9 de julho de 2006

 

“Como você pensa, assim você se torna

Parte 1

 

OM…OM…OM…

 

Sai Ram

Com Pranams aos Pés de Lótus  de Bhagavan,

Queridos Irmãos e Irmãs,

 

Antes de começar realmente esta palestra matinal, me sinto feliz em poder compartilhar importantes notícias com vocês.  Bhagavan entregou ao público o “Sai Sandesh”, o livro que contém nossas palestras de domingo. (Aplausos)  Estou muito satisfeito por compartilhar isto com vocês.  Todas estas Palestras de Domingo serão publicadas em nove ou dez volumes.  Este é o primeiro deles.

 

Estou também alegre para abertamente poder expressar milhões, trilhões e mais de agradecimentos, do fundo do meu coração, ao grupo de transcritores, editores e tradutores que traduzem nossas conversas domingueiras em seis idiomas estrangeiros que estão disponíveis na homepage: www.saiwisdom.com.  Todos eles são devotos de Bhagavan e são totalmente dedicados.  Devo confessar que suas versões editadas e traduzidas são melhores do que o original mesmo. (Aplausos)  Toda esta equipe trabalha sob a liderança de nosso amigo, o Sr. Lakhi, que está entre nós esta manhã.  Expresso-lhe meus agradecimentos ao Sr. Lakhi em nome de todos os que visitam esse site.  Solicito ao Sr. Lakhi que venha aqui e receba seu exemplar em nome de sua equipe de transcritores, editores e tradutores.  (Aplausos)

 

Somos afortunados em ter este livro publicado pelo Trust.  Isto me faz muito feliz, posto que significa que temos as benções e a ilimitada misericórdia de Bhagavan.  Rogamos que sejamos merecedores de tudo isto também no futuro.

 

“COMO VOCÊ PENSA, ASSIM VOCÊ SE TORNA

Esta manhã, enquanto pensava sobre o que poderia compartilhar com vocês, me veio à mente o tema: “Como você pensa, assim você se torna”.  Meus amigos, temos de ser extremadamente cuidadosos com nossos pensamentos.  Bhagavan tem dito várias coisas sobre estes pensamentos.  Irmãos e Irmãs, como todos são sinceros buscadores da Verdade, os estimulo a prestar especial atenção à palestra desta manhã.  Bhagavan deu uma definição única da mente em Seu próprio estilo Divino.

 

A MENTE é Um feixe DE PENSAMENTOS

Ele deu duas definições.  A primeira, como citada dos Vedas, é que a mente é um feixe de pensamentos ou desejos: Sankalpa Vikalpat Makam Manaha.

 

Sankalpa é o pensamento; vikalpa é o contra-pensamento.  A mente é um feixe de pensamentos e contra-pensamentos que se encontram estritamente entrelaçadas como os fios de um tecido.  Um tecido é feito de um feixe de fios.  De maneira similar, a mente é um feixe de pensamentos e contra-pensamentos.  Bhagavan freqüentemente dá o exemplo de um lenço – o lenço é feito de fios, quando os fios são removidos, não há lenço.  Assim também, quando não há pensamentos, não haverá mente.  Isto é o que entendemos pela primeira definição.

 

A MENTE é o CENTRO DA MEMÓRIA

A segunda definição da mente, conforme dado por Baba, é esta: a mente é o centro da recapitulação.  A mente é o centro da memória, algo como um computador.  Lembra e reúne novamente.  Traz de volta a memória do passado.  É a mente que lembra e memoriza.

 

Mananath Iti Manaha significa a mente que lembra e memoriza. Esta é a segunda definição dada por Bhagavan.  Ele freqüentemente dá o exemplo de um computador moderno.  Uma vez que alguém o liga, de imediato pode se conectar a alguma homepage em particular, que o entregará as últimas informações.  A mente humana é como o buscador do Google – você pode pesquisar e encontrar todos os conteúdos relacionados.  Isto satisfaz a segunda definição da mente humana.

 

A razão pela qual elegi este tópico para falar é porque a mente é tão pacífica em certo momento e tão perturbada em outros. Não sei o que acontece com nossa mente. Num momento agradece a Deus por todas as bênçãos que tem recebido, e em outra, culpa a Deus por não satisfazer seus desejos.  Às vezes, a mente se mostra insatisfeita por uma razão que é desconhecida dela mesma.  Estamos bem física, financeira e socialmente, ainda assim a mente está insatisfeita. Por quê?  A mente não tem resposta.  Algo anda mal com ela.

 

O estudo da mente é o objetivo e propósito da religião.  As pessoas pensam que religião é adoração, culto, visitas a centros de peregrinação, ou atos de caridade e serviço.  Mas, realmente, a espiritualidade ou religião é o estudo da própria  mente de alguém.  Na ausência desta, tudo o que faço pode me fazer sentir arrogante ou egoísta, e por isso é em vão.

 

Algumas pessoas que dizem: “Sr. Anil Kumar, visitei centros de peregrinação por toda a Índia, desde a Cachemira até Kanyakumari.” 

 

A pergunta que os faço é: “Se você visitou esses lugares, como tenho me beneficiado?  Se você tem visitado esses lugares, por que devo saber sobre isso?  Se você visitou esses lugares, em que tem mudado sua vida? Que transformação tem produzido em sua vida?

 

A RELIGIãO  e A RELIGIOSIDADe SãO COiSAS SEPARADAS

Por isso, meus amigos, essas coisas não são mais que rituais e não posso estigmatizar essa pessoa como religiosa ou ritualista. Um ritual pode fazê-lo um homem de religião, mas nunca torná-lo religioso.  A religião e a religiosidade estão separadas.  Você pode ser um homem de religião, mas não ser um religioso.  Você pode ser religioso, sem ser paladino de nenhuma religião.

 

Por isso, meus amigos, entendam isto: a religião é o estandarte, enquanto a religiosidade será a maneira na qual nos comportamos.  A religião é erudição, a religiosidade é prática. A religião estabelece sua identidade, sua separação, sua qualidade especial e sua personalidade.  Mas a religiosidade lhe permitirá perder-se na totalidade.  A religiosidade é a totalidade e religião é identidade.  A religião envolve rituais, a religiosidade é o espírito dos rituais.  Não estou caracterizando de negativos os rituais, porém o espírito dos rituais é mais importante do que eles próprios.

 

Meus amigos, embora sejamos auto-proclamados, velhos, auto-nominados e confirmados devotos, não encontramos nenhuma mudança em nossas vidas.  Não notamos nenhuma transformação em nossas vidas, nem nos damos conta de nenhum notável estado de consciência. Não reconhecemos nenhuma ventura experimental na pessoa que afirma ser devota. Uma pessoa afirma ser devota nos últimos vinte anos – exceto pela sua antigüidade, não vejo felicidade alguma em sua expressão.  Uma pessoa assevera que está em sua visita número duzentos a Prasanthi Nilayam, porém não posso encontrar nem vinte miligramas de sorriso em seu rosto. (Risos) Não há sorriso em seu rosto nem felicidade em sua vida, porém garante ser uma antiga devota de Bhagavan.  Para quê? O que quer dizer com “um devoto”?

 

Portanto, meus amigos, permitam-nos ser religiosos e não ser paladinos de religião.  Não sejam paladinos de religião ou daquilo que é dogmático, estreito mentalmente, fanático, tendencioso, predisposto e político.  A pessoa que é religiosa, é equilibrada, equânime, pacífica, venturosa e de mente estável.  Não sejamos homens de religião, sejamos religiosos.  Preocupemo-nos mais com a religiosidade do que com a religião, a qual está cheia de regras e regulamentos, uma estrutura da mente.  Todos os rituais que seguimos e todas as disciplinas que adotamos são partes do padrão da vida mundana, mas não representam a própria meta. 

 

A DEVOção NãO é Um rótulO

Bhagavan usa um exemplo.  Uma pessoa faz japa (repetição do nome de Deus) dez mil vezes cada manhã. Na verdade, a gente aprecia sua disciplina espiritual. Porém o divertido é que, logo após completar seu pooja ou adoração, começa a gritar com sua mulher, com a empregada e com as crianças.  A pergunta é a seguinte: Se se repete o nome de Deus dez mil vezes e ainda pode continuar gritando com a mulher, a empregada e as crianças imediatamente depois, de que serve esse japa? Um gravador será melhor do que essa pessoa – pelo menos não vai gritar. (Risos)

 

Se minha mente não está equilibrada, se não sou equânime, alegre ou afetuoso, para que é esta oração?  Para que é o japa? É para publicidade? É para ganhar o título de devoto? A devoção não é um título, não é um rótulo. Ser um devoto não é uma façanha. Devoção não é realização.

 

Alguém perguntou a um iogue, um grande homem: “Swami, temos sidos religiosos por tanto tempo. Por muitos anos temos praticado tudo o que se esperava de nós, e por que ainda não somos felizes? Faço japa, medito, oro, canto bhajans. Contribuo com dinheiro para todos os yogis e yagnas, mas ainda me sinto infeliz. Por quê?

 

O iogue sorriu e disse: “Isso é porque estás num caminho equivocado. 

 

E deu um exemplo. “Estás tomando um medicamento, pelos últimos dois meses, porém não consegue nenhuma cura. O que significa? Significa que estás tomando o medicamento errado. Agradeça a Deus por estar com vida, ao menos para mudar de médico e de medicamento.” (Risos)

 

De modo que o procedimento que estamos adotando no campo da religião e o padrão de vida que seguimos na nossa existência aqui não nos estão fazendo felizes; não nos estão fazendo alegres. Por quê? Aqui o iogue nos dá a resposta.  

 

DEFINAMOS NOSsos OBJETIVOS ESPIRIUAiS

Ponto um: Por que não me sinto feliz na religião? Por que não me sinto feliz sendo tão espiritualmente orientado como creio, ou acho que sou? A primeira razão é que não temos definido nossos objetivos espirituais. Os objetivos espirituais são diferentes dos objetivos mundanos. Quais são os objetivos mundanos? Estabelecer-se na vida, casar-se com alguém de grande dote, ter filhos, ganhar dinheiro até que o serviço de impostos de renda me chame, subir de status até que as pessoas me invejem e pensem que tenho uma alta posição e respeitabilidade na sociedade (embora seja tudo falso) e que me considere que estou acima dos outros (o qual é total falta de bom senso) e consideram que sou extraordinário (embora nem mesmo sou ordinário) – todos são assuntos mundanos.  Estes são todos estilos de vida.  No estilo de vida no mundo, alguém quer ser respeitável; quer ser um homem de posição e dignidade – algo especial e extraordinário. Estas são aspirações e objetivos mundanos.

 

Mas, na espiritualidade, você não é especial porque você não existe espiritualmente.  No mundo, eu existo; no mundo espiritual, eu não existo.  Na espiritualidade, você não é especial porque você não existe espiritualmente.  No mundo, eu existo; no mundo espiritual, eu não existo.

 

Uma gota existe.  Quando a gota retorna ao oceano, a gota não existe mais. A espiritualidade é uma totalidade oceânica, holística, compreensiva e integrada, enquanto que o mundo é desintegrado, individualista, com nome e forma.  Também no campo da religião, você quer ter dignidade, quer ter um status, quer ter uma identidade.  Portanto, não são felizes. 

 

A ESPIRITUALIDADe NãO é Um  PROPÓSITO

A segunda razão é que no mundo sempre andamos atrás de uma realização.  Creio que deveria alcançar algo especial.  “Oh, você repete o nome Sai Ram (namasmarana) milhares de vezes? Eu o farei dez mil vezes!

 

Os jogos de futebol estão nas notícias.  Creio que a França e a Itália vão estar na final. Sim, também queremos ser competitivos como nos jogos de futebol. A espiritualidade torna-se como um jogo de futebol, onde um quer sobrepujar o outro indivíduo.  É realmente divertido.

 

A mente sempre quer conquistar, a mente quer alcançar algo.  A mente sempre tem metas, aspirações e objetivos. Mas isto pode ser um problema na religião. A religião não é uma meta. A espiritualidade não é uma aspiração. A religião não é uma façanha.  Não.  Você pode alcançar algo no mundo, mas na espiritualidade você não conquista nada.  A espiritualidade é realização. A religião é realização.  Isso é tudo.

 

Eu estou pedindo uma caneta. Muitas pessoas se adiantam e dizem: “Aqui está uma caneta”.  Mas um homem sábio diria: “Por que estás pedindo a todos uma caneta, quando tens duas no bolso?” Devo dizer que adquiri estas canetas?  Devo dizer que as comprei? Devo dizer que as roubei, que as mendiguei ou as pedi emprestado? Estupidez! Absoluta insensatez!  Totalmente sem sentido!  Tenho as canetas.  Porém, sou distraído, de modo que me esqueci delas e estou pedindo uma caneta a vocês.  De maneira similar, a espiritualidade ou a religião irá removê-lo desse estado de distração.  Retirá-lo-á desse estado de inconsciência e removerá o cobertor da ilusão sob o qual você está.  Removerá as cataratas da ignorância e os dirá quem já são. 

 

TU éS AQUiLo

Thath Thwam Asi o “Tu és Aquilo”. Você já é Aquilo.  Não vai se converter Naquilo. Você é Aquilo!  Isto é o que significa Thath Thwam Asi.  Mas a mente se recusa a aceitá-lo.  “Eu sou isto, você é Aquilo; eu me converterei Nisso”.  Ao converter-se naquilo partindo disso, há uma façanha, há uma satisfação. Há uma viagem do ego e uma satisfação para o ego.  O sucesso não é outra coisa que a satisfação para o ego.

 

É por isso que nossa mente se recusa a aceitar que “Eu sou Thath”. Mas se a Divindade é tão simples, se já sou Thath, então não quero Thath.  Por quê? Não fiz qualquer tentativa.  Não me esforcei.  Se todos são Thath, então, onde está minha superioridade?  Nada em você deveria ser Thath; eu sozinho deveria ser Thath. (Risos)  Então é religião.

 

Não deveríamos andar buscando piadas em nenhuma parte.  Nossa vida mesma é uma piada. (Risos) Nossas vidas nos proporcionam um vasto humor. Quando os Vedas dizem que tu és Aquilo (Thath Thwam Asi), não me sinto feliz, porque eu quero chegar a ser Aquilo.  Se você diz que já é Aquilo, não há nada de especial nisso. Portanto, meus amigos, não somos felizes porque não temos entendido nossas metas espirituais ou o estilo espiritual de vida.  O estilo espiritual de vida não é nem dote nem realização; é somente uma recordação do que você já é, porém se esqueceu.

 

A ESPIRITUALIDADe é tornar-se um com a TOTALIDADe

Baba disse: “Sabhayu Brahma, Nibhu Brahma, Sukalanyu Brahma, Suryuranha Brahma, Chandruranha Brahma.

 

O significado é : Esta congregação é Divina, vocês são Divinos, o sol é Divino, a lua é Divina, as estrelas são Divinas, a terra é Divina.”  

 

Mas essas palavras não se registram. Por quê? “Se todos são Divinos, que há de especial comigo? Eu deveria ser especial”,  isso é como sentimos.  De modo, meus amigos, desde que a espiritualidade não nos faz sentir especiais, não a queremos. Isso é a coisa mais desafortunada.

 

A religiosidade é esquecer a identidade e tornar-se um com a Totalidade. Não me considero um com todos os demais, porque quero me sentir especial.  A menos que esse sentimento desapareça, nunca poderei chegar nem sequer na periferia da espiritualidade.  Então, qual é o meu primeiro inimigo? É a minha mente. Esta mente é responsável por tudo o que tem sucedido.

 

A MENTE É UM MACACO MALUCO

Baba tem se referido a alguns pontos nesse particular, que gostaria de chamar sua atenção. Primeiro ponto: Baba compara esta mente a um macaco maluco, embriagado, cuja calda está queimando. Você pode imaginar isso!  O que faz a mente maluca ou a mente embriagada? (Os macacos bebem? O homem deu alguma coisa para o macaco beber?) (Risos)  Swami disse que esta bebida é vishaya vasana ou o que chamamos prazer sensorial.  A mente é um macaco que está embriagado com a bebida do prazer sensorial.

 

Segundo, esta mente de macaco é mordida por um escorpião.  Já está embriagada, e agora foi mordida por um escorpião, duplicando o problema.  O que é este escorpião?  Baba disse que o escorpião é a emoção ou a paixão no homem.  De modo que a mente, o pobre macaco, está ébrio com a bebida do prazer sensorial e é mordido pelo  escorpião do caráter, a emoção e a paixão, e tem se tornado enlouquecido. O que é esta loucura?  Esta loucura é a mundanidade.

 

Considerar este mundo como o todo e a única coisa na vida é loucura. Esse é o estado de nossa mente atual. Cada um e todos nós temos uma mente de macaco ébrio e mordido por um escorpião. Se alguém disser que sua mente não é isso, é lamentável.  Não se preocupem, ele não sabe o que é a mente.  Simplesmente o perdoe.

 

Assim, o que faz este estado mental? Baba disse que esta mente de macaco nos faz esquecer a Divindade. Nos faz esquecer que somos Thath, que somos Divinos. Thath Thwam Asi – eu sou Divino!  “O reino dos céus está dentro de vocês”, diz a Bíblia.  Baba disse que não somos conscientes deste fato devido a esta mente de macaco. 

 

A MENTE É COMO UMA FACA

Baba é tão misericordioso. Não quer que condenemos a mente. Não quer que a consideremos unicamente como negativa e prejudicial.  Não!  A segunda comparação da mente é com uma faca. Com uma faca alguém pode cortar frutas e vegetais. Com uma faca também podemos cortar a garganta de outra pessoa. Uma faca pode ser usada para cortar vegetais e a garganta.  Segundo o que pensa, assim você se torna.  Segundo o pensamento, assim é você.  O pensamento é uma poderosa faca.

 

 Se o pensamento é de raiva, estarei furioso; gritarei com você.  Meus amigos, deixem-nos permitir que todos gritem conosco. Roguemos a Deus que permaneçamos equilibrados, porque aquele que gritar com você fará com que aumente, repentinamente, sua própria pressão arterial e o açúcar. Ele irá para o hospital; vocês estarão normais.  Benditos sejam aqueles com quem se grita.  Benditos sejam aqueles que são violentamente reprimidos ou atacados, porque aquele que grita irá para o hospital; e aqueles que receberam os gritos seguirão confortavelmente.  Uma pessoa irada é como um cilindro de gás que pode explodir a qualquer momento.  Essa é a segunda comparação.

 

A MENTE É COMO O ESPAÇO

Terceira comparação: (Estas são todas dos discursos de Baba, meus amigos. Não são minhas. Sendo um professor de botânica, não sou capaz de falar assim.)  A mente é como o espaço, o éter.  O éter não tem peso e se move vagarosamente.  De maneira similar, a mente é leve. Como o éter, pode ir a qualquer lugar.  Agora mesmo, posso pensar em doces na cantina, minha passagem de volta, a data de término de meu visto ou a taxa do banco, tudo expira ao mesmo tempo.  Estando aqui, minha mente pode ir a qualquer parte. Não necessita adquirir nenhuma passagem, não necessita mostrar um passaporte nem obter um visto.  Pode ir a qualquer parte porque é tão leve. Essa é a terceira comparação. 

 

A MENTE É COMO A ELETRICIDADE

Quarta comparação: Baba disse que a mente é muito sutil, como a eletricidade.  Poderia eletrocutá-lo se estiver descuidado.  É benéfica para iluminar ou prover a luz.  A eletricidade fornece luz e deleite se você fizer um uso adequado dela; mas, se não são cuidadosos, pode eletrocutá-los.  De modo que a mente é como a eletricidade.

 

A MENTE É COMO UMA CRIANÇA

A quinta comparação, Baba disse, é que a mente é como uma criança. Sigam este exemplo, meus amigos. Peço a sua especial atenção a este lindo exemplo.  As pessoas dizem a Baba: “Minha mente é descuidada” ou “Swami, minha mente está cheia de pensamentos” ou, “Swami, minha mente não é equilibrada” ou, “Swami, não posso me concentrar”.

 

Baba dá um exemplo. Aqui está a mãe com seu filho, o qual brinca com areia perto dela.  A criança está fazendo uma casa de areia.  A criança disputa, luta, grita e brinca, fazendo tudo que faz uma criança. A mãe está a uma pequena distância dela. A ocupação da mãe é observar a criança enquanto brinca, cuidando para que não se fira ou se lesione.  A mãe simplesmente olha a criança brincar.  A criança brinca e eventualmente pára e vem para perto da mãe.  Quando a criança percebe que a mãe está observando todas suas travessuras, vem para perto da mãe.  Não é assim?  Estes são os exemplos dados por Baba.

 

A ELIMINAÇÃO DO PENSAMENTO LEVA à RETIRADA DA MENTE

Deixe-nos interpretarmos isto: “Observe sua mente”. 

 

Observar minha mente?

 

“Sim”. 

 

“Como observo minha mente?”

 

Como observar minha mente, se penso que sou a mente?  Essa é a tragédia. É possível observar nossa mente?  Sim, é.  Baba lhe diz  como.  Tenho este pensamento exatamente agora: “Quando será o  darshan de Swami esta tarde?”  Tenho este pensamento agora mesmo: “Qual é o menu do almoço?’  Conheço meus pensamentos.  Você está cônscio dos seus pensamentos? Não conhece seus pensamentos?  Você não sabe que seus pensamentos estão fluindo continuamente, incessantemente, através de sua mente?  Uma vez que conheçam seus pensamentos, uma vez que estejam alertas frente a seus pensamentos, uma vez que estejam conscientes de seus pensamentos, o fluxo de pensamentos se tornará mais lento. Eles vão se reduzindo gradualmente, até que param.

 

O fluxo de pensamentos pára quando você observa seus próprios pensamentos.  A parada total do fluxo de pensamentos se denomina retirada da mente.  A cessação total, a total eliminação de pensamentos é chamada de aniquilamento da mente ou manonashana.  De modo que, como você pensa, assim você se torna.  Uma vez que esteja sem pensamentos, você está em paz, está bem aventurado e serão totalmente Divinos.  São os pensamentos que os tornam demônios.  São os pensamentos que o torna animal. São os pensamentos que o torna humano.  São somente os pensamentos  que os fazem Divinos.

 

Mana Eva Manushyanam Karanam Bandha Mokshayoh.

 

O que significa: É a mente que é responsável pela escravidão e pela liberação.  Como disse John Milton, o poeta inglês: “É a mente que faz do céu um inferno ou do inferno um céu. 

 

SEJA UMA TESTEMuNHA parA SUA PRÓPRIA MENTE

Por isso, seja um observador.  Seja uma testemunha para sua própria mente, como disse Baba. Alem disso, a recitação Védica que você ouve toda manhã, eu gostaria de repetir aqui.

Chandrama Manaso Ajayatha Chaksho Suryo Ajayatha.

Aqui o ponto é este: Surya, o sol, é o que chamamos o poder do Si Mesmo, o Atma e a testemunha.  Baba dá este exemplo.

 

(Por favor, amigos, as reuniões de domingo são círculos de estudos, onde lentamente vamos entendendo os Divinos ensinamentos.  Como Baba nos fala, estamos perdidos na Divina melodia da mensagem. Estamos perdidos no esplendor da Divina forma, no ritmo da corrente  Divina.  Mas estas conversas domingueiras nos ajudam a ponderar, a concentrarmos tranqüilamente em todos e em cada um dos pontos.)

 

Depois do discurso de Bhagavan, se você pergunta aos assistentes como foi a conversa, dirão, “Oh, maravilhoso!”

 

“Eu vejo...  Como maravilhoso foi?”  

 

“Oh...  Oh...uau!”  

 

 “Eu percebo.. O que Ele disse?”  

 

“Não me recordo.”   (Risos)

 

Os discursos de Baba não são para nossa apreciação.  Os discursos de Baba não são em nossa homenagem ou para elogios. Os discursos de Baba são para nossa compreensão, para nossa percepção, para nosso entendimento, para nossa prática e para nossa transformação.

 

Não para que digamos, “Oh..  foi fantástico!”   Se você diz isso ou não, é fantástico.

 

Não pode dizer: “Sol, você reluz brilhantemente.”  

 

Ele dirá: “Você estava cego todos estes anos?

 

Portanto, não estou aqui para elogiar os discursos de Baba.  Deixe-nos entender cada ponto claramente, até onde sejamos capazes de absorver, emular, seguir e traduzir Seus ensinamentos em ação em nossas vidas.

 

A MENTE É COMO A LUA

Qual é este exemplo?  A lua não é independente. A lua nunca pode brilhar por si mesma.  É a luz do sol que cai sobre a lua e é refletida de volta para que a vejamos.  A luz da lua é o reflexo da luz do sol. O sol é Chaksho Suryo Ajayatha, ou o poder de Si Mesmo.  O sol é o poder Átmico, a consciência Divina, o espírito.  A lua é a mente. É ativa quando cai sobre ela a luz do testemunho, da consciência, do espírito.

 

Nos entusiasmamos com a sensação de que é a lua que brilha.  Não!  A luz da lua é um reflexo. De maneira similar, o seu Si Mesmo é o sol.  Se você observar sua mente com esse sol, ou o espírito da percepção e a consciência, com o poder da energia de Si Mesmo, entenderão como podem retirá-la.  Entenderão quão inexistente, quão refletiva e quão dependente é a mente.  É por isso que o estudo da mente tem de ser o objetivo de cada aspirante espiritual. 

 

A AUSÊNCIA DE PENSAMIENTO é a LIBERAção

Bhagavan acrescenta este ponto: Alguém o perguntou a Ramana Maharshi: “Swami, como nos libertamos da servidão”?

 

Ramana Maharshi riu e disse: “Quem o tem feito cair na escravidão? Por favor, me mostre a pessoa que o lançou e o mantém na prisão da servidão. Onde está o culpado?

 

Além disso, Ramana Maharshi disse: “Você está liberado, porém pensa que está no cativeiro”.

 

O cativeiro é seu pensamento.  A ausência de pensamento é liberação. O pensar é servidão de acordo com Ramana Maharshi.  Suas palestras e conversações são como 100.000 mg de potência.  Conhecemos as pílulas de 2 mg, de 5 mg, de 10 mg e de 500 mg.  Mas as palavras de Ramana rishi são de 100.000 mg cada pílula. Engulam-nas e estão feitos – entenderão o que são. 

 

Bhagavan explica tudo em detalhes, porque não podemos compreender a pílula.  Queremos grandes quantidades de matéria. Se venho para o jantar e me servem comprimidos multi-vitamínicos, digo adeus, não me sentirei feliz. (Risos)   

 

Você me convida para jantar. Venho e você me diz: “Anil Kumar, abra a boca.  Aqui tem um pouco de água e comprimidos multi-vitamínicos, Obrigado!”  (Risos) Não!  Quero o menu completo; dal, caril, molho picante, sobremesa.  Somente então direi: “Muito bom!  Obrigado meu garoto!”

 

De modo que as pílulas não nos servirão.  A menos que tenhamos uma suntuosa refeição, um completo thali, não nos sentimos satisfeitos.  Por isso que a conversa de Bhagavan é uma refeição completa para nós. Não funcionamos com pílulas. E é por isso que Bhagavan explica a mente assim. Como saber se isto é a mente? Como saber se isto está além da mente?  O que está dentro da mente e o que está além da mente? Aquilo que se sente no cativeiro ou preso ou na liberação é a própria mente. 

 

vocês NAsCEm LIBERADOS

Uma senhora disse um ano atrás: “Anil Kumar, me dei conta que estou liberada”.  

 

Disse: “Por favor, me livre desta conversa”. (Risos) 

 

Ela retrucou: “Sabe?  Algum Brahmaranda se abriu aqui e Swami me outorgou o Brahma Jnana e continuou falando assim.   

 

Eu lhe disse, “Deus a guarde.  Posso lhe dar o endereço de um psiquiatra, porque você necessita de um com urgência.”  (Risos) 

 

Não sei como se abre o Brahmaranda.  Ela pode ter caído em algum lugar.  Brahmasakshatkarea?  Não sei se é um balde cheio de água para vertê-lo sobre a cabeça.  É tudo imaginação e histeria.  Por isso, meus amigos, aquilo que nos faz pensar que estamos no cativeiro é a mente.  Aquilo que nos faz pensar que está liberada também é a mente.

 

“Oh!  Aquilo que pensa que está liberada é também a mente?”

 

Sim, porque vocês já estão liberados.  Nascem liberados. Se pensam “estou liberado”, isso é a mente.  Não tenho que pensar nisso, porque você já está liberado.

 

O NãO-DUAL ESTÁ ALÉm dA MENTE

Segundo ponto: aquilo que é dual, é a mente – bom e mal, luz e escuridão, homem e mulher, lucro e perda, vitória e derrota. Isso que é dual é a mente.  O que não é dual está além da mente.

 

Este é outro ponto sobre o qual Baba fala.  Existem algumas pessoas que dizem: “Sabe, Sr. Kumar, sei como administrar o tempo.” “Oh?”  “Tenho uma programação para tudo.”  “Oh, sei...”  “Não confundo nada.”  “Muito bem!

 

“Permita-me saber algo sobre sua vida, porque parece ser um grande homem”.  Misturo bastante aqui.  Como lhe observo, me interessaria melhorar a mim mesmo.  Deixe-me saber!

 

Ele disse: “Tenho tempo para os estudos.  Tenho tempo para meu trabalho.  Tenho tempo para minha família. Tenho tempo para minha meditação. Tenho tempo para minha adoração ou puja.”  

 

Muito bem! Porém finalmente, tive que dizer-lhe: “Você é uma máquina!

 

Somente uma máquina ou um robô pode se organizar assim, não a mente humana. Impossível! No escritório, você pode pensar na família. Quando está com a família, pode pensar na disputa no escritório. É impossível!  Das cinco às sete – orações; das sete às oito – café da manhã; das nove às cinco – escritório;  não pode funcionar assim.

 

Cale-se! É uma insensatez!  Pode ser que você seja um néscio. Não sou tão tolo para acreditar nisso. A mente jamais se prende a um horário. Se realmente segue esse programa, algo deve andar mal com você. Não estou preparado para acreditar; porque não está na natureza da mente, o ajustar-se a seu horário. Nem as estações ferroviárias acatam seus horários.  Alguém observa: “Hoje a chegada do trem está na hora certa.” E outro homem diz: “Deveria ter chegado a mesma hora de ontem.  Está  24 horas atrasado.” (Risos) De modo que a mente não é uma tabela de horários nem um programa ao qual nos ajustamos.

 

Assim, o que é a mente agora?  Esse é o terceiro ponto. Este (iha) e aquele (para), o trabalho de Swami (Swami karya) e meu trabalho (swakarya), isto é mundano e aquilo é espiritual; tudo isto se refere à mente. Além da mente, não tem nada como mundano (laukikam) nem espiritual (parmarthitam). Não tem nada como meu trabalho (swakarya) e o trabalho de Swami (Swami karya).  Nada.  Por quê?

 

Tudo é Divino. Quando se discursa na sala de aula, é o trabalho de Swami.  Quando se faz negócio no shopping, é o trabalho de Swami.  Quando se profere uma sentença como juiz, é o trabalho de Swami. Não existe nada como o trabalho que você faz. Por que você diz é meu trabalho ou o trabalho de Swami?  Você diz isso devido ao ego. 

 

“Este é meu trabalho, por favor me agradeça.” 

 

 “Este é o trabalho de Swami, o congratule.”

 

Falta de senso!  Não melhoraremos nunca, nem depois de cem vidas.  Tudo é Swami.  Tão logo começarmos nosso trabalho com uma oração, o trabalho se converte em adoração. Dever é Deus.  Isto está além da mente, como explica Baba.

 

como É a cor dA LENTE Dos Óculos, assim é a COR  da cena

Swami explica mais.

 

Poderia dizer: “Oh! Tudo parece ser vermelho agora. Oh não, tudo parece ser azul agora. Tudo parece ser amarelo agora. 

 

Alguém virá e dirá: “Não Sr. Kumar, mude seus óculos. 

 

Conforme for a cor da lente dos óculos, assim é a cor da cena.  Como é a mente, assim são os pensamentos.  Conforme for o pensamento, será a ação.  Segundo a ação, assim será o resultado.  Conforme for o resultado, serão os nascimentos e re-nascimentos.

 

(De fato, quero explicar isto, porém a explanação pode me tomar também a próxima aula. Vamos ver. Lá na Universidade estamos limitados pelo programa de estudos, os exames semestrais, etc.  Pelo menos num círculo de estudos não necessitamos nos preocupar com isso.)

 

De modo que a mente faz surgir o pensamento e o pensamento é responsável pela ação e a ação nos fornece um resultado.  E o resultado é responsável pelos nascimentos e reencarnações.

 

o “SOFTWARE” DA VIDA passada

A mente é o centro.  Posso também usar os computadores como um exemplo, uma vez que vivemos nesta era computadorizada. Não sou um especialista em computadores, no máximo sei usar o correio eletrônico graças as minhas crianças que esperam diariamente por meus e-mails.  Mais do que isso, não sei mais nada.  Como observo, o computador é “hardware” e necessita de “software” para funcionar.  De maneira similar, a mente é o “hardware” que leva consigo o “software” da vida anterior.  Este “software” da vida prévia é o programa no computador da mente humana.  Assim, todas as nossas vidas passadas, obras e conseqüências passadas estão registradas no “software” sob a forma de samskaras, não TV Samskar, mas samskaras.  Os vasanas ou samskaras (impressões ou características) representam o “software” da vida anterior.

 

Não me deixe falar mais Sânscrito, o mínimo que sabemos.  Embora as pessoas rezem em sânscrito, o desconhecem.  As pessoas recitam os Vedas, porém ninguém tem estudado seu significado.  Assim, samskaras ou vasanas compõem este “software” no cérebro, na mente humana, de acordo com o que atuamos agora. 

 

como é o ALIMENTO, SERÁ A MENTE

A mente humana também é constituída do alimento que consumimos.  Conforme for esse alimento, será a mente – alimento sátvico, mente sátvica; alimento rajásico, mente rajásica; alimento tamásico, mente tamásica.  Portanto, as pessoas deveriam exercitar disciplina com relação ao alimento.  Se o alimento está podre, esse indivíduo terá uma mente apodrecida.  Não cabe a menor dúvida a respeito. 

 

OS MEIOS PARA GANhar seu ALIMENTO

O Bhagavad Gita disse que a maneira como você ganha o alimento, por meios justos ou ilegais, também é responsável pela mente.  Suponhamos que me deixe arrastar por um suborno e corrupção, ou mato algumas pessoas, me pagam por isso e compro meu alimento com esse dinheiro.   Uma cama já estaria reservada no hospital. (Risos)  Somente o dia da partida deste planeta tem que ser decidido.  Tudo está contabilizado devido a isso.  Não somente o alimento que comemos agora, mas também os meios para consegui-lo; os meios, legais ou ilegais, são levados em conta. 

 

JÚNTEM-SE COM TODOS

Terceiro é a companhia que se tem.  A companhia que seja competitiva, comunal, classista, orientada pelo dinheiro, é a pior companhia com quem nos poderíamos juntar.  Sempre peço a meus amigos na Universidade que se mesclem com todos.  Só porque você é de Andhra Pradesh, não se junte somente com pessoas de Andhra Pradesh.  Assim nunca melhoram suas vidas.  Não se relacione somente com pessoas que falem tamil somente porque você é de Tamil Nadu.  Você levará uma vida condenada.  Aprendam a compartilhar com todos, assim vão terminar sendo multilíngües.  Aprenderão sobre diferentes culturas.  Serão verdadeiros cidadãos da Índia.  São herdeiros legítimos da cultura, o legado e a tradição da Índia.  Por favor misturem-se com todos.  Assim, a companhia também decide como é sua  mente.

 

A mente tem o passado, o presente e o futuro.  O alimento e a companhia atuais e os vasanas e samskaras pretéritos, planificam o futuro.  Assim é a mente.  Esta mente gera pensamentos.

 

Muitas pessoas dizem: “Senhor, em Prasanthi Nilayam, estou bem. No momento que me vou, é espantoso. 

 

Naturalmente, porque quando estão aqui, a mente está em repouso.  Devemos comer somente na cantina.  Não pode servir-se de carne de boi, ou porco, ou frango.  E não podem comer a qualquer hora que queiram. Os horários são específicos, o menu de alimentos é específico.  A vida é disciplinada, por isso se sentem tão bem.  No momento que saem daqui, se almoça às 15:00h, o jantar é a meia noite e, na manhã seguinte, já estão com febre.

 

Portanto, meus amigos, uma mente assim – com comida sátvica, em sathsang ou boa companhia, com os samskaras da vida passada, que nos tem trazido até os Pés de Lótus de Swami agora – gera pensamentos.  Os pensamentos dão forma a ação, ou karma.  O Karma produz resultados (karma phala) e esses são responsáveis pelo nascimento e os re-nascimentos (janma e punya janma).

 

O resto estudaremos na próxima aula.  Obrigado.

 

 

Anil Kumar terminou seu satsang cantando “Bhajamana Narayana Narayana Narayana.”

 

           OM…OM…OM…

 

Asato Maa Sad Gamaya

Tamaso Maa Jyotir Gamaya

Mrtyormaa Amrtam Gamaya

 

Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

 

Om Shanti Shanti Shanti