12 de fevereiro de 2006

 

“Três Caminhos Diferentes que Levam à Divindade”

Parte 2

 

OM…OM…OM…

 

Sai Ram

 

Com Pranams aos Pés de Lótus de Bhagavan,

 

Queridos Irmãos e Irmãs,

 

 

 

OS RESULTADOS DAS AÇÕES SÃO LIMITADOS E ESTÃO LIGADOS AO TEMPO

Na semana passada, fizemos uma tentativa para conhecer as duas sendas diferentes que conduzem à Divindade. Uma é a senda da ação, karma yoga, a outra é a senda da sabedoria, jnana yoga. Deixei suficientemente claro a senda para a Divindade. Tornei amplamente claro as implicações que se destacam, os efeitos, bem como as limitações do karma yoga, ou a senda da ação.

 

Fui muito claro na semana passada que a senda da ação nos ajuda na purificação da mente, o que é um pré-requisito para a experiência da Divindade. E o outro ponto a que me referi foi de que os frutos ou os resultados da senda da ação produzem benefícios, dividendos ou lucros disponíveis ao longo de um período de tempo limitado.   Não importa mesmo se há uma morada celestial, mesmo se alguém vier a alcançar o céu, não será senão condicional. Não representa uma estada segura. Alguém haverá de retornar no momento em que o mérito estiver esgotado. Portanto, deixei claro na semana passada que todos os resultados e as conseqüências da ação são limitados ou estão ligados ao tempo.


Depois disse que a senda da sabedoria é a da indagação. Uma avança pela senda da sabedoria através da constante indagação sobre o Si Mesmo; fazendo ao seu próprio íntimo a pergunta: "Quem sou eu?" Isso também o disse na última vez. Finalmente terminei declarando que a senda da ação e a senda da sabedoria não são separadas, não são paralelas e não são contraditórias. Uma leva a outra; uma é o corolário da outra.


Aquela a qual os resultados são orientados é a senda da ação. No momento em que você renuncia aos resultados, no momento em que você está disposto a sacrificar os resultados e as conseqüências das suas ações, naturalmente estará na senda da sabedoria. De modo que a expectativa, ou antecipação que algo aconteça, ou se cumpra algo prometido faz com que você se apegue a senda da ação. No momento em que se sacrifiquem as conseqüências ou os resultados ou o que se chama Karma Phala Pari Tyaga, sacrificando os resultados de suas próprias ações, você estará na senda da sabedoria ou jnana yoga. Essa é a conexão. Uma está orientada para o resultado; a outra não tem expectativas, está além de tudo. Concluímos neste ponto a sessão da semana passada.


SENDA DA DEVOÇÃO

Agora, temos algumas perguntas a responder esta manhã relativas ao mesmo assunto. Freqüentemente encontrarmos pessoas sem progresso, sem melhorias, sem satisfação, embora estejam na senda da devoção. Dizem: "Somos extremamente devotados." Elas declaram abertamente que estão muito apegadas à senda da devoção, que são altamente espirituais e muito ritualísticas. Elas são muito religiosas, mas ainda são cautelosas. Não obstante, não são capazes de alcançar o que querem. Não são capazes de desfrutar aquele estado que realmente esperam.


Portanto, a questão é esta: "Por que a maioria de nós não obtém bons resultados, apesar de ser devoto de Deus"?

 
Acho que sou bem claro. Como devotos, a maioria de nós não está obtendo os resultados esperados. Por quê? Alguns dizem: "Sim senhor, estou obtendo resultados".

 
Felicitações, para você. Se você conseguiu, lhe saúdo por isso. Parabéns, mas estou falando da maioria das pessoas. O que me fez concluir isso? Não estou sendo egoísta? Ou parcial? Ou predisposto?  O que me fez concluir que não estamos colhendo os resultados? Ego, ciúme, rivalidade, possessividade, apego, orgulho, espírito de dominação - estes são todos sinais suficientes, indicações suficientes, sintomas suficientes da doença que indicam claramente que não temos sido capazes de alcançar os resultados, apesar de sermos muito devotados. Somos devotos, mas ainda não alcançamos os resultados devido a estas indicações ou sintomas sobre os quais tenho chamado a sua atenção.


O EGO PODE ESCONDER-SE COMO UM GATO PRETO NUMA NOITE ESCURA

Deixem-me dizer-lhes, meus amigos, passo a passo neste contexto, por que não somos capazes de alcançar os níveis esperados. Apesar de um longo período de estada aqui, apesar de estar em atividade de serviço durante um longo tempo, apesar de nosso próprio sadhana, ou prática espiritual, por que não conseguimos atingir o alvo? Porque não somos capazes de alcançar os resultados? Por quê? E ainda falando em voz alta, estamos todos navegando no mesmo barco. Ninguém é mais importante do que o outro. Somos todos peregrinos da mesma senda. Somos todos companheiros de viagem. Estamos tentando investigar juntos. Estamos tratando de explorar juntos. Estamos tratando de encontrar juntos uma resposta a estas perguntas. Isso é tudo.  

 

Meus amigos, a primeira coisa que temos de fazer é esta. Quando presto algum serviço, quando adoto qualquer prática espiritual, o principal é que  não seja egoísta. Não egoísta significa que não deverá ter qualquer traço de ego, do que se pode chamar egoísmo. Que quero dizer com ego? Ego e orgulho são diferentes. Orgulho é algo que você pode ver automaticamente. Ao olhar para uma pessoa, ao falar com uma pessoa, ao prestar atenção aos gestos de uma pessoa, pode-se dizer que ela é orgulhosa. O orgulho é identificável. O orgulho pode ser detectado. O orgulho pode descoberto facilmente.

 
Mas ego, por mais que o neguemos, por mais certos que estejamos de que não há ego dentro de nós, o ego pode se conduzir com êxito para se esconder no interior das câmaras do nosso coração ou da mente. O ego pode se esconder -- algo como um gato preto numa noite escura. O gato é preto e a noite suficientemente escura, de modo que é impossível detectá-lo. Adicionar a isso um corte de energia, o suprimento de energia também está em falta. É muito fácil imaginar, pois estamos acostumados a ela. Portanto, meus amigos, o ego pode estar escondido em cada um de nós, passando despercebido. Se você diz: "não tenho ego" sim, estamos cheio de ego. Por quê? Este “Eu-ismo” é ego.

 

"Eu não tenho ego".

  
Sim, isso é o ego suficiente, muito obrigado. Seu “Eu-ismo” é ego.


Se alguém diz: "Senhor, em meio a nossa vida muito agitada estamos fazendo tantas atividades de serviço, sem qualquer ego".

 

Oh, eu sei. Dizer que temos feito, que estamos fazendo, é a forma principal de ego, os focos do ego, a projeção do ego. Portanto, ego significa “eu-ismo”, o que quer que diga com o sentimento de “eu-ismo”: "Eu tenho feito…, eu penso…,Eu...., Eu…., Eu…" isso é ego. O sadhana espiritual ou prática espiritual aponta para uma coisa, e só uma. Se é cristianismo ou islamismo ou hinduísmo ou qualquer religião, qualquer que seja o guru, a senda espiritual prescrita por todos os gurus, por todos os textos sagrados de todas as religiões pode ser resumida numa única frase – renunciar ao "eu-ismo”, deixar de lado o”eu-ismo”, estar livres do ego. Isso é tudo, a única coisa, mas ela é a coisa da qual é impossível escapar! Muito difícil!

 
Quando Swami fala a uma pessoa, ele se recusa a se misturar com os outros no dia seguinte, porque pensa que ele é um ser celeste muito superior; ele não pode se misturar com as pessoas, as pessoas mundanas, pessoas terrenas, porque Swami olhou para ele e disse: "Como estás?" Agora, então, ele próprio é um anjo. Assim, um olhar suave, algumas palavras de Swami fez dele tão egoísta e, no entanto, ele ainda diz, "não tenho ego". Então, você não somente é egoísta, senão um perfeito hipócrita. A hipocrisia também é acrescentada a isto, meus amigos.


A AUTO - INDAGAÇÃO DETECTARÁ O EGO

Vamos nos analisar abertamente. Veja se existe ou não um "eu-ismo” dentro de mim. Atribuo a mim o mérito por tudo? Reivindico tudo? Ego, uma vez que está aí, não vai ficar quieto. Vai assumir sua aparência feia num ou noutro momento. Quando dois se encontram, ele começa declarando: "Você sabe, fui um empregado com um cargo muito alto".

  

 Oh! Oh! Você foi, mas agora já não é mais. Tempo passado... por que se preocupa com isso? O que este homem quer é declarar que ele é superior a você, porque ele sabe que ele foi, mas hoje são iguais; hoje somos os mesmos. Mas nós não queremos aceitar a igualdade, e, portanto, vamos para o passado. "Eu fui, eu era…" Assim o quê? Portanto, meus amigos, este tipo de complexo, este tipo de psicologia, essa maneira de pensar, que está dentro de nós sem que notemos, se expressam de uma ou outra forma em nossos pensamentos.


Supondo que diga: "Como está seu filho"?

 
"Senhor, o meu filho é um engenheiro."

 
"E onde está?"


 "Na minha terra natal em Chennai".

 
"Oh, Oh. O meu filho está nos Estados Unidos".

 
Então, o quê? Ambos estão na terra, seja nos Estados Unidos ou em Chennai. Um não está no céu. Ele quer dizer que o seu filho está nos Estados Unidos; então faz uma pergunta, algo assim como um aperitivo, uma isca, para fazê-lo dizer onde o seu filho está, de modo que ele possa dizer também onde seu filho está. Ah, ego do tamanho do Himalaia, ego Himalaia! Levará cem vidas para se desfazer dele. Ele pode estar sentado no colo de Bhagavan, mas nem assim Ele pode se salvar.


Por isso, meus amigos, o não ser egoísta não é uma coisa fácil. O ego permanecerá conosco, porque não notamos a sua presença. Para notarmos a presença do ego dentro de nós só é possível pela indagação, vicharana ou meemamsa, ou investigação, fazendo uma pergunta para o próprio ego: "Quem sou eu?" É somente por esta indagação, a Auto-indagação (e não a indagação no escritório do aeroporto ou estação ferroviária) que alguém pode remover o ego. Somente a indagação dentro de si mesmo lhe ajudará a detectar o ego, e então é possível tentar se livrar dele.


A EXIGÊNCIA FUNDAMENTAL É RENUNCIAR AO EGO

Assim, através da indagação saberei o que é, tratando de encontrá-lo, a tentativa real é a prática espiritual ou sadhana. Mas o que entendemos por sadhana é levantar-se às 4:30h, dar voltas no templo 100 vezes, correr muito rápido porque o tempo é muito curto (como nas Olimpíadas), ou apenas aproximar-se na direção do sacerdote muito rapidamente, mais rápido do que as rodas do trem elétrico. Não é nenhum projeto de beneficência internacional que realizou. Você não está estabelecendo a paz mundial.


Meus amigos, essa é a razão pela qual, apesar de estarmos na senda espiritual, a vida é muito, muito decepcionante. Todavia a vida não é feliz, ainda nos sentimos frustrados, e ainda não estamos satisfeitos, porque ainda não temos sido capazes de conhecer a exigência fundamental, o diagnóstico básico e a identificação da queixa. A menos que você conheça a doença, não pode curá-la. Parecemos saudáveis, mas a doença cresce dentro de nós. Portanto, a exigência fundamental é a de não ser egoístas, renunciar ao ego, o qual deveria constituir o objetivo de nossas vidas, nosso único propósito, a única finalidade na vida espiritual. Não há nada mais.

  
"Não senhor, quero ver Deus".

 
Por favor, veja Deus. Leve-me também junto com você. Vamos conjuntamente vê-lo. Por que não? Mas “eu-ismo” é a cortina, a porta está fechada. A menos que alguém abra a porta, você não pode entrar. O ego desse individuo está sempre fechado. A cortina do ego está sempre abaixada. A menos que a cortina do ego esteja levantada, a menos que a porta do ego esteja aberta, não se pode ter a Visão Divina. Portanto, este é o primeiro requisito. Uma vez que tenhamos este ego profundamente enraizado, não podemos gozar a vida, nem sequer no ashram, mesmo no campo espiritual, pois o ego está interferindo.


Posso estar numa loja de doces, onde todos os doces são vendidos; excelentes tipos de doces, dos padrões da nossa cantina do Norte da Índia em Prasanthi Nilayam , que é conhecida pela qualidade de seus doces. Não me engano, não sou seu agente. Não recebo comissão, não. As pessoas dizem que é conhecida pelos seus doces de qualidade. Se um doente diabético vai lá e come, então termina o assunto. Ele não pode comer qualquer um deles, embora existam tantos doces, porque ele é diabético. O fato dele ser diabético nunca vai lhe permitir provar algum  doce, por mais agradáveis que sejam, por melhor aparência que tenham, embora sejam tentadores. Ele não pode tocá-los.

 
Da mesma forma, podia sentir-me atraído por um número de sadhanas espirituais, como se fossem doces - japam (repetição do nome), dhyanam (meditação), leitura das escrituras - qualquer quantidade de doces. Bem, mas basicamente sou diabético - tendo a diabetes do ego. Com este diabete do ego, não posso provar os doces, nem saboreá-los, nem desfrutá-los. Portanto, devemos ser saudáveis, a fim de apreciar a boa comida. Similarmente, para obter resultados positivos a partir de práticas espirituais, para começar devemos estar livres deste ego. Então, o que acontecerá?


QUANDO O ”EU- ISMO” É ABANDONADO, ELE ENTRA EM CENA

O que acontecerá? Deus está à espera por uma oportunidade em nosso interior. Ele está esperando uma oportunidade. Quando o “eu-ismo” é abandonado, Ele entra em cena. “Deixem que Eu dirija o espetáculo agora. Deixem que Eu tome o volante de seu veículo, de seu corpo. Deixem que Eu me ocupe de vocês, que Me encarregue por completo de suas vidas." De modo que Deus está preparado para se encarregar da nossa vida: mas não estamos dispostos a permiti-Lo. Por quê?

  

Deus verá a todos, mas não a mim. Por isso quero fazer alguma coisa para que as pessoas me aplaudam e me elogiem; para ver meu nome nas manchetes dos jornais, nas rádios e na televisão se for possível. Terei ampla publicidade e propaganda, prestígio e status. Por isso, não estou preparado a deixar tudo para Deus.


"Oh, Deus, você pode me ajudar. Estou fazendo isto, então o Senhor se une a mim, está bem? Quero fazer isto. Quero ter um bom nome, uma posição elevada. Una-se a mim em meus esforços. Fortaleça meus esforços".

  
Todas as nossas orações são somente como essas. Todas as orações são apenas para uma coisa: "Oh Deus, faça com que meu desejo seja cumprido. Se o Senhor não cumprir o meu desejo, você não vai me ver na igreja no próximo domingo, está bem?" Lamento. Eu não faço isto. Essa é a nossa psicologia. Não é em absoluto uma oração verdadeira.

 

A SEGUNDA COISA É A ENTREGA

A verdadeira oração é disposição, preparação, aceitação de qualquer coisa que aconteça na nossa vida, boa ou má. Se estou preparado para aceitá-lo incondicionalmente, o que é chamado rendição ou entrega, teremos alcançado o propósito, o final da vida espiritual. Então, a primeira coisa é não ser egoísta, a segunda é a rendição. A menos que deixe de ser egoísta, não poderei me entregar. Um homem com ego não se entregará.

 

Há um outro colega, que é também o representante da sociedade moderna. Ele vai dizer: "Entreguei a minha propriedade a Ele".

 

Ah! Você entregou sua propriedade? Mas você não entregou este “Eu-ismo”. Portanto, não entregou nada. A não ser que este “Eu-ismo” seja entregue, mesmo que você entregue seus bens ou aquisições, qualquer que seja, tudo isso não é nada. É algo assim: Se a pulsação estiver correta, se o corpo tem a relação altura-peso adequada, mas algo está errado com o coração, isso é suficiente para lhe transferir para o outro planeta. O corpo está bem, mas algo está errado com o coração. Do mesmo modo, a menos que o ego se vá, totalmente sem raízes, não podemos nos entregar incondicionalmente.


UM VERDADEIRO INSTRUMENTO

Então, Deus entenderá e fará uso de nós como um poderoso instrumento. Não é suficiente, que diga: "Oh Baba, usa-me como Vosso poderoso instrumento".


Mas qual é o sentimento interior? "Faça uso de mim somente como Vosso instrumento, e não de outros instrumentos, porque eles estão enferrujados e empoeirados, enquanto sou um bom instrumento, totalmente esterilizado, por isso o Senhor pode usar em Teu teatro, oh Divino doutor." De modo que quero ser utilizado como instrumento, mas somente devo ser utilizado para Ti e mais ninguém. Isso é ego.


Portanto, um verdadeiro instrumento deve estar pronto para ser apanhado, a qualquer momento, pronto para ser retirado a qualquer momento, sem perguntar por que, sem argumentar por que, somente para fazê-lo morrer. Portanto, chamar a si mesmo de instrumento de Deus é mais um slogan político do que uma realidade.

 
Todos os políticos dizem: "Somos servidores do povo".

 
Somos realmente servidores? Todos conhecemos a realidade. Portanto, dizer: "Oh, Swami, sou Teu instrumento" é o gás número um. Oh, sim, um gás de primeira classe. Por quê? Porque temos um sentimento oculto: “Só eu deveria ser teu instrumento, e ninguém mais”.


Portanto para ser um poderoso instrumento, você deverá se entregar. Antes disso, vocês não devem ser egoístas. Certo e então o que acontece? Este é o assunto.

 
Tudo isso foi tirado de discursos de Bhagavan, meus amigos. Tenho colocado isso no meu próprio esquema para que possa ser considerado interessante para mim e para que possa absorver e criar esse interesse em vocês, e possamos provocar uns aos outros a entrar em ação mais tarde. Acho que sou claro, porque preciso preparar um contexto e chamar a sua atenção. Isso é tudo. Isso é para conseguir mais clareza e mais benefício para mim mesmo em primeiro lugar.


De modo que a ausência de ego leva a entrega, e esta leva a uma etapa de ser um instrumento eficaz nas mãos de Deus. Este é o terceiro ponto.


O DESAPEGO

Isso leva a quê? À renúncia, ou desapego, ou vairagya. Por exemplo, aqui está um instrumento, um microfone. O microfone não está preocupado se você o elogia ou condena.

 

"Oh, que microfone sujo, você não parece bem".

 
"Você fala para si mesmo, a mim não me aborreceu".

 

"Como você era bonito".

 
É indiferente ao meu comentário. O microfone é um instrumento o qual é indiferente ao meu elogio ou censura. Isto é o que se chama de desapego. As pessoas pensam que desapego é distribuir propriedades. Qualquer búfalo pode fazê-lo. Não estão distribuindo propriedades. Estão distribuindo pobreza porque seu dinheiro não é suficiente para o mundo inteiro. O mundo não vai ficar livre da pobreza com a distribuição de dinheiro. Não, não, não!

 
O que é o desapego? É elevar-se acima do elogio e da censura. Não estou interessado nem sequer em elogio. Não estou exaltado, nem estou inchado. Assim tampouco estou frustrado, rebaixado nem deprimido pelo que você acha de mim. Isto é o que é chamado de desapego. Alguém pode ter dinheiro e mesmo assim ser desapegado. Alguém pode estar numa boa posição e ser desapegado. Alguém pode ser jovem, vigoroso, saudável, belo e ainda assim ser desapegado. Como é possível?

 
Um exemplo simples: um funcionário, um alto funcionário, um chefe de distrito ou um engenheiro de alto nível ou superintendente de um grande hospital, ele pensa e fala: "Meu pessoal." Oh, “meu pessoal"- bom, “meu escritório", “minha residência", mas ele sabe no intimo que o pessoal não pertence a ele. Após a aposentadoria, eles podem não identificá-lo, podem não reconhecê-lo. Ele não poderá dizer “meu bangalô", porque no dia seguinte após a aposentadoria ele tem que se mudar de lá. Assim, todo chefe sabe que o bangalô não pertence a ele, que o pessoal não está subordinado a ele. Eles estão com ele. Algumas pessoas utilizam esta palavra desesperada - "Eu estou trabalhando subordinado a ele".


"De onde você vem?"

 

 Ela disse: "De algum campus".

 
"A que departamento pertence?"

 
Ela mencionou um nome e um departamento, e disse: "Nós estamos trabalhando subordinados a ela”.

 
Que absurdo que você está falando? Ninguém está trabalhando subordinado ou acima de ninguém. Todos estão trabalhando com. Entenda isso primeiro. Seja um peão ou um chefe, estamos trabalhando com, não abaixo ou acima. Acostumamo-nos a escravatura e à burocracia, e, por isso, usamos termos como “trabalhando subordinado”.

  
Por isso, o verdadeiro desapego é desfrutar de tudo, tendo tudo com um sentimento, com a convicção de que nada me pertence. Estou numa casa, mas ela não é minha. Estou trabalhando neste escritório, mas ele não é meu. Quinze pessoas trabalham comigo, mas eles não trabalharão comigo até o final da minha vida. Assim, o ter tudo com o sentimento de não ter nada, é desapego ou renúncia.

 
É essa a idéia que devemos ter, porque algumas pessoas pensam que desapego significa crescer uma barba, vestir roupas laranja, não tomar banho, ou não comer regularmente. Isso não é desapego. Esse é um processo suicida. A auto-tortura é um processo suicida. Algumas pessoas dizem que não raspam sua cabeça; eles apenas aparam os cabelos. Por favor, aparem seu cabelo assim, mas não a do vizinho pelo menos, nem a do colega ao seu lado. Você é livre para aparar seu cabelo; pode fazê-lo. A auto-tortura não é religião, meu amigo. A auto-tortura é suicida, porque o Si Mesmo é supremo. O corpo é um templo de Deus. A vida é divina. A vida é uma oportunidade. A vida é maravilhosa, extremamente agradável, fantástica. A vida é música, é melodia. Então por que você tortura a si mesmo em nome da religião?


ESTEJA NA VIDA, AINDA QUE FORA DA VIDA

Portanto, meus amigos, você pode estar na vida, e não obstante fora da vida. Esteja na vida, ainda que fora da vida? Como é possível? Não pensem que sou louco, ainda não. Um barco que veleja num rio está na superfície da água. Ele flutua. A água não vai entrar no barco, nem o barco vai afundar no rio. O barco simplesmente flutua sobre a superfície da água.

 

Similarmente, estamos na vida, ainda que fora da vida. Seja como a flor de lótus que nasce na água, no entanto as suas folhas e flores não são tocadas pelas águas. Isso é estar na vida, ainda que fora dela. É o que se chama renúncia ou desapego. Não é repartir tudo o que temos. Não é correr nu pela rua, não pentear o cabelo, nem jejuar continuamente. Isso não é desapego. Você está apegado ao jejum.


Eu digo, "Senhor, faço jejum porque sou altamente apegado, ou altamente religioso." Oh. Se você for apegado ao jejum, como é que pode ser religioso?

 
Alguns dizem, "Durmo somente no chão, não na cama, você compreende, porque sou um yogi - desapegado." Oh! Então você é apegado ao solo!

 
Algumas pessoas dizem: "Deixamos nossas famílias, deixamos nossos parentes, deixamos todo mundo, e nos estabelecemos em Prasanthi Nilayam ".

 
Muito bem, mas estão apegados à pedra na qual se sentam todos os dias. Se eles encontrarem alguém sentado em seus lugares, então eles ficam muito sérios, perdem a calma, seu equilíbrio, tudo.


Então: "Vocês são realmente grandiosos porque estão apegados a uma pedra." Que vida é essa! Tendo encontrado tudo, as pessoas se apegam à pedra, um pedaço de Cuddapah em que se sentam todos os dias.

 
E a pedra diz a quem se senta: "Muito obrigado por sentar-se regularmente aqui porque assim fico polida, não como você. Estou polida, você não. Estou muito melhor do que você. Por favor, ocupem este lugar, porque seu peso vai ajudar a me polir mais rápido do que de outra forma".


É assim que são as coisas, meus amigos. A nossa consciência deve mudar; nossas idéias devem mudar. O que pensamos que é desapego, o que pensamos que é renúncia, é insensato. Nunca devemos fugir da família, em nome do desapego. Podem fugir de uma família aqui e apegar-se a outra família lá, porque é a mente o que interessa. É a mente que vem com você. Isso é o que acontece.


Com esse desapego, o que acontece? Porque sabemos o que acontece com o apego. O que acontece com o apego? Temos tantas propriedades, tantas pessoas ao redor, porém o final resulta em tragédia. Nenhum homem com tantas pessoas ao redor, com uma posição tão alta, com uma grande conta bancária, na história da humanidade, tem sido sempre feliz. Nenhum homem pode ser feliz na terra nestas circunstâncias.


Meus amigos, estou muito grato a vocês, porque Bhagavan está me induzindo de dentro do meu ser para lembrar, para voltar atrás na memória até aquilo que eu disse antes e assim poder compartilhar esses pontos com vocês.


AS RELAÇÕES E O AMOR

Há duas palavras – relação e amor. Cultivem o amor e rejeitem as relações. Mas é o que acontece conosco aqui. O amor termina em relação. Começamos com amor, e então estabelecemos uma relação, e essa relação nos leva à miséria. Nenhuma relação é sempre feliz. Nenhuma relação é venturosa o tempo todo. As relações são sempre trágicas, são sempre miseráveis, enquanto que o amor é felicidade.

 
A relação é condicional; o amor é incondicional. A relação está ligada ao tempo; o amor é eterno. A relação gera expectativas; o amor não tem expectativas. A relação é egoísta; o amor é desinteressado. A relação sempre toma e esquece, enquanto o amor dá e perdoa. A relação é física; o amor é espiritual. A relação é limitada pelo tempo e espaço, no entanto, o amor está além do tempo e do espaço.


Portanto, meus amigos, este espírito de renúncia, este espírito de desapego me ajudará a saber o que é o verdadeiro amor. Qual é o verdadeiro amor? O amor é felicidade. O amor é Deus. O amor é Divino. O amor é consciência e conhecimento de Si Mesmo. Adoramos negar o Si Mesmo, o que é um disparate. O amor verdadeiro é o conhecimento e a consciência do Si Mesmo ou Atma Jnana. Portanto, se estou consciente do Si Mesmo, isso é felicidade, isso é Amor, isso é Deus, isso é espírito. Isto é o que chamamos consciência espiritual. Isso é possível somente se somos desapegados, somente se renunciamos, como expliquei há pouco.


 
A ETAPA FINAL

Então, o que acontece? O que acontece é isto: Teremos equanimidade; desenvolveremos um estado mental equilibrado; teremos uma mente estável; desfrutaremos de tranqüilidade e equanimidade. Esse é o passo final.


Assim, para concluir, no que você tem que colocar um fim é no próprio “eu-ismo” ou ego, de modo que possa desenvolver o espírito de entrega. Isso fará com que Deus utilize você como um instrumento, o que levará ao desapego, ou renúncia, onde, apesar de estar no meio de todos os prazeres e comodidades, você está além deles. Isto nos ajuda a ter  consciência do Si Mesmo, pela qual desenvolvemos equanimidade e tranqüilidade. Esta é a jornada espiritual. Este é a senda espiritual. Não é o número de dias que jejuamos, ou o número de dias que não dormimos -- não são as coisas externas. Podemos mudar as qualidades externas, poderíamos alterar repetidamente o externo. Mas, a menos que haja  alguma mudança básica, isso nunca nos levará a qualquer meta ou fim feliz.


Essa equanimidade é o que se chama de moksha ou nirvana ou liberação. Equanimidade, estabilidade mental, a fase em que alguém não é perturbado, é chamado de liberação ou moksha ou nirvana. Mas a nossa compreensão de moksha é diferente. Algumas pessoas dizem que moksha é algo que entra na vida depois da morte. Quem sabe?

 

Alguém disse: "Senhor, eu quero moksha".

 
Eu simplesmente perguntei: "O que é moksha?"


Ele disse: "O que vou obter após a vida".

 
Oh! "Como você sabe que vai alcançar moksha? Tem certeza?" Então ele mostrou uma expressão de dúvida.

 
Então fiz outra pergunta: "Você já conheceu alguma pessoa que alcançou moksha"?

 
Moksha é tão bom, então por que você não se junta a mim? Por favor, trabalhe para isso de agora em diante, faça alguma tarefa extra em casa”.

 
Alguém tem lhe dito como é, o que é? Ninguém! Mas você quer aquilo que não sabe o que é. Veja, isso é o humor da vida. Não temos que ter qualquer humor lá fora. Existe bastante humor na nossa própria vida.

 
"O que vocês querem?"

 
"Eu não sei".

 
"Por que querem?"

 
"Como é que podemos dizer?"

 
Não sabemos. Mesmo depois de vir aqui: "Por que você está sentado na primeira fila"?

 
"Porque existe uma disputa pela primeira fila, estou também competindo".

 

 Ah. "O que é essa carta que você está levando consigo?"

 
"Porque outras pessoas estão trazendo cartas, por que não deveria também escrever uma carta?"

 
"O que vocês querem?"

 
"Desde que Swami está dando vibhuthi para algumas pessoas, por que não deveria também recebê-lo?"

 
Assim, embora não haja nada, nenhuma idéia aqui, ainda assim ele começa a desenvolver estas idéias observando as pessoas ao seu redor. Isso não é moksha. A felicidade interior, alegria interior, sentimento interior, equanimidade, tranqüilidade; um estado de equilíbrio é moksha, não algo exterior.


Devido a que este conceito não tenha ido profundamente o suficiente em nossa vida, ainda somos inquietos. Mesmo num templo, mesmo num ashram, não sabemos o que queremos. Pelo menos aqueles que vão para um shopping sabem o que querem. Aqueles que vão a uma loja de departamentos sabem o que querem – uma caixa de fósforo ou uma pasta dental. Mas nós, no "mercado" espiritual, não sabemos o que queremos, porque queremos tudo.


'“Ele pegou vibhuthi, então eu também quero”.

 
"Ele conseguiu um anel; eu também quero um."

 
"Ele deu uma carta a Swami; deixe-me dar-Lhe também uma."

 
'Swami olhou para ele; quero que olhe para mim também". Isso é tudo.

 
Por isso, é algo parecido com um colega indo para o mercado, querendo comprar tudo. Pode fazê-lo? E o que o companheiro irá dizer: "Este não é o lugar para você".


Assim, similarmente, a coisa que queremos é a felicidade, que é o nosso direito por nascimento, a qual já está lá dentro, mas é nebulosa. Há sol, mas por causa das nuvens, não somos capazes de ver a plena luz do dia. Assim ainda está frio, porque o sol está coberto por nuvens. Do mesmo modo, há felicidade dentro de nós. E esta felicidade está coberta pela nuvem do ego, pela nuvem do apego, da possessividade, do desconhecimento, dos prazeres efêmeros. Portanto, não somos capazes de encontrar alegria interior.

 

VOCÊS NÃO ESTÃO ESCRAVIZADOS

Assim, meus amigos, todos os passos que expliquei até agora são diferentes etapas. Como há diferentes etapas em matemática e química, existem diferentes etapas numa reação em cadeia. Estou colocando diante de vocês alguns pontos mencionados por Bhagavan num de Seus discursos.


Muito bem, a questão é esta: Todos dizem: "Quero a liberação"

.

Esta observação foi feita a Swami: "Swami, quero a liberação".

 
Você sabe a resposta de Baba? É bastante interessante conversar com Swami, porque Ele é engenhoso e engraçado. Sua retaliação foi fantástica, inigualável.

 
Quando este colega quis liberação, imediatamente Ele disse: "Você está na escravidão? Se você estiver na escravidão, então precisa ser liberado. Se você estiver na escravidão, você pode dizer quero liberação. Você não está na escravidão".


Trata-se de algo parecido com essa história: Houve uma pessoa que foi um famoso serralheiro. Podia manipular e conseguir abrir qualquer fechadura. Podia ter feito uma ferramenta de 10 alavancas ou 15 alavancas, ou até 100 alavancas. Ele era um especialista na abertura de qualquer coisa. Portanto, todas as pessoas da cidade vieram a saber que ele podia abrir qualquer cadeado.

 

De repente, ele parou numa porta, que ele não pôde abrir. Ele estava lutando como qualquer coisa. Ele não pôde abri-la, então ele estava completamente deprimido, embora tivesse sido bem sucedido até agora em abrir qualquer fechadura.

 
"Como é que eu não sou capaz de abri-la desta vez?"

 
Estava altamente inquieto. Alguém entre os visitantes disse: "É que não está fechada de modo algum! Não há trava alguma! Você é idiota, não está fechada. Você acha que alguém a travou. Você acha que alguém a fechou. Você não é capaz de abri-la, e, por isso está lutando. Mas desde o inicio nunca esteve trancada".


Da mesma forma, nunca estamos na escravidão. Pensamos que estamos na escravidão e queremos sair desta escravidão, e, portanto, todos começam a diz: "Quero liberação".


Então, surgirá a pergunta: "Estão todos obrigados a pensar que alguém está na escravidão?" Não, não, não, não. O que é escravidão? Se sabe o que é escravidão, a verdadeira definição satisfaz também para a outra palavra moksha. A mesma coisa. Então, o que é? Escravidão é “eu-ismo”. Este “eu-ismo” é uma tomada trifásica por onde flui a corrente. Este “eu-ismo” é tridimensional ou triangular. Identifico-me com o corpo, por isso, tenho consciência corporal. Identifico-me com a mente, a qual é consciência mental. Identifico-me com o intelecto, a consciência intelectual. Corpo, mente e intelecto - CMI.

 
Assim, a identificação com o CMI, é o triângulo da nossa vida. O “eu-ismo” é a soma total. Com uma linha, não posso dizer que existe um triângulo. Devo ter três linhas para formar um triângulo. Portanto, este é o corpo; esta é a mente: este é o intelecto. Portanto, este é o “eu-ismo”. Uma vez que esta identificação com o “eu-ismo” é rejeitada, temos a liberação. A liberação não tem outra definição em separado. Com o “eu-ismo”, existe escravidão; descartando o “eu-ismo”', é liberação.


A ausência de luz é escuridão. A presença de luz é ausência de escuridão. Estou certo? É a mesma coisa. Assim, similarmente, quando o “eu-ismo” se tiver ido, temos liberação. Enquanto houver “eu-ismo”, haverá escravidão, é a mesma coisa. Às 10 horas da manhã, quando brilha a luz do sol, não posso dizer que está escuro. Não é? Por favor, controlem sua vista se pensaram de outra forma. Isso é o que digo a vocês. Assim, com a luz solar, não há escuridão, mas durante a noite, quando não há sol, há escuridão.


Similarmente, é esse “eu-ismo” que faz a diferença. O cultivo do “eu-ismo”, a adesão ao “eu-ismo”, o fortalecimento do “eu-ismo” é escravidão. Esse é um campo para a ciência. O total desvanecimento do “eu-ismo” é chamado de "liberação", como dizem as Escrituras, e como Bhagavan tem posto da melhor maneira.


O”EU-ISMO” É IDENTIFICÁVEL PELA PRESUNÇÃO DO FAZER E DO DESFRUTAR

"Swami, dá-me alguma pista para identificar o “eu-ismo”. Como posso saber do “eu-ismo” dentro de mim"?

 
Como disse anteriormente, está escondido em algum canto. Como identificá-lo?

Podemos identificá-lo por dois sinais. Como Baba o tem dito, “eu-ismo”  tem duas importantes expressões. Uma delas é a presunção de fazedor. "Estou fazendo isto. Fiz isso. Farei aquilo." Isto é chamado presunção. Este é um dos lados do ego.

 
O outro lado do ego é o desfrutador. O desfrutador em sânscrito, no Bhagavad Gita, é bhogruthva. Fazedor é kartritva. Karta bhava - "estou fazendo", significa fazedor. Bhogruthva é a qualidade de desfrutador. Bhogtha é desfrutador.

 
Um exemplo simples: Hoje, o salão está muito bonito, muito bem limpo. Alguém pode vir e dizer: "Você sabe, eu o limpo. Olhe como está limpo. Aprecio-o". Quer dizer, “Significa, quero reconhecimento". Acho que fui claro.


Hoje, a comida está muito deliciosa. Você sabe, eu disse isso para a dona da casa.

 
"Por que está me atribuindo mérito, amigo?"

 
É assim, reivindicar o mérito, aceitar o reconhecimento, ter a sensação de possuir a responsabilidade, é o que se chama o desfrutar, bhogruthva.

  

Então, se abandono estes dois, uma vez que deixo um deles, o outro também se vai. Uma vez que sei que não sou o fazedor, sei que Ele é o fazedor e que Ele me faz fazer. Swami me faz fazer. “Não sou eu o fazedor” significa que você renunciou ao sentimento de ser o fazedor. Uma vez que tenha renunciado a sentir-se o fazedor, já não há possibilidade para um desfrutador.

 

Tivemos um palestrante há longo tempo, faz uns 50 anos, um homem engraçado conhecido por seu inglês, o qual era igualmente engraçado. Ele era um professor distraído, como é a maioria dos professores.  (Se alguém não for distraído, não pode ser professor!)

 
Ele perguntou a um servente: "Tocou a primeira campainha para a classe?"

 
"Não, Senhor".

 
"E soou a segunda campainha?"

 
"Quando a primeira campainha não foi tocada, como pode ocorrer a segunda chamada?"

 

"A primeira campainha foi dada?"

 
"Não, Senhor".

 
"E soou a segunda chamada?"

 
Sem a campainha tocar pela primeira vez, como poderia ter tocado pela segunda vez? De maneira similar, uma vez que tenha renunciado à qualidade de fazedor, terão automaticamente abandonado a de desfrutador. É considerado como tendo sido abandonado. Portanto, Bhagavan nos diz claramente que “eu-ismo” é identificável na base da presunção de ser o fazedor e ser o desfrutador, e quando se renuncia a esse fazedor, isso é o fim da questão. Isso em si é liberação.

 

MENTE É O MOTIVO DE NASCIMENTO E RE NASCIMENTO

Tudo bem, tudo isto são astúcias, a mecânica e o jogo da mente. Isso é tudo. O problema não está fora. O problema está aqui na minha mente. Sempre consideramos que os problemas vêm dos outros.


"Por que você falhou no exame?"

 
"Meu companheiro de quarto não me permite ler".

 
"Porque morreu na tenra idade?"

 
"Ele não tinha sua saúde verificada regularmente".

 
"Por que você está tão fraco?"

 
"A comida feita no albergue não é saborosa. Portanto, não estou comendo".


Estamos sempre interessados em acusar os outros, outros e outros!

  
"Por que está mimado?"

 
"Esse colega me mimou".

 
Sempre os outros. Não queremos assumir a responsabilidade. Se desenvolvêssemos o espírito de responsabilidade, diríamos: "eu fiz isso, este é o meu erro. Por isso, estou sofrendo". Ou "eu o fiz. Por isso recebi esta recompensa. Portanto consegui este reconhecimento".


Sim, porque não queremos possuir esta responsabilidade, corremos atrás das pessoas.

 
Um exemplo simples: cometi algum delito, algum erro, e devo ser punido. Naturalmente. Quando há qualquer erro, você vai ser punido. Mas o que faço é ir a algum templo e orar: "Oh Deus, por favor, dispense-me da punição".


Você cometeu o erro e quer que Ele lhe libere da punição. Olhe isso. Pensamos que somos muito inteligentes, esquecendo o fato de que Deus é mais inteligente do que todos nós. Esquecemo-nos desse ponto.

Mato um colega, por isso serei enforcado. Mas não estou satisfeito. Vou a Thirupathi, a Venkateswara.

 "Oh, Deus, faça com que fique livre".

 
É assim como é. Por isso, meus amigos, não estamos preparados para assumir a responsabilidade. Essa é a razão porque as pessoas correm atrás dos padres, pastores, maulis, templos, centros de peregrinação, porque não estão preparadas para assumir a responsabilidade.

 
Seleciono um domingo apropriado, vou à igreja e digo ao pastor: "Na segunda-feira, oh, padre, bebi uma garrafa. Na terça-feira, padre, roubei algum dinheiro. Na quarta-feira, padre, assaltei uma pessoa. No quarto dia, padre, participei de jogos de azar poucas vezes, não por muito tempo. "


O sacerdote ouve todas essas coisas. "Vai-te, meu filho. Todos os seus pecados estão perdoados".

 
De segunda a sábado, vou ao templo, pedindo ao padre para fazer alguma pooja em meu nome. Não faço pooja; quero que ele faça pooja em meu nome. Assim, ele faz o meu pooja em meu nome, assim como o pastor escuta todas as nossas orações de segunda-feira a sábado -- e eles dão o CNO, Certificado de Não Objeção. Desta maneira você pode participar de jogos de azar novamente; próximo domingo, certo de ir ao templo ou ao padre novamente.

  
Tudo isto está na mente, meus amigos. Embora sejamos religiosos, nossas ações não o são. Embora sejamos espirituais, as nossas atitudes não o são. É por isso que não somos felizes quando se supõe que deveríamos ser. É por isso que não somos bem aventurados. Não estamos saltando de alegria, mesmo na presença de Deus, devido às artimanhas da mente. A mente é a causa do nascer e renascer.


Há outros passos a seguir. Se Deus quiser, na próxima semana iremos cumprir. Obrigado por estar entre nós esta manhã. Muito obrigado.

 

OM…OM…OM…

 

Asato Maa Sad Gamaya

Tamaso Maa Jyotir Gamaya

Mrtyormaa Amrtam Gamaya

 

Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

 

Om Shanti Shanti Shanti