15 de abril de 2007

 

“Deixe-nos Aprender a Nos Aceitar Como Somos”

 

OM…OM…OM…

 

Sai Ram

 

Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,

 

Queridos Irmãos e Irmãs,

 

O SIGNIFICADO DO ANO NOVO

Eu não sei o significado exato da palavra Vishu, mas desejo-lhes um feliz Vishu! (Risos) O Ano Novo é uma oportunidade para fazer uma retrospectiva do ano que se foi e avaliar as nossas ações. É uma ocasião para agradecer a Deus por todas as nossas realizações no ano que passou. Ao mesmo tempo, é uma ocasião para aprender lições a partir de nossos erros. A falha é tão útil quanto o sucesso, porque sem falha não pode haver sucesso. O sucesso adquire muito mais sentido quando houve um fracasso; são como o anverso e o reverso da mesma moeda.

 

ACEITE-SE A SI MESMO TAL COMO É

Gostaria de chamar sua atenção para o que Bhagavan tem dito em ocasiões como esta - especialmente nas celebrações do Ano Novo: Primeiramente, deixe-nos aprender a nos aceitar como somos. Surgem problemas quando queremos ser como outra pessoa. A vida torna-se miserável. Ninguém pode transformar-se em outro alguém - isso é impossível; é contra as leis da natureza. Alguém pode imitar com sucesso, mas uma Xerox é uma Xerox e uma cópia de carbono é uma cópia de carbono, enquanto o original é absolutamente original. Seremos um fracasso total se quisermos copiar outro alguém, e não apreciaríamos os dons que Deus deu individualmente a cada um de nós. Assim, meu humilde pedido a vocês (e um tipo de lembrete a mim mesmo) é que nos aceitemos tal como somos, e como fomos projetados.

 

Em segundo, Bhagavan tem dito que, como nos voltamos para o nosso interior, devemos estar numa posição que permita descobrir a si mesmo. Que significa descobrir a Si Mesmo? Descobrir o próprio Si Mesmo significa descobrir os talentos que nos foram dados por Deus. Deus deu-nos determinadas capacidades e habilidades. Todos temos o potencial para crescer no devido tempo. Assim, o Ano Novo deve ajudar-nos neste processo de Auto-descoberta.

 

A ESPIRITUALIDADE TRATA DA EXPERIÊNCIA

A espiritualidade é uma viagem eterna. É uma viagem na qual não podemos parar em nenhum estado em particular. Nesta viagem, nunca estaremos cansados. Desde a forma para o sem forma, do nome ao sem nome, do tempo ao atemporal e do espaço para além do espaço - esta é a contínua viagem espiritual.

 

Alguém me perguntou: “Havendo estado aqui, havendo realizando nosso sonho, o que é que devemos fazer?” Eu disse que não havia nada a ser feito, mas há tudo a ser experimentado. Fazer representa um esforço mecânico, humano, psicológico; envolve planejar, estratégia, e administrar; experimentar; no entanto, acontece sem esforço humano. A experiência é espiritual; é Divina e destinada. Experimentar sem fazer é o que você tem que aspirar na senda espiritual. Portanto, que este Ano Novo ajude-nos a mover-nos do fazer para o experimentar.

 

PASSAR DA DÚVIDA AO INDUBITÁVEL

É também importante ter firmes convicções. Como Bhagavan diz, a dúvida vem no caminho da nossa vida. As dúvidas são positivas e negativas. Mas se duvidássemos eternamente nos tornaríamos loucos! O duvidar demasiado é uma doença.

 

Alguém perguntou a Swami: “Sei que o Senhor está fazendo tudo para mim, sei que sou o que sou por causa de Sua infinita graça. Mas, às vezes, duvido se o Senhor fez algo ou se o consegui por mim mesmo.

 

Por favor, anote a resposta de Baba: “Qualquer coisa que lhe faça duvidar não é real.” É ilusão, é engano, é imaginação. Conseqüentemente, devemos rezar para passar da dúvida para a indubitabilidade. Deixe que seja nossa nova experiência.

 

Você não duvida se sua mãe é realmente sua mãe. Você pode duvidar da existência de Deus, mas você não duvida do amor, porque o amor está em sua experiência. É por isso que Ele tem dito: “Amor é Deus, Deus é amor, viva no amor.” O amor é o primeiro passo, enquanto a experiência de Deus é uma peregrinação. De modo que em nossa contínua viagem espiritual, a experiência de Deus também será eterna.  Portanto, queira este Ano Novo ajudar a nos estabelecer firmemente na convicção profunda e livre de dúvida.

 

DESENVOLVER O ESPÍRITO DE RENDIÇÃO

O segundo ponto do que fala Bhagavan em ocasiões como esta, é também muito importante: Tudo que acontece na vida é Divino, e é de acordo com o projeto de Deus. Sofremos somente quando queremos que as coisas aconteçam de acordo com nossos desejos. Às vezes, questionamos Deus porque queremos que Ele se comporte de uma certa maneira e Ele não o faz.

 

Por exemplo, quero que Deus dê Seu darshan às 6:30 h, e quero que fale (de preferência comigo e que evite os demais). É assim que tenho meu próprio projeto, meu próprio plano, e desejo que Deus aja dentro deste padrão definido. Mas Ele vem às 8:30 h e me ignora completamente - quando produz um desvio de minhas expectativas –surgem o sofrimento e as dúvidas. Quando nos libertamos da dúvida, desenvolvemos o espírito de aceitação e de rendição. “Sim, é deixado para Swami,” dizemos. “O que quer que Ele deseje fazer, o fará.”

 

INCERTEZA É VIDA

Alguém me perguntou esta manhã: “Anil Kumar, você espera que Bhagavan faça um discurso esta manhã?” Eu disse: “Nós estamos no curso da vida – o discurso virá mais tarde.” (Risos) Como posso dizer se haverá ou não um discurso? Embora Deus tenha dito claramente: “Amem Minha incerteza,” não começamos ainda a amar sua incerteza. Com essa declaração, Ele tem deixado muito claro Sua agenda; Ele tem deixado muito claro Seu plano: “Amem Minha incerteza”.

 

Devemos amar Sua incerteza. Há uma implicação mais ampla, uma ramificação mais profunda, nessa declaração. Devemos aceitar que não temos controle sobre nada e nem conhecimento prévio da maioria das experiências em nossas vidas. Ninguém pode definir a hora exata da partida deste planeta. Por exemplo, apesar dos avanços da ciência e da tecnologia, particularmente no campo da medicina, não podemos predizer o momento preciso do nascimento ou da morte.

 

Assim como o nascimento e a morte são incertos, assim é a vida. A vida é projetada para ser incerta. A certeza e a previsibilidade carecem de gosto! Onde está o entusiasmo quando você sabe a programação para toda sua vida: as aulas começam às 9h, o escritório abre às 10h, você se casa aos 20 anos de idade, se aposenta aos 50 - onde está a emoção? A beleza encontra-se na incerteza. Na incerteza há um estímulo, emoção e o anseio de esperar por algo que ainda é desconhecido.

 

Swami não é um avião programado para estar aqui numa determinada hora. Todas as coisas que são mecânicas, por definição, operam com certo grau de certeza. O que é mecânico é seguro. Mas aquilo que é original ou criativo é incerto. Permitam que a vida seja incerta e orgânica; não vivam como uma máquina!

  

“ISSO QUE É REAL EM MIM SIMPLESMENTE BROTOU!”

Numa ocasião estava em Whitefield um famoso cantor de Tamil Nadu, chamado Sundarajan. Estava parado a uma boa distância de Swami. Ele pediu que o músico cantasse, dizendo: “Vamos, cante algumas canções.” Mas Sundarajan não estava preparado. Disse, “Swami, não precisamos de instrumentos?” Para um cantor cantar sem instrumentos é uma tortura (Risos), porque a maioria dos músicos depende deles. Mas Swami lhe disse: “Vamos cante,” de modo que Sundarajan começou a cantar. Após uma canção, Swami teve piedade dele e pediu que alguns estudantes lhe ajudassem, e o acompanharam com instrumentos musicais.

 

Mais tarde me encontrei com Sundarajan e perguntei: “Você deve ter dado numerosos concertos; o que lhe pareceu o espetáculo desta manhã?” Me respondeu: “Amei esta manhã mais do que qualquer outra. Todas as interpretações que dei antes estavam baseadas numa plena preparação da minha parte, completa com os instrumentos e outros artistas. Esta manhã, quando Swami pediu que cantasse - tudo aquilo que é real em mim, que está latente em mim, o que é imanente em mim, o que é original em mim - simplesmente brotou.” Foi assim que esta incerteza fez Sundarajan desfrutar a experiência.

 

Acho que Swami faz aquilo intencionalmente. Um dia Swami estava sentado no estrado, e a certa distância estavam algumas pessoas que trabalham nas diferentes alas da organização de Prasanthi Nilayam. Repentinamente pediu que um deles viesse para frente. Isto era inesperado – particularmente quando está sentado no estrado, porque Swami usualmente somente pede aos estudantes que Lhe passem suas cartas. Mas neste dia, pediu a alguém que estava sentado a uma distância para levantar-se e chegar mais perto. Todos estavam olhando ao redor com curiosidade para saber a quem Ele estava chamando. Swami apontou a um companheiro e disse: “Você levante-se”.

 

Aquele homem veio e Swami materializou uma corrente para ele. Não preciso dizer que este homem passou um bom tempo para se recobrar! Se tivesse sido um estudante, um desportista ou um cantor e recebesse um presente deste tipo, ele poderia ter esperado por isso. Mas para uma pessoa que jamais sonhara que qualquer coisa semelhante poderia acontecer, e que estava sentado longe, para Swami chamá-lo e lhe dar uma corrente.... bem, acho que deve ter sido preciso, pelo menos um ano, para voltar ao normal outra vez! Nisto encontra-se a beleza da incerteza – a emoção e o estímulo!

 

Quando Swami diz: “Amem minha incerteza,” Ele não quer dizer que temos que estar preparados para a frustração, o desapontamento, ou a depressão - particularmente agora, quando esperamos cada vez mais pelo darshan de Baba (às vezes, uma hora ou uma hora e meia ou ainda mais). Deixe-nos tirar vantagem desta situação, de modo que nossa espera não seja um desperdício de tempo. Se, enquanto esperamos, pensarmos Nele mais e mais, O esperamos mais e mais, ou compartilhamos experiências sobre Ele com nossos amigos mais e mais – isto se somará ao nosso tempo espiritual.

 

Do mesmo modo que os pilotos da força aérea cobram seu salário por suas horas de vôo, assim também os devotos teriam um “bônus“ extra por causa do tempo de espera – que se somaria aos assim chamados “ganhos” na vida espiritual. Conseqüentemente, esperar não é nenhuma razão para desapontamento, sofrimento ou frivolidades, e “Amem minha incerteza” não é uma declaração sem sentido. Seu significado é muito profundo.

 

REALIZE O DIVINO SERVINDO A SEUS COMPANHEIROS

Este Ano Novo deve também ajudar-nos a amar a natureza e o mundo. A natureza que vemos em torno de nós não pode ser negligenciada porque, como se costuma dizer, Vishwam Sarvam Vishnumayam Jagath - o mundo inteiro é totalmente Divino. Não podemos negligenciá-lo. Do mesmo modo, o corpo é presente de Deus e não podemos ser descuidados com ele. Devemos mantê-lo, mas ao mesmo tempo, estar preparado para servir.

 

Recentemente alguém me disse: “Anil Kumar, estou servindo água.

 

“Oh, água?” Perguntei: “Muito bem! Onde?

 

“Nas aldeias vizinhas,” respondeu.

 

“E como se sente a respeito?” Quis saber.

 

“Muito bem,” replicou.

 

Logo vi que esse homem se vangloriava ante a todos: “Serviço de água, serviço de água”.

 

Disse-lhe: “Servir água é um mérito. Divulgá-lo a todos é um demérito. Mais um, menos um, o resultado é zero”.

 

Quando você está servindo aos outros, você torna-se alegre e feliz. De modo que não está servindo a ninguém senão a você mesmo. Este é o espírito do serviço Sai. Estou feliz enquanto lhes sirvo: Me sinto feliz de fazê-los felizes e sorrio enquanto os faço sorrirem – isto é somente reação, reflexão e ressonância. Assim, possa este corpo estar orientado para o serviço.

 

Swami diz: “Dobrem o corpo,” significando, aprendam a servir. Alguém pode ter o conhecimento ou reivindicar despertar ou imaginar iluminação, mas o serviço é o único meio para experimentá-los realmente. Podemos dizer: “Deus está em toda parte; tudo é Divino”, mas a fim de experimentar Deus, realizar a verdade nesta declaração, servimos a nossos companheiros. Ao servir em toda parte, chegamos a produzir um nível em que experimentamos a Divindade em todas as partes, em cada um.

 

Já faz muito tempo, uma pessoa idosa obteve uma entrevista, e Swami disse: “Você serviu à sociedade; você atendeu a acampamentos oftalmológicos. Você é um médico e tem levado a cabo inumeráveis operações gratuitas: és um homem de serviço!” Era a primeira visita do médico a este lugar, mas Swami estava dizendo-lhe sobre todo o serviço que tinha feito a muitas pessoas no passado. Isto mostra que todo o serviço que prestamos é serviço a Deus. Como sabemos? Porque Bhagavan o tem declarado e as pessoas têm experimentado com Ele.

 

O SERVIÇO O FARÁ CIENTE  DA ONIPRESENÇA DE DEUS

Devemos também recordar que Swami conhece o outro lado da moeda. Numa ocasião, dois funcionários começaram a gritar entre si. No dia seguinte, Swami chamou ambos e disse: “Por que brigam por assuntos ridículos? Ambos são devotos. Se brigam assim, qual a impressão que deixarão nos outros? Vocês são genuínos, a outra pessoa também é genuína; mas vocês lutam entre si por bobagens. Não façam isso”. O tipo de consciência de que Baba está em toda parte, que Deus está em toda parte, é possível no campo do serviço, movendo-se entre as pessoas.

 

Aproximadamente há 30 anos, eu estava em Pakala, a qual está na rota para Tirupati. Naquele dia, estava realizando o Narayana Seva, servindo alimento às pessoas pobres. Havia uma grande quantidade de arroz, e os organizadores quiseram que conduzisse o aarati a Bhagavan, e logo serviram arroz a todos os presentes. (Você pode verificar isto com qualquer um.) Sobre um montão de arroz, vi manifestado um vibhuthi Omkar (isto é, vibhuthi na forma de Om), e o vibhuthi empilhado em todos os quatro lados! Isso é prova suficiente para saber que Deus está em toda parte!

 

 

Posso dizer: “Ishavasyam Idagum Sarvam ou “Ishwara Sarva Bhootaanaamou “Anoraniyaan Mahato Maheeyaan,” tudo significa que Deus está em toda parte, do microcosmo ao macrocosmo. Mas se alguém chegar a perguntar:“Como você sabe? Você o experimentou?” Posso responder: “Somente li sobre isto.” A leitura é diferente do Deus experimentado. Quando vi pessoalmente o vibhuthi Omkar aparecer no montão de arroz, me senti profundamente comovido. Isso é experimentar Deus.

 

O CONHECIMENTO ESPIRITUAL DEVE VIR DA EXPERIÊNCIA

Faz muito tempo, quando estava recém chegado ao rebanho de Sai, li entusiasticamente sobre todos os milagres de Swami. Pensei comigo mesmo: “Por que não tenho pelo menos uma experiência?” Quis saber se todos os milagres sobre os quais li eram verdadeiros ou não. “Por que não os experimentava? Por que não vejo pelo menos um?” Eu rezava.

 

Um dia um cavalheiro me perguntou: “Sr. Anil Kumar, vamos ter bhajans esta tarde, porque você não vem?” Fui à residência do Sr. Narasimha Rao, um engenheiro, ele me pediu que fizesse o aarati. Quando estava para fazê-lo em frente a foto de Swami, ouvi um som, tac, tac, tac. Me perguntei, o que estava acontecendo - estava alguém jogando pedrinhas? Que som era esse? Eu vi logo que eram gotas de mel, amrith, caindo justamente sobre o retrato de Swami, e também caíam gotas de água ao redor. Estava tão emocionado! Tinha estado rogando por ter pelo menos uma experiência miraculosa, e estava acontecendo exatamente na minha frente! Essa prece foi tão docemente respondida por Bhagavan.

 

Recordo também desse período inicial, que na casa de meu amigo Malikarjun Rao havia um grande retrato de Baba de Shirdi. Mantinham as rosas aos Seus Pés molhando os talos dentro de um pouco de cera e espetando-as no retrato. Os Bhajans estavam em plena atividade:

 

 Kailasavasa Mahadeva Jagadeeshwara Hara Mahadeva

Tribhuvana Bala Baba Sai Deva.

Shiva Maheshwara Shiva Maheshwara Shiva Maheshwara Sairam

Shiva Maheshwara Shiva Shankara Shiva Mahadeva Sairam . . .”

 

E enquanto estávamos prestando atenção, de repente, as flores começaram a cair do retrato. Tão belamente Ele mostrou-nos sua onipresença!

 

Uma vez perguntei a um amigo: “Onde está Swami?

 

Disse: “Está na varanda.

 

“Não, lhe respondi. “Swami está em seu coração, não na varanda!”

 

Tais coisas devem ser experimentadas. Então seu conhecimento torna-se verdadeiro. Do contrário, todo o conhecimento espiritual que temos acumulado não será senão uma acumulação, como um computador que salva as informações. Devemos observar o que está acontecendo e devemos experimentá-lo - esse é o propósito do Avatar.

 

DEUS ESTÁ ALÉM DO TEMPO OU ESPAÇO

A noite passada alguém me perguntou: “Quando Deus vier na forma humana, o que é que Ele faz a mim? Na forma humana, como Ele pode me ajudar?” Eu disse que Ele vai lhe ajudar dizendo que está em toda parte. Por que Ele tem que vir na forma humana? Porque Ele tem que lhe falar; Ele lhe fala para dizer que está em toda parte. Ele dirá para experimentá-lo em toda parte. Confiná-Lo a um lugar ou a um tempo em particular é muita insensatez, porque Swami está em toda parte.

 

Nos dias anteriores a existência da Universidade Sathya Sai, a maioria dos estudantes iam estudar na universidade de Bangalore. Havia um estudante chamado Vijay Bhaskar, que freqüentava as aulas do Mestrado de Comércio na Universidade de Bangalore. Quando estava estudando na cidade, um dia decidiu vir à residência de Swami em Whitefield. Enquanto viajava, Swami, em Whitefield falava a todos sobre ele, algo como um comentário sobre críquete ou coisa assim. Disse que esse menino esperou na parada de ônibus por x tempo; então entrou no ônibus tal; que havia descido em tal lugar; em seguida entrou no ônibus número tal e aqui chegou!

 

Meus amigos, estes são os milagres que trazem alguma mensagem. Não se trata de meros incidentes para fazer que todos sorriam e se sintam felizes; não são atos de entretenimento. Cada experiência tem uma determinada mensagem atrás dela, uma lição a ser aprendida.

 

Numa oportunidade, Swami quis que três famosos eruditos viessem a Whitefield. Os três se prepararam e se reuniram na estação ferroviária; mas não tinham reservas e os compartimentos já estavam cheios. Dois deles tinham mais de 70 anos. Assim, disseram ao terceiro homem, que era relativamente mais novo do que ele (apenas 60 anos), “Por favor, diga a Swami que não podemos viajar porque não temos nenhuma reserva.

 

De algum modo, o homem mais novo pôde chegar até Swami. Swami olhou-o e disse: “O que houve com os outros dois?” Antes que pudesse abrir sua boca, Baba disse: “Os outros dois não poderiam subir ao compartimento através da janela como você!” (Risos) Os outros dois ficaram muito surpresos quando souberam que Swami estava ciente que seu companheiro mais novo pôde entrar no trem pela janela, quando, sendo eles muito mais velhos, não puderam fazê-lo. Meus amigos, sentimos uma espécie de exaltação, um tipo de êxtase, quando pensamos sobre estas experiências.

 

DOBREM O CORPO, CORRIJAM OS SENTIDOS

No campo do serviço, o mais essencial é “curvar o corpo”. Não posso reivindicar ser um buscador simplesmente sendo acadêmico, pela mera leitura. Toda a teoria que lemos deve ser posta em prática. O serviço é um laboratório e os resultados são nossas experiências. Conseqüentemente, devemos curvar o corpo. Swami não poupa ninguém neste comando - todos devem trabalhar.

 

Temos também que empregar de forma útil o nosso tempo. Quando perguntei: “Como você gasta seu tempo?” alguém respondeu de uma maneira jocosa, “Eu crio boatos ou os espalho.” (Risos) Criar boatos ou espalhar boatos são bisbilhotices, conversa vã. Na vida espiritual, todos os nossos pensamentos e atos devem ser dirigidos para alvos e objetivos espirituais. Se necessito falar, deixe-me falam sobre Swami. Se tenho que escutar, permita-me ouvir sobre Ele. Se tenho que pensar, deixe-me pensam na Sua glória e Sua Divindade. Como  Swami a expressa: “Corrijam os sentidos.”

 

Os sentidos são caprichosos e tendem a ser expostos, e quando não estão sob nosso controle, eles naturalmente nos guiam para a  confusão e o caos. Se quisermos viver em paz e na bem-aventurança, temos que manter os sentidos sob controle – isso é o que quer dizer com “emendar os sentidos” É nesse sentido que Swami disse:

 

Não veja o mal, veja o que é bom;

Não faça nenhum mal, faça o bem;

Não pense no mal, pense no que é bom;

Não ouça o mal, ouça o que é bom.

 

FOCALIZE SEUS SENTIDOS EM ASSUNTOS ESPIRITUAIS

Assim, entrando no campo do serviço, primeiro “curvem o corpo”, e em segundo, “corrijam os sentidos”. Quando os sentidos são pervertidos ou desviados em diferentes direções, é impossível alcançar nosso destino.

 

Uma vez, enquanto falando aos estudantes, Swami se voltou para um menino que, como todos os demais meninos, estavam olhando para Swami, e perguntou: “Em que está pensando?” O menino não teve nenhuma resposta. Swami imediatamente disse: “Você está pensando em seus amigos. A maioria de seus amigos foi para casa e estão gozando suas férias, mas você está aqui. Você está pensando em seus amigos - que filmes eles têm visto, e quantos amigos têm encontrado.

 

“Você está aqui,” Swami continuou, “mas você está pensando em seus amigos lá. E o que seus amigos estão fazendo lá? Estão pensando em você, dizendo: ‘Aquele menino é realmente afortunado, ele permaneceu com Swami, enquanto estamos no salão de cinema. Quão afortunado é! Ele deve receber uma série de presentes de Swami, enquanto nós companheiros estamos aqui na rua’. Assim, pensam em você, e você pensa neles. Nenhum de vocês pensa em mim!” (Risos)

 

Corrijam os sentidos” significa que os sentidos devem ser apontados para nosso objetivo, na direção espiritual. Isto acalmará, suavizará e facilitará naturalmente nossas vidas. Nosso processo de pensamento e nossas emoções estarão mais equilibrados se nos dirigirmos para a espiritualidade. Quanto mais materialistas somos, mais agitados e perturbados nos setiremos. Se seguirmos ao longo da rota dos sentidos, seja qual for o caminho que tomemos, perderemos nossa paz mental. Essa é a razão porque Swami diz: “Corrijam os sentidos.” A melhor maneira para emendar os sentidos é ler a literatura de Sai, meditar, ou cantar bhajans.

 

DETENHAM A MENTE - VOCÊS NÃO SÃO A MENTE

Assim, na primeira etapa, “curvemos o corpo”, que se refere ao karma kshetra ou campo da ação. Na segunda etapa, devemos “corrigir os sentidos”; que é bhakthi marga, a senda de amor ou a devoção. Somente então é possível chegar a terceira etapa, que Swami chama “deter a mente”. Ele diz: “Dobre o corpo, corrija os sentidos, e detenham a mente”.

Detenham a mente. Este é o mais árduo dos processos, porque quando alguém vai além da mente, ele é o que quer ser: centrado, focado, e em paz, não pela virtude de seu nome e forma. Estará, por assim dizer, no centro de sua vida. Estará focado no centro real do seu ser.

 

É o processo do estado de existir ao estado de ser. Às vezes, as pessoas dizem: “Swami, minha mente não está sob controle; minha mente está perturbada.” Swami diz: “Como você sabe? Como você sabe?” Não há nenhuma resposta.

 

Digo: “Minha mente está inquieta; minha mente está confusa. Mas como sei? Bem, eu sei, isso é tudo!” (Risos) Uma resposta vem assim, porque nos identificamos com nossas mentes. Porque penso que sou a mente. Só posso atuar no nível da mente. No nível psicológico, estou desconcentrado; mas enquanto falo com outros, digo simplesmente, sem perceber conscientemente: “Minha mente está má, minha mente está deteriorada, minha mente está perturbada.

 

Swami diz: “O que é este “meu” e o que é esta “mente”?” Quando digo “meu carro”, ou “minha caneta”, o que significa? Que não sou a caneta e não sou o carro. Mais propriamente, sou o dono do carro; sou o dono da caneta. De maneira similar, quando você diz “minha mente”, significa que você é o dono da mente e você não é a mente. Isto significa que você é uma testemunha da sua mente. Você é uma testemunha – só observa seus pensamentos.

 

Uma vez um menino disse a Swami: “Todos os pensamentos maus vêm a mim, Swami. Tenho somente pensamentos maus.

 

Baba disse: “Desde que você saiba que são maus pensamentos, você pode rejeitá-los.” Uma vez que você sabe que são pensamentos maus, você pode abandoná-los ou deixá-los de lado.

 

O menino perguntou: “Swami, como isso é possível?

 

Swami deu este exemplo: “Se você mantém uma cobra presa, pensando que não é uma cobra, mas meramente uma corda, o que faz quando se dá conta do que é a verdade? Você continua a brincar com ela? (Risos) Você a deixa cair imediatamente, não é?” Sim, imediatamente você a deixa cair! Similarmente, uma vez que você sabe que os pensamentos são maus, você deve rejeitá-los, aí mesmo e neste lugar.

 

OS TRÊS PASSOS PARA DEUS

Neste Ano Novo, deixe-nos seguir estes três passos. O primeiro passo é o serviço – karma yoga, “curvem o corpo”, que disciplinará o corpo e o manterá apto para o seu propósito. O propósito do corpo não é de ser alimentado continuamente, mediante ininterruptas cargas e descargas. Paropakaaraartham Idham Shareeram. O corpo físico foi  dado para servir aos outros. Assim, este karma kshetra, ou curvar o corpo, o levará naturalmente à etapa seguinte: “corrija os sentidos” com a oração, a meditação, a adoração - ou pelas nove sendas da devoção. Então vem a etapa final, “deter a mente”, que é jnana ou a senda da sabedoria. A Jnana diz que a única cortina que os separam do seu amado Deus é esta mente. É a mente que lhe produz uma sensação de separação, de identidade separada ou ego. Uma vez que a cortina caia, o “Eu” não existe. Uma vez que o rio funde-se com o poderoso oceano, perde seu nome, sua forma, e seu sabor. Perco meu nome e minha forma quando a cortina da mente cair. Isto é possível mediante a Auto-indagação, ou Atma vicharana. Para conseguir esse propósito, temos que passar pelos dois primeiros passos.

 

A IDADE NÃO É UM FATOR PARA MUDAR ALGUÉM

Em certo sentido, somos muito afortunados. As pessoas comemoram o Ano Novo de sua própria maneira - com festividades, alegria, divertimento e jogos, vestidos novos, preparações especiais dos lugares, todos os tipos de formalidades e de parafernália, convites, banquetes e jantares em toda parte - estamos aqui discutindo os aspectos espirituais do Ano Novo. Não somos afortunados? Somos muito afortunados em ter uma oportunidade de fazer uma introspecção, para avaliar, para estimar, para planejar - pelo menos a partir deste ponto.

 

Um homem idoso uma vez disse: “Swami, sou consideravelmente velho. Não penso que posso mudar agora. Estive na escuridão da ignorância da vida, por tanto tempo - 60 ou 70 anos - quem pode me ajudar, Swami? Sou tão velho agora.” Swami riu e disse: “Não, nada é demasiado tarde. Nada é demasiado tarde! Não condenes a ti mesmo.”

 

Baba deu então um exemplo: Um companheiro visitou uma caverna. Na entrada viu que estava absolutamente escuro em seu interior, de modo que não podia entrar. Chamou alguém da aldeia e perguntou: “O que há aí dentro?

 

“É uma caverna; cavernas são sempre escuras,” lhe respondeu.

 

Então perguntou: “Por quanto tempo tem estado escuro na caverna?”.

 

“A caverna está absolutamente escura por centenas de anos,” lhe disseram. Este homem era suficientemente inteligente, de modo que pegou um palito da caixa de fósforo e o acendeu. 

 

A caverna, que tinha estado escura por centenas de anos, estava agora iluminada brilhantemente por este palito! De maneira similar, posso ter ficado 70 ou 80 anos envolvido na escuridão da ignorância. Mas esta vida de cansaço, problema, agitação e desafios têm ainda uma esperança, porque quando acendo essa luz da sabedoria – a luz da graça de Swami, a luz do nome de Swami – a escuridão da ignorância será dissipada. Que Bhagavan abençoe a todos. Feliz Ano Novo! Obrigado por estarem aqui esta manhã.

 

            Anil Kumar concluiu com o seguinte bhajan,

      “Ksheerabdhi Shayana Narayana”.

 

 

OM…OM…OM…

 

Asato Maa Sad Gamaya

Tamaso Maa Jyotir Gamaya

Mrtyormaa Amrtam Gamaya

 

Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

 

Om Shanti Shanti Shanti