8 de abril de 2007
“Perguntas e Respostas e
O Significado da Sexta-Feira Santa e da Páscoa”
OM…OM…OM…
Sai Ram
Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,
Queridos Irmãos e Irmãs,
Vindo para cá, alguém me perguntou: “Sr. Kumar, por que não deixa um tempo para perguntas antes de começar sua conversa?” De modo que, se você tiver quaisquer perguntas, tomem a liberdade de fazê-las (exceto na data da partida de Swami para Kodaikanal)! (Risos)
Q. Os cientistas na universidade de Cambridge recentemente descobriram e relataram que o universo está se expandindo. Nisso há um paradoxo: a consciência humana tem grandes possibilidades, e, no entanto, o coração do homem não está se expandindo. Poderia esclarecer algo a respeito?
Sim, você diz que os cientistas observam que o universo está se expandindo, no entanto nossa experiência diária é que o coração não está se expandindo. Como Bhagavan dissera a algum tempo atrás: “Expansão é vida, contração é morte.”
Não temos uma expansão do amor; só temos amor contraído. É muito óbvio que não há nenhuma amplitude mental, no círculo familiar ou na sociedade. Pelo contrário, estamos sendo testemunhas da contração na amplitude da mente e uma expansão da estreiteza-mental.
A primeira razão para esta contração é o centrar-se em si mesmo, no egoísmo. Todos gostariam de ter coisas para si, para sua própria vantagem. Não importa o que aconteça ao resto do mundo, pensamos. Antepomos primeiro nossos próprios interesses.
A segunda razão é auto-glorificação (no sentido usual da palavra “Eu”; não estou me referindo ao Eu espiritual). Na auto-glorificação, testemunhamos o pensamento que eu sei, eu sou superior aos outros, eu não tenho que aprender, e eu sou tudo.
O sentimento que “eu sou extraordinário” é uma doença. Nada é extraordinário. Todos são comuns. Com este sentir-se comum, poderá alcançará as alturas do extraordinário – ao sentir simpatia e entendimento do ponto de vista de outro homem. Ainda, não realizamos isto.
A ignorância é a terceira razão para a contração. Neste universo inteiro, num continente, num país com muitos distritos, numa cidade, numa rua em particular onde você vive, quem são vocês e quem sou eu? Ninguém. Não realizamos isto. Mas há um sentimento de identificação. Pensamos que “eu sou aquele, sou este,” mas estamos errados. Esta é a ignorância.
Você pergunta por que não reconhecemos que o universo está expandindo. É porque não compreendemos que somos todos uma família. Esta família inclui não somente a sociedade humana, mas todos os animais, plantas, rios, lagos e montanhas. Partindo de um seixo para cima, pertencemos a uma família. Somos todos uma entidade orgânica, e este sentimento de unidade é o que falta; por isso, estamos contraídos.
Para ser universais em nossa perspectiva, necessitamos honrar outros pontos de vista e sentimentos tanto quanto os nossos próprios, e dar-lhes tanta liberdade quanto queremos para nós mesmos. Esta é a característica da amplitude mental.
Conseqüentemente, minha curta resposta a esta pergunta é que ignorância, auto-glorificação, um sentido de falsa personalidade, e a identificação com nome e a forma seriam todos responsáveis pela contração do coração. Para citar outra vez Bhagavan: A “expansão é vida, contração é morte.”
Alguma outra pergunta? Por favor, sim, venha até aqui.
LIVRE ARBÍTRIO CONTRA A VONTADE DIVINA
Q. Que é nosso papel? Temos livre arbítrio?
Sempre que nós temos uma sessão como esta, recebo essa pergunta. Ou pode ser que o questionador não tenha estado antes, ou alguns dos ouvintes a pergunta é nova, mas para a mim a pergunta é tão velha quanto qualquer coisa. Naturalmente, nós, professores, não nos incomodamos em repeti-la. O sucesso da carreira de um professor depende da sua capacidade de repetir a si mesmo. (Risos) Assim amo fazê-lo! Não importa.
O que é livre arbítrio e o que é uma situação divinamente-organizada? Que é a diferença entre os dois? O livre arbítrio é apenas psicológico, e reside em circunstâncias externas. Geralmente o vemos baseado em condições da sociedade, como os valores sociais, a estrutura e as normas da situação atual e individual. Por exemplo, numa sociedade que valoriza o dinheiro, o livre arbítrio dos cidadãos é muito provável esteja dirigido para o processo de acumular riqueza.
Mas a vontade Divina (a sina, ou o destino) é espiritual. Do ponto de vista humano, o livre arbítrio é material, ou físico, ou psicológico; enquanto a vontade Divina, a vontade de Deus, é espiritual.
O livre arbítrio é mutável. Num momento estamos muito ansiosos para estar na primeira linha para o darshan. Lutamos por ela, tomamos como assunto de prestígio, e anunciamos a todos, “conseguimos a primeira fila!” Tenho livre arbítrio para ter esse desejo. Mas, mais tarde minhas idéias mudam e não me importo onde me sento, porque por um longo período de tempo, experimentei que Swami me observa onde quer que me sente. Com maturidade, cresci bastante para concluir que é mais importante para Swami me ver, do que me absorver em pensamentos para vê-Lo. Ele sempre me olha. Naturalmente esta idéia deve estar firmemente e profundamente enraizada de modo que não estejamos psicologicamente tristes quando não podemos vê-Lo da maneira que gostamos.
Assim, o livre arbítrio é mutável; muda na medida em que a mente do indivíduo muda. Uma vez queremos a primeira linha; a próxima vez queremos ir para qualquer fila. Numa ocasião, decido me sentar no mandir, noutro momento, fora em Puttaparthi. Quando dizemos que você tem livre arbítrio, significa que você pode ter vontade para qualquer coisa! Mas a vontade de Deus é imutável.
Você pode perguntar como posso dizer isso. Muitos de nós estão aqui apesar de nós mesmos. Alguns queriam realmente estar aqui, e conseqüentemente estão aqui. Outros nunca esperaram estar aqui, mas estão aqui de qualquer maneira. Outros ainda, têm estabelecidos e estão fazendo algum trabalho aqui. Alguns quiseram sair, mas não puderam. (Risos)
Esse é o real paradoxo. Somos tão ansiosos para entrar - muito sentimental, altamente devotado, esperando algum seva ou alguns trabalham aqui. Ingressamos e, após algum tempo, queremos sair, mas não podemos. Assim, aqueles que querem entrar não podem, e aqueles que entraram não podem sair! Este é o que chamamos vontade Divina. Você não pode mudar a vontade de Deus. Acontecerá como Ele decide.
Ouvimos freqüentemente Swami nos dizer: “Tenho planejado essa sua viagem para este lugar há muito tempo. Soube que você viria dez anos atrás.” Esse é o plano Divino. Freqüentemente também nos encontramos com pessoas nas filas do darshan as quais Swami de repente lhes dirige a palavra. Concede-lhes uma entrevista e, após um par de anos, as encontramos desempenhando um trabalho em Prasanthi Nilayam. Esse é o Divino plano mestre. Você não pode escapar.
Uma outra diferença é que o resultado do livre arbítrio está determinado de acordo com suas próprias preferências e conveniências. Fazem o que gosta e o que você não gosta, não o faz. Mas, quer goste ou não, você está obrigado a fazer a vontade de Deus.
Tomem meu próprio exemplo: depois da aposentadoria, queria me afastar, e Baba disse: “Bem, quais são seus planos?” Eu disse: “Me aposentei.” Swami disse: “Assim o quê?” (Risos) Antes que eu pudesse abrir minha boca Ele disse: “Não há nenhum Sai Baba separado em qualquer lugar, você continua a ensinar.” E isso foi tudo. Não tive nenhuma escolha. Não pude nem mesmo abrir minha boca!
Há muito tempo, em 1989, algo muito engraçado me aconteceu. Eu estava servindo como Presidente Estadual da Organização de Seva Sathya Sai em Andhra Pradesh. Acho que era razoavelmente bem sucedido. Muitos de nossos amigos por todo o estado ainda me recordam, que é prova bastante do trabalho que fiz.
De repente, como um raio que surgiu do nada, Baba me diz: “Te levarei a Bangalore.”
Não estava preparado mentalmente. Cuidava de meus idosos pais e sogro e sogra, e minhas crianças que estudavam suas profissões. O que havia de fazer? Disse simplesmente: “Venhas para Bangalore.” Não disse sim. Como poderia dizer “sim” verbalmente, quando havia nenhum “sim” em mim? (Risos) De modo que me calei.
Swami estava em Hyderabad na época, inaugurando um novo curso. Parou no centro do salão e anunciou: “Anil Kumar já não é seu Presidente Estadual. Vou levá-lo para Bangalore.” (Risos) Ele disse isto na frente de 400 pessoas. Tinha se transformado num assunto de prestígio Divino e de nenhuma opção humana, os dois juntos. Minha família e eu fomos deixados sem escolha. Ele disse abertamente: “Eu o estou levando.”
Como estava a ponto de partir, contudo decidi-me segui-Lo, a fim de rogá-Lo para abandonar temporariamente a idéia. “Por favor, deixe-me aqui, Swami”, queria dizê-Lo. Pensei que era suficiente sábio, que sabia o que era melhor -- como a maioria de nós faz! (Risos) Eu disse: “Swami, irei Contigo até o aeroporto,” pensando que porque estava viajando em Seu carro poderia ganhar algum tempo, e podia rogá-Lo que postergasse Sua decisão. Mas Ele disse imediatamente: “Você não tem que vir ao aeroporto. Vá direto para Bangalore.” (Risos) Veja como funciona a vontade Divina – muito contra minha vontade!
Então, eu vim para Bangalore tentar outra vez. Concedeu uma entrevista e disse: “Como você está?”
“Muito bem,” respondi.
Ele disse: “Quando você vai se integrar? Quando você vai se integrar?” (Queria dizer à universidade de Bangalore.)
Disse: “Swami, não trouxe meus certificados, minha pós-graduação, minha experiência, ou meu certificado de serviço. Não trouxe alguns daqueles papéis comigo.”
Ele disse: “Eu sou o Chanceler; e Eu o estou nomeando. Os papéis não são necessários.” (Risos) Livre arbítrio – o que lhe aconteceu? Onde estava? Se arruinou!
E assim disse: “Swami, estive no serviço nos últimos 26 anos. Não posso parar totalmente e me integrar aqui. Já estou no serviço; Não posso deixar tudo de repente. Devo renunciar ou dar uns dois meses' de aviso e então vir para cá”.
Ele perguntou: “Quando sua faculdade vai reabrir? Qual é a data de re-abertura da faculdade?”
“Julho,” disse.
Swami disse: “Em que mês estamos?”
“Maio.”
“Tempo suficiente. Comece atendendo a faculdade agora. A partir de junho, a nomeação será oficial.”
Nenhuma escolha. Então disse: “Swami, devo voltar para trazer minha bagagem e tudo o mais.”
“Você pode ir durante as férias.” (Risos)
Minha tentativa final: Eu estava sentando lá em Bangalore no galpão Sai Ram, como foi chamada naqueles dias. De repente, um voluntário veio até mim e disse: “Swami quer que você fique na frente deste edifício.”
Enquanto estava estando na frente desse edifício em Trayee Brindavan, Swami chegou de repente. Ele disse: “Hoje você ocupará este prédio; está pronto para você. Esta é a função da festa de inauguração, gruha pravesha. Você vai permanecer aqui.”
Mas não estava preparado! (Risos) Swami imediatamente entrou e o segui. Caminhou por todo o prédio como se jamais tivesse estado ali antes, dizendo: “Oh, muito agradável. (Risos) Muito melhor do que sua outra casa. (Risos) Sua cozinha era horrível - vê como é agradável esta cozinha!” (Risos)
Permaneceu apreciando cada cômodo e condenando a casa na minha cidade natal. Ele diria: “Isso é impossível; veja como isto é agradável” (Risos)
Então Ele disse: “Dê-me o aarathi.” Assim o fiz. Ele disse: “Pegue essas roupas. Você agora é o diretor. Você agora é o diretor da faculdade.” E aí acabou o assunto. E essa foi a maneira como as coisas aconteceram.
Quando penso em minha própria vida e o livre arbítrio, sei que temos toda a liberdade para querer. (Risos). Mas quando há uma vontade Divina, esta simplesmente atua de maneira independente ao que se tem escolhido, e não podemos mudá-la.
Além disso, o livre arbítrio que tenho, segundo o qual atuo, me comporto e falo, pode não redundar necessariamente em meu melhor interesse. Suponhamos que tenho um desejo para cujo fim me empenho. Posso terminar tendo problema, porque não sei o que é bom para mim; se acontece a vontade Divina, o que quer que aconteça será sempre para melhor. Pode parecer negativo por um tempo, mas mais tarde você compreenderá que é todo positivo. Seja o que for que aconteça de acordo com a vontade Divina será bom para nós.
Expressarei assim: o livre arbítrio significa o esforço humano; significa metas humanas, alvos, ambições, objetivos, e a determinação de trabalhar para a realização destas coisas. Mas a vontade Divina nos quer que aceitemos tudo o que sucede no final. A aceitação de qualquer coisa que suceda no final é nossa preparação, o que chamamos “rendição” ou “entrega”. A entrega ou aceitação da vontade Divina representa a qualidade básica de um devoto. Está claro?
Alguma outra pergunta? Sim, por favor, senhor venha cá. Se sente aqui.
O LIVRE ARBÍTRIO PODE AFETAR A VONTADE DIVINA
Q. As escolhas que nós fazemos como livre arbítrio, de alguma maneira afeta a vontade Divina? Onde o karma se adapta a tudo isto?
Se a vontade do ser humano coincide - concordar – com a vontade Divina, você pode dizer que a afeta. Quando não concorda, você pode concluir que não a afetou.
Por exemplo, há uma pessoa que quer vir a Prasanthi Nilayam. Se for bem sucedido e chegar aqui, significa que sua vontade e a vontade Divina concordaram. Se quiser vir, mas não puder, significa que a vontade Divina lhe reserva outro dia que é melhor para ele, que sirva melhor aos seus interesses.
Para dar o meu próprio exemplo: em 1979, me concederam um posto de Diretor da Escola Júnior Sri Sathya Sai, que agora é uma Escola Secundária Superior Sathya Sai. Esse ano, Swami disse: “Vem.” Quando Swami disse isto, não tive nenhuma alternativa. Fui. Swami disse: “a entrevista é esta manhã; vá a esse lugar.” Fui lá.
Essa noite Ele estava falando aos membros da diretiva - nessa época o professor Bhagavantham e o professor Gokak eram as pessoas que me entrevistaram. Swami os perguntou: “Como ele foi?”
Disseram em uma voz, “muito bem, muito bem.” E Swami foi dizer a todos: “Naturalmente ele se foi bem.” E começou a gracejar com meu sobrinho, a quem disse: “Seu tio vai ser um diretor, você estará completamente livre. Você pode divertir-se.”
Mas não estava mentalmente preparado. Mais tarde, não recebi nenhuma ordem de nomeação. Não renunciei. Até este dia, não sei porque não me chamou então. Nunca perguntei por quê. Ele nunca disse por quê. Simplesmente guardei silêncio.
Mas em uma análise em debate, compreendo que se tivesse sido chamado no ano de 1979, estaria em alguma dificuldade. Nessa época, tinha construído uma casa nova, e havia solicitado alguns empréstimos. Se não tivessem sido cancelados, estaria muito desconfortável se tivesse sido nomeado naquele tempo. Foi em meu próprio interesse que Swami o parou. Mas finalmente se materializou em 1989. Levou dez anos para me trazer aqui. Essa é a vontade Divina.
De modo que a vontade Divina é naturalmente independente; mas se concordar com nossa vontade ou desejo, terá sido afetada por nossa vontade. Se minha vontade coincide com a vontade Divina, é uma satisfação; é um brotar, um florescer, uma manifestação. Mas se estiver contra a minha vontade, será totalmente Divina, e indubitavelmente será para meu próprio bem - para o qual estarei total e incondicionalmente preparado.
SWAMI NÃO SOFRE PORQUE NÃO É O CORPO
Q. Vendo Swami agora numa cadeira de rodas ou num carro, como você pode dizer que Sua vontade prevalece? Como você pode dizer que Ele controla sua vida?
Muito simples. Ele diz que não está doente, embora pareça estar doente. Ele diz que não tem nenhuma dor, mas é doloroso para todos nós vê-Lo se mover. O que Ele diz é verdadeiro, que Ele não está doente, que Ele não tem dor de qualquer forma. Isso que vemos também é verdade.
O problema é que não podemos absorver no espírito o que Ele fala. Nossa perspectiva é certa somente partindo da dimensão humana. Sua declaração é verdadeira da dimensão Divina. Devemos olhá-Lo através da lente de Sua mensagem.
Ele diz que você não é o corpo. E clara e repetidamente diz que Ele não é o corpo. Ele diz: “Se vocês não são o corpo, como poderia Eu ser o corpo?” Impossível. É o corpo que cai doente. Quando você não é o corpo, não surge a questão da doença.
A história gravou que quando o sábio Ramana Maharshi foi perguntado: “Swami, você sente dor? Você está doente?” Respondeu: “Meu corpo parece assim? Dá-lhe a impressão que está tendo dor? Que está doente?” Ramana Maharshi evidentemente não se identificou ele mesmo com seu corpo. Uma vez que nos dissociamos do corpo, vemos que é somente a mente que pensa: “eu sou o corpo.”
Estejam seguros, meus amigos, que até onde concerne a Divindade, não há nenhuma carência, nenhuma escassez, nem quaisquer deficiência. É meramente o corpo que transforma e experimenta estas qualidades negativas.
Sabemos que Ramana Maharshi sofreu dores terríveis no fim de sua vida. Vemos a fotografia de Shirdi Sai Baba que descansa ambos seus braços nos dois meninos que o acompanharam enquanto dava o darshan. Sri Ramakrishna Paramahamsa é conhecido também por ter sofrido. Naturalmente sabemos quanto Jesus sofreu. Só que a nós parece sofrimento, mas eles estão além disso. Nenhum deles disse que estava sofrendo.
Paramahamsa Ramakrishna, enquanto resistia ao câncer da garganta, nunca disse, “estou sofrendo.” Embora as pessoas em torno dele chorassem, Paramahamsa nunca chorou. Alguém lhe suplicava, “Swami, por que você não come? Por que você não bebe? Porque você não descansa?”.
Paramahamsa disse: “Quando todos vocês estão comendo, por que devo comer? Quando todos vocês estão bebendo, por que devo beber? Não necessito descanso porque o descanso se encontra em ensinar meus discípulos. O descanso encontra-se em passar a minha mensagem, para o qual vim à terra.”
Tudo parece sofrer do nosso ponto de vista porque estamos condicionados pelo corpo. Temos total identificação com o corpo; mas os grandes, os realizados, estão além, onde não há sofrimento em absoluto.
No mesmo contexto, meus amigos, gostaria de chamar sua atenção a dois eventos importantes. Estes são a Sexta-feira Santa e hoje, a Páscoa da Ressurreição. Estes dois eventos são muito importantes para todos os cristãos; de fato, são dois dos mais importantes na história humana.
Sexta-feira Santa é o dia da crucifixão de Jesus Cristo na cruz; o dia que Ele deixou Seu corpo. É um evento histórico. Jesus sangrava abundantemente, usando uma coroa de espinhos, e foi pregado à cruz. As pessoas cuspiam em sua face, condenando-O.
Você pode querer saber por que se chama sexta-feira “Santa”, (em inglês é mais paradoxal, porque se diz “Good” – boa, genuína, benéfica, etc. N.T.) quando se comemora um evento tão horrível. Mas o que significa Sexta-feira Santa para nós que não somos Cristãos? Eu não sou Cristão. Nem vou ser posto numa cruz. Então que significado tem para mim?
Meus amigos, a cruz representa diversos aspectos da vida. Representa uma combinação da dor e do prazer, uma encruzilhada, a pergunta: ser ou não ser? A cruz representa a carga, o peso, e a dor ou o sofrimento que todos nós enfrentamos na vida.
Como seres humanos, temos nossos problemas; temos nossas dificuldades. Todos nós sofremos. Enquanto Jesus nunca se queixou, mas carregou em seu ombro a cruz ao Monte Calvário, assim deveríamos ser capazes de carregar a cruz da vida. Devemos ser capazes de colocar nos ombros a dualidade, os altos e baixos da vida, as lágrimas e os sorrisos, por igual. Temos também que carregar esta cruz da vida.
DEVEMOS NOS RENDER, NOS ENTREGAR AO NOSSO SOFRIMENTO
Deve ser notado que Jesus não foi posto na cruz por nenhum desatino ou erro que tenha cometido. Naqueles dias, a tradição era crucificar uma pessoa por um crime ou um pecado. E, no entanto, Jesus que era intocável, perfeitamente ideal, e totalmente Divino, foi crucificado. Foi uma demonstração de como manter a equanimidade. É uma prova aberta de como manter o equilíbrio na vida, de como aceitar situações negativas e de como suportar a dor.
A sociedade pode cuspir em você. A sociedade pode condená-lo. Você pode sentir dor, estar sobrecarregado por causa do peso da cruz, e, no entanto, continua esforçando-se. Você continua a esforçar-se; continua a marchar. Continua adiante, nunca retrocedendo.
Na senda espiritual especialmente, lutamos. Não é nenhum mar de rosas. Não é uma vida confortável; é uma vida de desafios. Na vida material, você está certo do lucro e perda – possa ser que sofra uma perda hoje, mas receberá um lucro amanhã. O sucesso é baseado em sua inteligência, e em sua habilidade em administrar, manobrar, manipular, a política e a conspiração. Mas na vida espiritual, estas habilidades não nos levam a lugar nenhum. Na verdade, a vida espiritual representa o verdadeiro desafio.
Pensar nos tempos em que você se sente totalmente frustrado, abatido e deprimido, e todos lhe condenam. Ninguém anda com você, nem sequer um membro da família lhe apóia, e você não tem nenhuma esperança. Deus não vem para sua frente e diz: “Vamos, vou lhe ajudar.” Nenhuma possibilidade! Ele simplesmente lhe deixa chorar. A vida espiritual é um desafio. Tem que continuar, seguir em frente, aconteça o que acontecer, apesar de todas as calúnias, boatos, condenação, acusações, destruição do caráter. Inevitavelmente, estas coisas acontecem, mas seguimos em frente.
Jesus olhou ao Pai, não as pessoas ao Seu redor. Não olhou àqueles que O atacavam, pessoas que O condenaram, que O crucificaram. Olhou para o alto, e orava ao Pai Celestial. Isso é o que devemos fazer hoje.
Em vez disso, em momentos de dificuldade, dizemos: “Deus, o que Você está fazendo? Você está de férias? (Risos) O que Você está pensando? O que há de errado com Você? Por que Você não me olha? Você não sente por mim? Você não vê meu sofrimento? És insensível?” Estas são as perguntas que vêm à nossas mentes quando estamos sofrendo. Nenhum de nós pensa: “Oh Deus, esta é Sua decisão. Oh Deus, este é o projeto de Sua vontade. Este é Seu plano. Aceito tudo o que acontecer. Que se faça a Vossa vontade.”
Jesus na cruz representa o espírito de rendição, nos lembrando que o homem tem que olhar para Deus apesar das dificuldades, o que quer que possa ser, apesar de qualquer e de todos os sofrimentos físicos, emocionais e mentais.
DEVEMOS PERDOAR AQUELES QUE NOS INFRINGEM.
Jesus não somente não condenou aqueles que foram responsáveis por Sua situação, mas os perdoou. Orou, “Oh Deus, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem.” Jesus na cruz representa o perdão.
Você e eu temos um enfoque diferente. Se qualquer um disser algo contra nós, esperamos uma oportunidade para revidá-lo a altura, com interesse dobrado! (Risos) Não podemos tolerar a mínima crítica, assim tomamos as providências para colocar tudo no seu devido lugar. Queremos que todos aceitem o que sentimos, o que fazemos, o que dizemos, mas não nos importamos o que o outro homem pensa. Mas Jesus perdoou.
Não queremos perdoar; queremos ser perdoados. Que estupidez! Se qualquer um age ou fala contra nós, não estamos preparados para perdoá-los - mas queremos que Deus nos perdoe! Se fôssemos realmente inteligentes, não pensaríamos que Deus seria pouco inteligente! (Risos) Deus é mais inteligente do que você ou Eu - e pode calcular muito melhor! Ele dirá: “Até que ponto você perdoou? Como você pode esperar que Eu o perdoe?”
Não julgueis para que não sejas julgado. Perdoe as nossas dívidas assim como nós perdoamos àqueles a quem nos tem ofendido. O perdão da minha parte é o primeiro passo na esperança que Deus me perdoe. A compreensão da minha parte é mais importante. É um requisito preliminar que devo completar antes que possa esperar que Deus responda a minha situação.
Para resumir: numa história, Sexta-feira Santa nos dá todas as lições importantes que o Cristianismo tem para oferecer. A história de Jesus na cruz nos ensina sobre o amor, o sacrifício, o sofrimento humano, a rendição, a aceitação da vontade de Deus e o perdão.
SE VOCÊ QUISER SE COMPARAR COM UMA PESSOA DIVINA, DEVERÁ OLHAR TODAS AS SUAS AÇÕES
Três dias mais tarde, no domingo de Páscoa, Cristo se levantou dentre os mortos. Esta ressurreição tem um significado tão bonito – para ser trazido mais uma vez à vida, o reviver - é a razão porque a Bíblia Sagrada diz claramente que a menos que você nasça novamente, você não entrará no reino dos céus.
Alguém me disse recentemente: “O que há de tão grande assim sobre Jesus? Morreu na cruz. Eu também morrerei. Eu me tornarei Jesus?” Eu disse-lhe, “Sim, se você morresse na cruz e ressuscitasse três dias depois.” (Risos) Os néscios falam nas suas próprias formas.
Lembra-me o homem que disse: “Krishna teve oito esposas e 16.000 gopis (pastoras de vacas), assim por que não devo eu ter o mesmo?” (Risos)
“Muito bem, você é completamente racional,” disse-lhe. “Posso compreendê-lo. Mas Krishna podia fazer com que cada um dessas mulheres O sentisse ao seu lado todas ao mesmo tempo -- 16.000 Krishnas de uma vez! E você? Se estiver na cozinha, não pode nem mesmo fazer você mesmo aparecer na varanda!” (Risos)
Havia um homem que me disse: “Senhor, Baba de Shirdi era um fumador inveterado. Assim, porque não devo fumar?” (Risos) Disse-lhe: “Por favor, fume, por favor. Baba de Shirdi também colocava sua mão no fogo. Faça isso primeiro, então fume.” (Risos)
“Adi Sankara bebeu álcool, assim por que não devo fazê-lo?” Um outro homem disse: “Por favor, beba,” digo. “Mas também bebeu veneno” (Risos) Nosso raciocínio é tão ridículo!
RESSUSCITEMOS DE NOSSOS PESARES E PREOCUPAÇÕES
Sexta-feira Santa e a Páscoa lembram-me sempre das últimas linhas da oração
Asato Maa Sad Gamaya,
Tamaso Maa Jyotir Gamaya,
Mrtyormaa Amrtam Gamaya..
Do irreal nos conduza ao Real ,
Da escuridão nos conduza à Luz,
E da morte à Imortalidade.
Nestas últimas linhas, ouvimos Mrthi (morte), e pensamos na Sexta-feira Santa, o dia da morte de Jesus. Amrtam Gamaya (nos conduza a Imortalidade) fala do simbolismo da Sua ressurreição, Páscoa, quando se elevou à Imortalidade de modo que todos O pudessem seguir.
Na ressurreição, compreendemos que somos mais do que o corpo. A morte não é o fim. Os assim chamados nascimentos e morte são somente ocorrências relacionadas com o corpo. A aparição do corpo é nascimento, enquanto o seu desaparecimento é a morte. O espírito real, a consciência, é eterna.
A morte é ignorância. Se alguém for ignorante, pode estar fisicamente vivo, mas sua essência está morta e ausente. A ignorância é morte, enquanto que a consciência é vida. Assim, a ressurreição é um retorno à vida, um retorno à consciência, um despertar.
A vida é consciência. A vida é experiência. A vida é aventura. A vida é peregrinação. A vida é eterna. A vida é imortal. A vida é bem-aventurança! Ventura, alegria, sorriso – estes são os sinais da vida. A dor, a seriedade, a ignorância, a tristeza, a miséria - este são os sinais da morte.
Neste dia de Páscoa, oremos porque nos salvamos da morte da preocupação, que ressuscitamos da morte da angústia, da morte da ignorância – para a vida de sabedoria, de alegria e de ventura. Essa é a verdadeira ressurreição.
A RESSURREIÇÃO É SAIR DA ROTINA
Esta manhã quando perguntei a alguém: “Como você está, senhor?” Ele respondeu, “E o que há para ser vivido? Me levanto, tenho o darshan, e vou para casa. Mais tarde venho para os bhajans e vou para casa. O que mais há?” (Risos)
Senti como se lhe dissesse para ir embora! A vida não é assim. Se você pensar que a vida é uma rotina, é melhorar cometer suicídio! A vida não é uma rotina. É sempre nova.
Quando uma criança sorri, você não diz: “Tenho visto muitas crianças sorrirem” Não, quando uma criança sorri, você sente como se sorrisse Quando você vê uma rosa bonita, você não diz, “Oh, vi isto durante minha vida inteira.” (Risos) Quando você vê Baba dando darshan, você não diz, “Tenho visto o mesmo rosto nos últimos 40 anos.” (Risos) Nem mesmo as colunas no salão dizem isso! (Risos)
Meus amigos, um sinal da morte é considerar a vida uma rotina, e mover-se por ai como uma máquina programada. Nunca devemos pensar dessa forma, porque a vida é fresca. É nova, é dinâmica. A vida é uma peregrinação eterna, uma viagem sem nenhum objetivo, nenhum ponto final. De fato, a vida terminaria se alcançasse um objetivo. Mas não há objetivo. A vida é o fluxo contínuo de um rio, o eterno soprar do vento.
A Páscoa, a ressurreição, indica que temos que sair da morte da monotonia e da ignorância.
A PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO NOS CHAMA A ELEVAR-NOS ALÉM DO NOME E DA FORMA
A vida é uma, mas os seres viventes são muitos, e criamos assim muitos nomes e identidades: australianos, indianos, americanos, britânicos, Andhra, Karnataka. Dizemos mesmo: “Sua água, minha água.” Como pode você possuir a água? (Risos) Você pode possuir o ar? Somos condicionados a ponto de nos dizermos dono da água, do ar, e começarmos a reclamar a propriedade de tudo. Essa é a estreiteza mental, com nenhum sentimento de universalidade ou de amplitude mental. Esta limitação é morte, enquanto a vida é universal, ilimitada e infinita. A morte está limitada ao nome e à forma, no entanto a vida está além do nome e da forma.
Páscoa indica a necessidade de elevar-se além do nome e da forma, de ascender desde o nome e o corpo de “Jesus” à Deidade eterna. Somos todos chamados para experimentar essa universalidade, essa unicidade.
Quando as gopis buscavam a Krishna, diziam em toda parte, “Krishna, o que Lhe aconteceu?” E perguntavam as flores: “Onde está Krishna, vocês não nos dirão?”
Você espera que as flores lhes respondam? Nem sequer os seres humanos daqui respondem! (Risos) Como você espera que as flores respondam? (Exceto quando pergunto se posso me sentar num lugar específico durante o darshan, “Não!” é a resposta rápida que recebo!) (Risos)
Mas aqueles aldeãos analfabetos podiam falar com os arbustos e às rosas. Diziam: “Poderia me dizer, por favor, onde está Krishna?” E quando Rama estava separado de Sita, foi uma árvore que compartilhou com ele o Seu pesar. Isto é, quão conectados eles eram com toda a vida, a todos as formas de vida.
Mas agora nós, seres humanos, sequer nos relacionamos. Formamos diferentes grupos, países e águas. (Risos) Hari Om, Hari Om. Não há fim para isto.
A vida é uma, seja humano, planta ou animal. Por isso, todas as religiões dão importância a todos estes aspectos.
A árvore Aswadha vrksha é mencionada no Bhagavad Gita. A árvore de Natal é importante na Cristiandade. Shirdi Sai sentou-se sob uma Margosa. E, como vocês sabem, este Baba, ama jardins e flores. Os muçulmanos consideram a Kaaba, a enorme pedra em Mecca, muito importante. Os cristãos têm a cruz.
Você pode considerar estes ídolos apenas uma pedra inanimada ou alguma madeira, mas o objeto transmite o sentimento de unicidade. Sim, estas coisas tornam-se cheias de vida quando se pode comunicar com elas. A vida é unicidade.
A ausência de sentimento de unicidade é morte. Para propósito de censo, para registros de comparecimento, para as filas da cantina, para as obrigações familiares, vocacionais e profissionais, podemos nos considerar viventes, mas em realidade não somos.
CADA MOMENTO DA VIDA É NOVO
A Páscoa chama a uma vida real. Deixe-nos viver nossa vida plena e totalmente. Deixe-nos despertar e reacender a centelha da consciência. Experimentaremos o fogo da sabedoria, caminharemos ao longo da senda espiritual. Deixe-nos desfrutar a vida, e deixe-nos sorrir! Consideremos cada segundo como um presente de Deus.
Cada momento de minha vida é novo. Não me deixe olhar o futuro. Se eu me mantiver olhando o futuro, estou sem esperança. A esperança é futurista. Oh, que ironia é! A vida está aqui, exatamente agora. Viver no presente, neste mesmo momento, isso é vida. Viver no passado é morte.
Algumas pessoas muito inteligentes dizem: “Você sabe como eu era?” Eu digo: “Não estou interessado no que você era! (Risos) Vejo você agora, e mesmo agora você está bastante horrível. Então posso imaginar como você era naquela época.” (Risos)
O conhecimento é morte – perdoe-me que o diga - porque o conhecimento é informação acumulada; vale dizer, somente informação emprestada ou informação de segunda mão. Isso é o que está em você, isso que é fresco, incipiente, criativo, é sabedoria. Isso é vida.
Jesus era iletrado, analfabeto. Mas espalhou a luz da sabedoria a toda a humanidade. Minha humilde submissão e oração esta manhã são: “Possa a Sexta-feira Santa – morte – nos conduzir à Páscoa - vida. Mrtyormaa Amrtam Gamaya.”
Que Deus os abençoe. Muito obrigado. (Aplausos)
OM…OM…OM…
Asato Maa Sad Gamaya
Tamaso Maa Jyotir Gamaya
Mrtyormaa Amrtam Gamaya
Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Loka Samastha Sukhino Bhavantu
Om Shanti Shanti Shanti