3 de setembro de 2006


"Onam 2006"



OM…OM…OM…

 

Sai Ram

 


Com Pranams no Pés  de Lótus  de Bhagavan,



Queridos Irmãos e Irmãs,

 


Estamos reunidos novamente após um longo intervalo. Acho que perdemos as Conversações de Domingo por cerca de 3 ou 4 semanas devido ao Yagnam e outros festivais. Peço-lhes desculpas por quaisquer inconveniências.

 

De acordo com o programa anunciado, as celebrações de Onam começam a partir de hoje. Podemos ter um programa musical esta manhã. Pode ser que seja postergado até a sessão da tarde. Esperemos que seja assim. Houve uma sugestão de nossos amigos que eles gostariam de fazer uma sessão de pergunta e resposta esta manhã. São muito bem-vindos para fazê-las.


IMPORTÂNCIA DAS CELEBRAÇÕES DE ONAM

Antes de começar com as perguntas e respostas, gostaria de expor a vocês alguns pontos relativos às celebrações de Onam. Onam é um importante festival celebrado pelos Malayalis - nossos irmãos e irmãs do grande estado de Kerala.


Kerala é um grande Estado, porque tem a maior taxa de alfabetização no país. Também estamos orgulhosos deles por preservarem a cultura indiana, o folclore, a música clássica e as danças que representam a cultura indiana. Se Deus quiser, devíamos ter uma oportunidade para visitar esta grande terra.


BALI - A PERSONIFICAÇÃO DO SACRIFÍCIO

Houve um imperador com o nome de Bali, um grande devoto - um devoto de sacrifício e amor, na terra de Kerala. Ele era muito apreciado e venerado por todo o reino. As pessoas o adoravam, mas Deus decidiu que ele deveria atingir um nível mais elevado de realização. Deus decidiu que ele devia ser um modelo para o resto dos reis de todo o mundo e lembrado pela humanidade por eras vindouras. Por isso, Deus promulgou um drama para fazer dele sublime, para fazê-lo histórico.


Deus veio na forma de um anão chamado Vamana, quando Bali estava celebrando um yagna - um ritual espiritual. Bali era conhecido pelo seu espírito de sacrifício – ele lhe daria qualquer coisa que alguém pedisse; e Deus veio e pediu três passos!


Para um imperador, três passos não é nada. Mas o imperador Bali tinha um professor, seu preceptor chamado Sukracharya. Sukracharya era um homem muito inteligente, um homem de visão e firmeza, que poderia prever o que ia acontecer. Ele disse ao Imperador Bali que a pessoa que chegou lá, Vamana, não era um homem pequeno.


Ele disse ao Imperador Bali: "Ele está pedindo apenas três passos, mas Ele vai lhe derrotar. Ele não é um homem comum. Não prometa nada".


Mas Bali disse: "Não é da minha natureza dizer 'não' a ninguém. Vou lhe dar o que quer que Ele peça".


Mas Sukracharya lhe disse mais uma vez: "Ele não é um homem comum. Ele é o Senhor Vishnu, o próprio Deus - que está pedindo os três passos. Não prometas nada. Você será derrotado. Tenha cuidado".


Então o Imperador Bali disse: "Quando Deus vem até mim pedindo algo, Sua mão está no nível mais baixo. Quando vou Lhe dar algo, a minha mão será a mão superior. Assim, quando tenho a oportunidade de dar algo a Deus, o que mais posso desejar. Dar-Lhe-ei o que quer que Ele peça".


E então Vamana lhe disse: "Tudo bem! Os três passos estão concedidos".


O anão Vamana então se tornou uma figura cósmica – uma figura cósmica muito grande. Com um passo, Ele ocupou todo o planeta, com outro, o total do mundo superior. E com ambos os mundos cobertos, onde Ele daria o terceiro passo?


Neste ponto, o Imperador Bali Lhe disse: "Pode dá-lo sobre minha cabeça".


Foi assim que o imperador Bali prostrou-se por terra, e Deus deu o terceira passo, mantendo Seus pés na cabeça de Bali.


Desta forma, Deus ocupou os três mundos. Muito satisfeito com o Imperador Bali, Ele lhe disse: "Você não só estava preparado para dar tudo, mas estava disposto a baixar a sua cabeça de forma que pudesse colocar meu pé sobre ela. Este é o epítome do serviço e sacrifício"!


Deus também disse: "Seu nome será lembrado pela eternidade. Você será adorado por todos e haverá grandes celebrações em seu nome".


Então, foi assim que se iniciou Onam. Onam é um festival celebrado em honra, na apreciação e adoração ao imperador Bali que sacrificou tudo. É uma celebração do espírito de sacrifício, uma celebração da verdade, uma celebração da entrega. Você não encontrará nenhum outro festival em todo o país, que simbolize o espírito de sacrifício, como vocês encontram na vida do imperador Bali. É por isso que o festival de Onam é tão importante e observado pelos Malayalis onde quer que se encontrem.


KERALA - O ESTADO DA CULTURA

Mas qualquer interpretação por Bhagavan é bastante nova, nova e única. Ele a explica no Seu próprio estilo. Bhagavan nunca se deixará levar por nenhuma interpretação convencional, tradicional. Ele acrescenta algo novo a isso. Como Ele explica o festival de Onam?


Deixem-me partilhar com vocês algumas das opiniões de Baba sobre este festival. O primeiro ponto é que Baba sempre fala elogiando a grande terra de Kerala. Digo-lhes que a coloca no céu. Neste dia, Ele mantém todos os seus habitantes no topo da montanha. Você pode verificar nos discursos de Bhagavan; cada festival de Onam, Ele elogia essas pessoas. Por quê?


Uma razão é que Kerala é uma terra onde a cultura indiana é preservada e sustentada. Embora muitos Malayalis sejam ricos o suficiente, eles são todos educados e possuem grande apego à sua cultura. Swami sempre se refere a este ponto. É uma terra onde a cultura é sempre preservada e sustentada, onde existe o teísmo - o que significa que as pessoas são religiosas.


Mas a coisa engraçada é que eles sempre tiveram um governo comunista. Essa é a ironia da vida. O governo é gerido por comunistas, mas a população é tradicional e religiosa. Esse é o paradoxo da vida. E Swami os elogia por seu espírito de trabalho árduo, pela indústria e pela inteligência, o que é bem verdade. Os Malayalis estão espalhados por todo o mundo e são conhecidos pelo seu trabalho árduo e inteligência.

Swami fala muito do Imperador Bali, porque ele era um governante ideal, respeitado por todos os seus subordinados, por todas as pessoas da nação. Por uma questão de gratidão, e reverência com seu governante, os Malayalis observam o festival de Onam.


Ponto três - acredita-se que o imperador Bali volte a terra para ver o seu povo. Ele volta à terra e circula por Kerala, a qual ele governou numa ocasião. Ele se sente muito feliz quando ele vê as pessoas lembrando dele, e abençoa a todos neste dia.


CRESCER ALÉM DO TEMPO

O próximo ponto é profundamente espiritual - o significado espiritual de Onam, na ótica de Bhagavan. Na verdade, tenho lido alguns relatos sobre o festival de Onam escritos por diversos estudiosos e diferentes filósofos. Mas a maneira como Baba o vê é diferente. Como Baba explica isso? Meus amigos, tenho certeza de que apreciarão. Por que Deus pediu três passos ao imperador Bali? Quando todo o mundo pertence a Deus, quando todo o universo pertence a Deus, porque Deus haveria de pedir por três passos? Por quê?


Bhagavan dá novas e variadas interpretações, em diferentes estilos, em diferentes ocasiões. Gostaria que revisassem os discursos que Ele tem feito sobre Onam. Bem, cada vez aparece com uma nova interpretação. Se alguém pensa, “assisti ao Onam do ano passado. Não é necessário comparecer este ano", tenho pena dele. Os festivais podem ser repetidos, mas as interpretações são multidimensionais. Sim, cada vez Ele o explica de uma maneira nova. Apresentarei algumas, não todas.


Primeiro: o número três significa os três períodos de tempo - passado, presente e futuro. Quando Deus pediu os três passos, queria que você renunciasse aos três períodos de tempo - passado, presente e futuro. Entreguem o tempo a Deus. O Tempo é Deus. Deus é tempo, e Ele é o senhor do tempo, controlador do tempo e além do tempo. Deus é o tempo e Ele está além do tempo. Por isso, quando você entrega os três passos, significa que você está entregando o tempo - passado, presente e futuro. Significa que está crescendo além do tempo. Significa que você está atingindo um estado de intemporalidade.


O TEMPO É MENTE

Intemporalidade - o que é o tempo? O tempo é mente. Você pergunta a um homem louco, qualquer homem louco; temos muitos deles. Não temos escassez de pessoas loucas. Pessoas loucas não têm o senso de tempo. Certamente aqueles que falam continuamente, esquecendo-se do tempo, são igualmente loucos. O tempo é a mente. Assim, um homem que é louco não tem percepção do tempo. Uma criança, um bebê recém-nascido, não tem senso do tempo. Quando dormimos, não temos percepção do tempo. No sono profundo, tampouco. Pode me dizer exatamente quando você sonhou? Não. Pode me dizer a duração do sonho, quando você não teve nenhum sonho? Não. No sono profundo a mente é passiva, é inativa; em sono profundo a mente é retirada.


O estado de ausência da mente no sono profundo é chamado sushupthi. Durante esse estado, você não tem percepção do tempo. De modo que  ir além do tempo é possível para duas classes de pessoas - aquelas que são loucas e aquelas que foram além da mente. Incidentalmente, posso dizer-lhe que as pessoas sustentam que pessoas loucas não têm mente. Estão equivocados. Os loucos estão cheios de mente. (Não me tomem por um. Ainda não, felizmente!) Quando digo que um homem é louco, ele possui mais mente, está cheio de mente. Por quê? Ele continua falando sozinho. Está sempre fazendo alguma coisa. Está lutando continuamente com alguém. Sorri continuamente. Ele está mentalmente, totalmente engajado. Por isso, ele está totalmente tenso, sempre agitado; está sob tensão; ele está cheio de risos, hilariante - está cheio de mente. Mas um homem inteligente está além da mente. Um homem inteligente deveria estar além da mente. A pessoa que está cheia da mente é mental - vamos rever a nossa definição.

 
Então, quando ofereço três passos a Deus, como o fizera o imperador Bali, em resposta a Vamana, o anão, os três períodos de tempo são rendidos a Deus; significando que alguém foi além da mente. É por isso, meus amigos, que espiritualidade é intemporalidade; a espiritualidade é a retirada da mente; espiritualidade é ir acima ou além do tempo, porque a religião é eterna, imortal, e não tem nem começo nem fim. O que tem um princípio e um fim está no âmbito da mente. O que tem um princípio e um final está dentro do calendário do tempo; mas Deus está além do tempo. O que é visualizado, do que se fala, aquilo que é comunicado, que se especula, que é interpretado, o que está expresso, aquilo que é explicado não é senão o jogo da mente. Mas Deus está além da mente.

 
Os grandes intelectuais podem continuar falando disparates e podem seguir pensando que podem explicar tudo. Não, não podem, porque isso que pode ser expressado, isso que pode ser explicado, aquilo que pode ser interpretado, aquilo que pode ser comunicado está dentro do contexto da mente. Mas Deus está além da mente. E qual é a mente? A mente é tempo. O tempo é mente. Por isso, quando ofereço três passos a Deus no dia de Onam, quando o Imperador Bali sacrificou três passos a Vamana - ele entregou o tempo. Ele entregou o passado, o presente e o futuro e ele cresceu além do tempo, além da eternidade. Essa é uma das explicações que Baba deu num dos festivais de Onam.

 

VOCÊS SÃO TRÊS

Em outra ocasião, Ele deu outra interpretação.


"Vocês não são um, mas são três: o que vocês pensam que são, o que os outros pensam que vocês são e aquilo que são realmente."


Aquilo que pensam que são: cada um pensa que é uma certa pessoa. É melhor que não pensemos nisso, porque aquilo que pensamos que somos, não somos. Achamos que somos inteligentes; aquele que pensa que é inteligente é estúpido. Pensamos que sabemos tudo, isso significa que somos ignorantes. Pensamos que somos bonitos, e somos feios. Então, o que pensamos de nós mesmos é o que não somos, para ser muito honesto. Você acha que você é uma certa pessoa. Você não é, porque você está assim hoje, mas, amanhã pode não estar. Você é essa pessoa hoje, há alguns anos, você não era. Você é um pós-graduado hoje, mas há dez anos, você era apenas um estudante do ensino médio. Hoje, o senhor é um oficial; bom, no próximo ano estará aposentado, fora do escritório. Então, o que você acha que você é, você não é - muito claro. Pensamos que somos bastante enérgicos – bom, no próximo ano a artrite está esperando na porta, a pressão arterial está muito ansiosa para lhe abraçar. De modo que você não é isso. Todas as atividades, todo o dinamismo, toda a intelectualidade, todos os cargos de autoridade, a gama de influências, tudo o que vocês pensam que vocês são não são, porque tudo é flutuante. Vemos pessoas que são distinguidas num dia e desclassificadas no dia seguinte. Encontramos pessoas sendo homenageadas, e então no dia seguinte o público lhes joga pedras. Honra, desonra, respeito, desrespeito, estima, humilhação; tudo continua flutuante. De modo que vocês não são o que vocês pensam. Quem sabe o que vai acontecer? E isso é o que a vida é.


E aquele que os outros pensam que você é, você não é. Os outros podem pensar que você é um homem virtuoso e um grande devoto, e você pode não ser. Os outros podem pensar que você é um modelo. Mas se alguém começa a viver com você, eles vão entender o que vocês realmente são. Tudo que reluz não é ouro. Achamos que ele é um grande devoto, mas quando o observamos de perto percebemos que ele não é. Podem pensar que ele é um homem honesto, mas como não há ninguém para suborná-lo, ele é honesto. Se houver alguém para suborná-lo, será mais desonesto do que ninguém que você conhece.

 

As pessoas dizem: "Sou muito honesto".


"Você é muito honesto, mas quem quis suborná-lo?"

 

"Ninguém".

"Se houver alguém para suborná-lo e você disser não, então você é um homem honesto".

 

Sim, assim o que os outros pensam que você é, você não é. “Vocês” me incluam aqui. Talvez eu seja o primeiro. Portanto, há três: aquele que você pensa que é, aquele que os outros pensam que você é, e um terceiro - o que você realmente é. Aquele que você realmente é que significa o Si Mesmo, a consciência, a faísca da Divindade. Assim Bali ofereceu os três, significa os três níveis de percepção, os três níveis de consciência. Primeiro: aquele que você pensa que é. Dois: aquele que os outros pensam que você é. E o terceiro: o que você realmente é. Quando estes três são oferecidos, quando os três são sacrificados então o que permanece é aquilo que é universal. A consciência individual, a faísca individual da Divindade é muito idêntica ao que é universal, o que é cósmico. Vocês são uma faísca dessa Divindade. Assim, quando você cruzar estes três, quando você for além desses três, serão basicamente Divinos.


Como J. Krishnamurthi (as pessoas o chamavam de Krishnaji ou JK) sempre disse: "Você é o mundo, você é o mundo." Parece muito idiota, mas é verdade - vocês são o mundo, porque você é a consciência. Vocês são Divinos, não há nada mais, nada menos do que isso, isto é "perceber", isto é "reconhecer". Isto é o que se sente uma vez que oferecemos estes três: o que vocês pensam que são, o que os outros pensam que vocês são e aquilo que vocês realmente são. Esta é uma interpretação que Bhagavan deu, num dos festivais Onam.

 

TRÊS AKASAS

Em outra ocasião, Baba o explicou desta maneira: a terceira interpretação. Existem três níveis: um deles é tudo o que você vê, toda a gama da criação, os cinco elementos, os cinco sentidos, toda a natureza, o mundo animal, o mundo vegetal, a sociedade humana, a matéria mineral, as montanhas e os vales; tudo o que você vê está sob um título. Qual é? Bhoothakasa. Tudo o que você vê, tudo o que você experimenta, tudo o que você percebe, tudo o que você concebe vem segundo Bhoothakasa. Tudo o que é visualizado, tudo o que é visto é um tema, Bhoothakasa.


Quando você fechar os olhos, a coisa toda pode ser imaginada. A mente é uma pequena câmera; pode fotografar qualquer cena por maior que seja. A cena pode ser muito grande, a montanha pode ser muito grande. A câmera clica; sim, você pode ter a fotografia. De modo similar, tudo o que tem visto, tudo o que visualizam, tudo o que é notável, tudo o que é aparente - tudo isto simplesmente se sente e é gravado na mente. É a mente que capta; é a mente que entende, é a mente que acumula, é na mente onde se grava; isso se chama Chitakasha - Chitta é a segunda. O primeiro nível é Bhoothakasha. Tudo o que vêem é gravado na mente e se chama Chitakasha, que é o segundo nível.


Em terceiro lugar, a mente é funcional, devido à consciência que está por trás. O ventilador está girando; gira a uma grande velocidade. Estamos sentindo a brisa. Mas o ventilador é funcional devido ao fornecimento de eletricidade. É a fonte de alimentação que faz girar as pás. De maneira similar, a mente é funcional devido ao espírito subjacente - que se chama Atma ou consciência. Isso é chamado Chidakasha.


De modo que, meus amigos, existem três níveis agora: Bhoothakasha - tudo o que você vê; Chithakasha - tudo o que é concebido pela mente, e, o terceiro, Chidakasha - a mente é funcional devido à consciência ou ao espírito por trás dela. De modo que, Bhoothakasha, Chithakasha, Chidakasha são os três níveis, que devem ser entregues a Deus, como o sinaliza o festival de Onam. O dia de Onam, o Imperador Bali submete ou entrega estes três: Bhoothakasha, Chithakasha, e Chidakasha. Ele entrega estes três: passado, presente e futuro. Ele entrega estes três: aquele que vocês pensam que são, aqueles que os outros pensam que são e aquele que realmente são.

 

O DENSO, O SUTIL E O CAUSAL

Então há uma outra interpretação. Baba interpreta em diferentes estilos em cada ocasião de Onam. É por isso que corremos atrás dEle. Sim. Ele deu uma outra interpretação. Há mais três. Quais são elas? Uma é Sthoola, o corpo denso. É suficiente, se tiver esse corpo denso?

 

Há uma quantidade de bonecos, ursos de pelúcia que você vê, uma quantidade de brinquedos, grandes lojas de roupa mostram manequins bonitos lá, que às vezes são mais bonitos do que aqueles que estão vivos. Na maioria das vezes, pensamos que estão vivos, mas são inanimados. De modo que o denso que você vê, Sthoola, é apenas externo. Mas, por dentro está presente a vida. Você não encontrará vida no exterior. Há um fio por fora, a corrente está dentro. Sou claro? Da mesma forma, há vida no interior.


Onde está a vida? (Vamos, levemos o corpo ao salão de anatomia ou à escola de medicina; fazemos uma dissecação e se acabou. Onde está a vida? Não sei.) Um cientista quis saber o que era a vida. De modo que se apossou de um moribundo, um homem que ia morrer a qualquer momento. O manteve numa urna de vidro e se colocou a observar para ver onde estava a vida, e como escapava. Enquanto observava, ele percebeu que o colega havia partido cinco minutos antes. Morte e nascimento acontecem, não se fazem. Elas acontecem. Quando elas acontecem, ninguém pode dizer: "Onde está a vida?" Esse colega se tornou sem vida. E, em seguida, ele compreendeu que a vida havia escapado, sem que tivesse percebido.

 
Portanto a vida é sutil - sookshma. O corpo, sthoola, é denso. O segundo, sookshma, é a vida. O terceiro é causal, karana. Então, qual é a causa da vida? O corpo causal ou consciência. De modo que sthoola é o denso; sookshma é o sutil, e karana é o corpo causal. As pessoas também o chamam de corpo físico, astral e causal, ou denso, sutil, e causal. É assim que os três são entregues a Deus. Isso é o que se entende por festival de Onam, quando os três passos são oferecidos a Deus pelo imperador Bali. Esta é uma das explicações dadas por Baba.


ALÉM DOS ATRIBUTOS

Em seguida, em outra ocasião Ele disse: "Quando você oferece três passos a Deus, o que significa isso"?  


Todos tem três qualidades. Quais são elas? Sátvica, rajásica, e tamásica. Tamas é a animalidade, a inércia, a torpeza, preguiça, a sonolência, o comer continuamente; estas são qualidades tamásicas. A segunda é a qualidade rajásica - emoção, paixão, desejo, raiva, ódio, ambição. O terceiro é a sátvica - piedade, serenidade, paz, equanimidade, igualdade, tenacidade. Estas são todas boas qualidades, ou sátvica.


De modo que quando o Imperador Bali ofereceu todas estas três qualidades rajásica, tamásica, sátvica, a inércia, a emoção e a piedade a Deus, o que significa isso? Significa que você vai além dos três atributos - você torna-se guna atheeta. Guna significa atributo. Os três atributos são tamoguna, rajoguna e satwaguna. Quando as entregam a Deus, você é sem atributos ou guna atheeta, além dos atributos. Deus está além dos gunas; Deus está além dos atributos. Na verdade, os atributos são funcionais devido a Deus. Este microfone não é funcional por si mesmo, é funcional, o é graças à eletricidade. A luz por si só não é funcional, o é por causa da fonte de energia. De maneira similar, trigunas são ativos, se manifestam, se expressam devido a corrente por trás deles, ou seja, a Divindade. Portanto, uma vez que se ofereçam todos esses três atributos a Deus, isso significa que me tornei a corrente, o gunatheeta, o suprimento de energia. Transcender os gunas, ir além dos gunas e carecer de atributos, e tornar-se num gunatheeta. De modo que Onam significa que deveríamos ir além dos três atributos.


CORPO, MENTE E INTELECTO

Em outra ocasião, Baba disse isto sobre estes outros três: corpo, mente e intelecto. É o corpo que é um instrumento eficaz. Algumas pessoas dizem que o corpo é inútil. Algumas pessoas dizem: "E o que há no corpo?" Mas você o encontra indo para a cantina. Por quê? O que existe no corpo? Por que você deve ir para a cantina? Por quê? Para tomar uma xícara de café. Isso é inútil, insensato. Todo mundo tem um corpo. Ninguém pode dizer que não o têm. O corpo está lá. O corpo é um veículo eficaz de transporte. É um instrumento eficaz. Devemos estar agradecidos por este corpo, o corpo que está bastante ativo, o corpo que é bastante inteligente, o corpo que é bastante interativo. Temos que estar gratos por este corpo. Este maravilhoso presente do corpo que nos é dado pelo próprio Deus. O corpo é um presente de Deus e não temos o direito de desrespeitar o corpo. Não temos o direito de pôr fim ao corpo cometendo suicídio, ou torturá-lo. Alguns acreditam na tortura do corpo. Não, não, não. Não temos o direito. Portanto, em primeiro lugar, o corpo tem de ser preservado e bem mantido. Nunca deve ser negligenciado.

 
O segundo nível é a mente. O que temos que ser cautelosos aqui é que o corpo é importante, mas não é a totalidade. Não devemos considerar que o corpo é a única coisa. Não, o corpo é a principal coisa, mas não a única coisa. Comemos para viver, mas não vivemos para comer. Não é? Assim, o corpo é importante, mas o corpo não é a única coisa importante. A segunda é a mente. A mente tem de ser canalizada. A mente é algo como um volante, a mente é um diretor. A mente não deve ser desviada, a mente deve ser dirigida. A mente desviada é mente pervertida, enquanto que a mente dirigida é o correto, é a coisa certa que temos de fazer. Não devemos culpar a mente.


Alguns dizem: "É uma mente suja. Minha mente é assim". Oh, não! A mente não é suja, você a fez suja. A mente toma a forma que você quer. Basta tentar, meus amigos. Você começa a partir de algumas pessoas. Você sente como tendo tudo, porque a mente é assim. Às vezes, você começa a dar, e sente vontade de dar tudo. Portanto, a mente age da forma que você a conduzir. Nunca devemos culpar a mente. Portanto, a mente é para ser conduzida, ao passo que o corpo está para empreender as ações. O corpo age de acordo com a mente, e a mente pensa de acordo com o intelecto. É o intelecto que controla a mente. É por isso que Baba disse numa das ocasiões de Onam, quando o Imperador Bali ofereceu todo os três - significado corpo, mente e intelecto. Todos estes três são entregues a Deus.

 

BABA É CONSCIÊNCIA

Pergunto-me como é que Swami continua explicando os mesmos três passos oferecidos por Bali a Vamana de tantas maneiras. Isso é o que é Bhagavan Sri Sathya Sai Baba. Por que é que as pessoas correm atrás dEle? É devido a essa originalidade, à criatividade, à abordagem multidimensional para cada evento da vida, a cada situação.


Portanto, neste dia de comemoração de Onam, lembremo-nos o que Bhagavan disse a respeito de Onam e ao significado que lhe dera. Como professor, peço desculpa se estou repetindo coisas – isso se deve a que velhos hábitos são difíceis de eliminar. Neste dia de Onam, vamos nos lembrar  de que temos de ser atemporais, que temos de ir além dos três atributos; que temos de ir mais além do corpo, da mente e do intelecto, que temos de compreender bhoothakasha, chithakasha, e chidakasha; que temos de transcender sthoola, sookshma, e karana.


Estas são as diferentes interpretações dadas por Bhagavan para a observância do festival de Onam. Baba não é o corpo físico que vemos; Baba não é a mente como O entendemos; Baba não é o intelecto. Baba é a própria Consciência.

 

EU SOU DEUS - NÃO SOU DIFERENTE DE DEUS

Neste dia do festival de Onam, devo recordar-lhes, meus amigos, da época em que Adi Shankara, procedente da grande terra de Kerala, se apresentou a seu guru. Seu guru lhe perguntou: "Quem és?" Adi Shankara nunca se apresentou como "Sou tal e qual." Não nunca se apresentou entregando alguma carta ou alguma identificação. Nem tampouco passou por nenhum controle de segurança ou imigração.


Adi Shankara se apresentou assim: "Sou eterno, sou imortal, sou Divino." Essa foi a forma como se identificou ao seu guru. Por favor, repassem sua biografia. Adi Shankara se apresentou como um filho da imortalidade, como alguém eterno, alguém totalmente Divino.


Quando Ele era ainda um garoto, Baba, num dos Seus poemas disse: "Eu sou Deus. Não tenho princípio, não tenho fim. Não tenho aflições, não tenho medo, não tenho ansiedade. Sou eterno. Sou a Verdade.


Isso estava em télugo. Estou fazendo um estudo aprofundado dos poemas de Baba, porque cada poema contém a síntese de toda a mensagem destinada ao momento. Somente repassando esses poemas, cerca de 800, me perco na leitura deles. Esqueço onde estou. As maiores coisas são explicadas de uma forma mais simples. Isso só é possível por Baba. Num dos Seus poemas, Ele apresentou a Si Mesmo assim:


Nenu Daivambu Tat Dinnamu Yemi Kaanu.”

 

“Eu sou Deus. Não sou diferente de Deus.”

 

Ye Vyadhayu Ye Keshambu Nannu Sprushimpabhovu.”

 

“Nenhuma dor, nenhuma aflição pode jamais estar em Meu redor.”

 

Akanda Satchidananda Parabrahmamaudunenu.”

 

Akanda, Eu sou aquele infinito.

 

Satchidananda, Eu sou essa eternidade.

 

Eu sou a paz, eu sou a bem-aventurança.”

 

Ullama ! Palkumu Om Tat Sat.”

 

“Oh Mente, repita isso, Om Tat Sat.”

 

Hari Om Tat Sat.”

 

“Eu sou Aquele, Eu sou Aquele.”


O PODER DA ORAÇÃO

Adi Shankara fez um milagre em sua vida. Um dia, cerca de meio-dia, quando estava passando, Adi Shankara viu sua idosa mãe que carregava uma vasilha cheia de água. Ela caiu porque estava muito, muito quente nesse dia. Ela estava inconsciente. Adi Shankara verificou que sua mãe estava assim.


Ele orou a Deusa Mãe Sharada e disse: "Oh, mãe, por que minha mãe caiu no chão assim? Por que minha mãe tem que caminhar para buscar água? Quero que o rio venha até mim. Não permita que minha mãe vá até o rio, mas deixem que o rio venha até minha mãe. "


Essa foi a oração de Adi Shankara. O que aconteceu? Na manhã seguinte, o rio começou a passar pelo lado de sua residência. (O nome do rio é Poorna. O local onde nasceu Adi Shankara é Kaladi, no estado de Kerala. Ainda hoje o rio Poorna passa junto a casa de Adi Shankara.) Adi Shankara pode desviar o rio. Sathya Sai Baba pode hoje dirigir o rio para passar por 700 aldeias no distrito Anantapur, como abastecimento de água potável, imaginem ?


Não foi somente isso. Foi Adi Shankara que esteve na casa de uma velha senhora pedindo comida. Essa velha senhora chorava: "Swami, o que eu posso dar? Não tenho nada para dar. Tenho uma pequena groselha, uma pequena fruta. Eu não tenho mais nada". E ela a deu a Adi Shankara.

 
Adi Shankara juntou as palmas de suas mãos e rezou para a Mãe: "Oh, Mãe! Ajude esta senhora". Imediatamente, houve uma chuva de  moedas de ouro (Kanakadhaara). Então Adi Shankara começou a compor o Kanakadhaara stotram.

 
O que aconteceu na vida de Bhagavan Sri Sathya Baba? Uma pessoa veio a Ele, que havia perdido um total de 20 milhões de rúpias. Ele chorou na frente de Swami.


Swami disse: "Não posso ajudá-lo".


Mas o homem disse: "O Senhor não pode dizer isso, Swami. O Senhor deve me ajudar".


Então, Baba disse: "Se você crê em Mim desta maneira, você terá o dinheiro. Não se preocupe".


Vou lhe dar o endereço e o número da casa desse homem. Sou um estudante de ciências. Não estou repetindo histórias fabricadas ou fictícias. Vou dar o endereço e você pode ir e falar com ele. Em seis meses todos os seus débitos foram cancelados, e ele pode ter uma renda extra. Ele comprou um carro e veio aqui para presentear o carro para Swami.


Swami disse: "Eu não quero carros".

 

"Swami, deveria aceitá-lo."


Swami disse: "Eu não quero".


Ele chorou inconsolavelmente. Por último, Swami disse: "Tudo bem, dê-Me".


Ele tomou as chaves do carro e disse: "Este é o meu carro agora, compreendeu? Sim, você é o condutor e mantenha o meu carro com segurança".

 

Esse homem se chama Sanjeeva Rao da Empresa de Tabacos da Índia Oriental.

 
Kanakadhaara Stotram - Foi Adi Shankara que fez chover moedas de ouro abençoando a anciã, que não tinha nada, enquanto Baba fez chover dinheiro aqui. Isso é o que é Swami.


EU SOU EU

Adi Shankara fala de não-dualidade. Aham Brahmasmi - "Eu sou Deus".

 

Aham sou Eu. Brahma é Deus. Aham Brahmasmi significa: "Eu sou Deus".


Aham Brahmasmi. Eu sou Brahma. Eu, aqui; Brahma, lá. Eu sou Brahma.

 

Baba vai um passo mais longe! (O último Avatar, você sabe; uma melhora com respeito a Adi Shankara, porque o atual Avatar não pode ficar para trás. O Avatar também tem que atualizar Sua agenda, com a última tecnologia!) E o que é que Ele disse?


"Eu sou Eu; Aham Aham".

 

Não se trata de Aham Brahmasmi. Aham Aham - "Eu sou Eu." Isso é tudo - é Shudda Advaita especial.


O Advaita (não-dualismo) diz: "Aham Brahmasmi". Shudda Advaita diz, "Aham Aham", ou "Eu sou Eu". Vá um passo mais longe. Se você revir os ensinamentos de Adi Shankara, e as explicações dadas pelo Bhagavan Baba, se ler as composições de Adi Shankara, Aparokshaanabhooti, Vivekachoodamani, em comparação com a literatura Sathya Sai, entenderão. Esquecerá a semelhança, isso é tudo.


Baba disse em dado momento: "Alguém deve ter três".


Quais são elas? Primeiro: as mãos de Janaka, significando as mãos que servem. Deveríamos tê-las. Em segundo lugar, deveríamos ter o coração de Buda. O coração de Buda se derrete; o coração de Buda responde; o coração de Buda é muito receptivo, responde e é compassivo. Portanto, deveríamos ter o coração de Buda. Terceiro: a cabeça de Shankara, o que significa isso? Significa a cabeça da discriminação, a cabeça da indagação, a cabeça da discrição, a cabeça do julgamento, a cabeça da visão, a cabeça da eternidade.

 
Portanto, como Swami fala de Adi Shankara e da filosofia de Advaita, naturalmente, estamos muito felizes. Porque quando vocês pensam que são limitados, vocês se rebaixam limitando-se. "Sou ilimitado." Está lá na declaração de Jesus, quando Ele surgiu dos mortos no terceiro dia. Jesus se levantou no terceiro dia. Por quê? Porque Ele não era o corpo; não era a mente; não era o intelecto.


Portanto, meus amigos, com saudações fraternais e desejando-lhes um Feliz Onam a todos, concluo a sessão desta manhã. Esperamos nos reunir na próxima semana, no mesmo dia, na mesma hora. Muito obrigado.

 

OM…OM…OM…

 

Asato Maa Sad Gamaya

Tamaso Maa Jyotir Gamaya

Mrtyormaa Amrtam Gamaya

 

Om Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

Loka Samastha Sukhino Bhavantu

 

Om Shanti Shanti Shanti