maneira. Ou Ele lhe impedirá de se desviar. Sabemos de muitos exemplos em que as pessoas quiseram se desviar da senda ou transgredir o código de conduta. Finalmente, se recobraram. Não podem renunciar a Ele.
Posso dar-lhe uma quantidade de exemplos. Swami apareceu em sonho, dizendo a uma
pessoa: “Não negligencie seu dever.” Swami apareceu fisicamente a uma outra
pessoa dizendo: “Faça seu trabalho corretamente.” Ele o fez; está nos registros.
Aqui está uma outra história: Um doutor estava na mesa de operação. Queria
operar seu paciente, mas o paciente tinha muita idade e uma série de
complicações – uma espécie de “caso perdido”. (Havia se submetido a outras
operações antes, assim esta seria a última. Não haveria uma “próxima” operação,
porque muito provavelmente, seria “no outro planeta”, porque era um caso sem
esperança!)
Este doutor tinha dito antes à senhora idosa: “Não vou operá-la porque já são
tantos que a trataram, e todos falharam. Não quero fazê-lo. De modo que, por
favor, vá embora”.
Mas naquela noite Baba apareceu em sonho dizendo-lhe: “Vá somente a esse
doutor.” E ela foi e continuou insistindo até que ele teve que aceitar e a
admitiu no seu hospital. Esse jovem homem tinha começado a sua prática somente
recentemente. Se ele começou com este caso, você pode compreender suas
expectativas na área. Mas esta senhora não o deixou. Então, o que fazer? Aceitou
finalmente.
Assim ela estava ali na mesa de operação, e já ia começar a cirurgia. (Isto está registrado claramente para todos que queiram ler. Entendam, por favor, meus amigos, esta história está registrada em detalhes. Seu nome é Dr. Ranga Rao.)
Agora, este jovem homem procurou a assistência de outros médicos porque pensou:
“Deixe-nos compartilhar o descrédito; deixe-nos agarrar o crédito (se há algum)
e compartilhar do descrédito (que deve vir) (Risos) Em outras palavras,
ele quis a ajuda de alguns médicos experimentados, de modo que pudesse salvar
seu prestigio, dizendo que ela morreu por causa deles, não por sua causa. (Risos)
Para a grande surpresa de todos, enquanto a operação estava acontecendo, o que
aconteceu? Enquanto o mesmo Ranga Rao estava operando, seu avental branco - o
jaleco que estava usando tornou-se vermelho! Todos estavam prestando atenção. E
enquanto estava operando, podia sentir que suas mãos já não eram suas mãos.
Assim, toda sua bata ou avental tornou-se vermelho como a veste de Swami, e ele
sentiu que tinha as mãos de mais alguém, não suas mãos, fazendo a cirurgia.
Os outros médicos começaram a observá-lo. (Nenhum médico usa a cor vermelha no
teatro porque o sangue perdido durante a cirurgia é vermelho o bastante!). Todos
se perguntavam o que estava acontecendo. Mas não o questionaram porque a
cirurgia avançava rapidamente; não podiam atrasar os procedimentos. Então, no
final, depois de ter terminado os pontos e tudo isso, seu avental voltou a ser
branco outra vez. Somente nesse momento pode sentir suas próprias mãos outra
vez, não de mais alguém, como durante os procedimentos da cirurgia.
Mais tarde veio a Prashanti Nilayam. Lá Baba lhe disse: “Você não pode evitar
sua responsabilidade. Você não deve expulsar nenhum paciente daquela forma
quando vêm a sua porta. Eu fiz com que ela fosse vê-lo, porque você não
estava preparado para fazê-lo. Eu fiz a operação. Está claro para você?”
Isso é o que Baba lhe disse.
De modo que, uma vez que creiam Nele, uma vez que você aceite determinados
princípios, você não pode desviar da senda. Ele não permitirá que você o faça.
Além disso, ajudar-lhe-á a manter seus princípios.
Neste momento, há uma diretora de um instituto superior aqui no ashram. É uma grande devota de Bhagavan. Mas o que aconteceu no ano passado? Houve uma greve organizada pelos estudantes lá em sua faculdade. Poderiam ter abandonado o campus; poderiam ter permanecido em casa. Mas infelizmente, estes companheiros recorreram à violência. Essa pobre senhora se viu cercada por uma multidão. Tinha a foto de Baba sobre sua mesa e se pôs a orar. “Swami, a que se deve tudo isto?”